Em contexto de abertura da ex-URSS o então presidente Mikhail Gorbatchov, na sua obra nuclear, Perestroika, aponta as conquista conseguidas pelo seu país desde a Revolução Socialista de Outubro (1917). No entanto, e nessa sequência, salienta também alguns factores que deram origem a bloqueios, sendo a impossibilidade de desenvolvimento pleno da criatividade uma delas, pelo que segundo ele a livre criatividade do Homem é absolutamente essencial para o desenrolar do processo histórico. São, pois as seguintes as suas palavras:
"(...) A nossa sociedade garantiu o trabalho para todos e forneceu as garantias sociais fundamentais. Ao mesmo tempo, falhámos no que respeita à utilização de todas as potencialidades do socialismo para responder às crescentes necessidades de habitação, qualidade e por vezes quantidade dos produtos alimentares, na devida organização dos transportes, nos serviços de saúde, na educação e na resolução de outros problemas que, muito naturalmente, surgem no decurso do desenvolvimento da sociedade. (...)
Os penegíricos e o servilismo eram encorajados. (...) O pensamento criador fora expulso das ciências sociais, enquanto opiniões e declarações peremptórias, supérfluas e voluntaristas, eram declaradas verdades indiscutíveis. (...) A penetração dos estereótipos de uma cultura de massas alheia à nossa deu lugar à vulgaridade, ao mau gosto e à aridez ideológica. (...) As pessoas, seres humanos com toda a sua criativa diversidade são os construtores da história."
(In: GORBATCHOV, Mikhail- Perestroika. Lisboa: Publicações Europa-América, 1987, p. 28-38).
É interessante verificar as alterações históricas depois da queda do "império" soviético. De facto, a liberdade criadora é essencial ao processo histórico, disso não creio poder haver dúvidas. Contudo, a mim, como pessoa, preocupa-me demais o processo histórico porque passa a ex-URSS, em termos concretos e imediatos. Fico triste de pensar que toda aquela gente ficou como está: mais pobre.
Claro que não defendo outra coisa que não seja a liberdade dos povos e nem admito regime ditatoriais, contudo verifico com enorme tristeza aquilo que se passa.
Abraço