(Post em construção)
No terceiro volume da sua obra, diz-nos o autor no "Apêndice":
"Encarando a história segundo um ponto de vista geral, ficamos persuadidos a respeito da existência de uma lei eterna que rege os acontecimentos. Mas encarando a história do ponto de vista pessoal, chegamos à conclusão contrária.
O homem que mata o seu semelhante, Napoleão que ordena a travessia do Niémen, vós e eu que fazemos um pedido para conseguirmos determinado lugar, que erguemos e baixamos o braço, todos nós, enfim, estamos tão absolutamente certos de que todos os nossos actos se baseiam em causas razoáveis e no nosso livre arbítrio e que agimos desta ou daquela maneira por nossa livre iniciativa, esta convicção é-nos tão natural e querida que, mau grado as demonstrações da história e da estatística criminal que nos convencem da inexistência do livre arbítrio, alargamos a consciência da nossa liberdade a todos os actos que praticamos.
A contradição parece irredutível. Quando actuo desta ou daquela maneira estou convencido do meu livre arbítrio, mas se considero o meu acto como uma participação no conjunto da vida da humanidade (e na sua significação histórica), concluo que esse acto era predestinado e inevitável. Donde provém este erro?
As observações psicológicas sobre a capacidade do homem para conciliar retrospectivamente e instantaneamente os factos já realizados através de uma série de deduções pretensamente livres (...) confirmam a hipótese de que a consciência que o homem tem de ser livre ao levar a cabo determinados actos é inteiramente falsa. Existem, porém, outras observações psicológicas que provam que existem actos em que a consciência da liberdade não é retrospectiva, antes instantânea e indiscutível. (...)
Existem , portanto, duas espécies de actos. Uns são dependentes da minha vontade, os outros, independentes. E o erro que provoca a contradição provém unicamente do facto de que a consciência da liberdade que acompanha legitimamente todos os meus actos é por mim desviada para aqueles actos que dependem também dos outros indivíduos e de outras vontades. (...)Mas se observarmos os casos em que surgem os aspectos extremos da nossa liberdade e da nossa dependência, não podemos deixar de notar que, quanto mais abstracta é a nossa actividade, maior é a sua dose de liberdade; inversamente, quanto mais a nossa actividade depende de outrem, menor é a sua liberdade."
Chamamos a atenção para a importância deste romance de Tolstoi para o conhecimento da ideia que este tem quer da metodologia da História, quer do próprio processo histórico. Não sendo nem filósofo nem historiador, os contributos dados nestas vertentes são muito importantes e alguns revestidos de peculiaridades. Neste sentido acrescentaremos neste mesmo post mais alguns excertos relativos sobretudo à última vertente referenciada, para consolidar o que começou por ser já destacado no excerto apresentado.
_______________
Leão Tolstoi (1828-1910)
Guerra e Paz: 1869
Estou a procura da obra Guerra e Paz (completa). Sei que a editora Globo (RGS) a publicou há anos, em volumes, mas em sebos só encontro 2 ou 3 volumes. Afinal, em quantos volumes a obra foi publicada e onde possa encontrá-la?
Atenciosamente,
Maria Lúcia Rodrigues
O referido texto não é somente importante do ponto de vista histórico. É um convite a reflexão pessoal do conceito de liberdade, livre-arbítrio e sociedade. Nos tempos de hoje, ainda que o individualismo tenha pautado nossas relações, a vida em grupo e nossa interdependência com as pessoas acrescenta o nosso conceito de liberdade e participação. A grande dor nossa é culpar o outro de nossos males mas aprender a divina bênção da convivência humana.
Afixado por: Ademar em agosto 17, 2004 09:45 PM
Olá,
Na verdade não tenho nenhum comentário a fazer, eu só gostaria de saber qual a diferença dos volumes 2 e 3. Percebi que o 3º volume tem + ou - 100 páginas a mais. Qual vcs recomendam a comprar?
Muito obrigado
Marcio Martins
Olá,
Na verdade não tenho nenhum comentário a fazer, eu só gostaria de saber qual a diferença dos volumes 2 e 3. Percebi que o 3º volume tem + ou - 100 páginas a mais. Qual vcs recomendam a comprar?
Muito obrigado
Marcio Martins