agosto 16, 2003

NOVA PROBLEMATIZAÇÃO EM TORNO DO CONCEITO DE "FILOSOFIA DA HISTÓRIA": ideias de Patrick Gardiner

Patrick Gardiner nasceu em Inglaterra no século passado decorria o ano de 1922. Estudou na Westminster School em Londres, tirou o curso de História em Oxford e, em 1947 licenciou-se em Filosofia, Política e Economia. A partir de 1948 iniciou a sua carreira universitária, ocupando em Oxford os cargos de Lecturer em Filosofia, no Wadham College (1949-1952), o de Fellow em Filosofia, em St. Anthony's College (1953-1958), o de Visiting Professor em Filosofia, na Universidade de Columbia nos EUA (1955-1956), regressando depois a Inglaterra, encontrando-se já em 1958 a leccionar em Oxford.
A propósito das questões colocadas em torno do conceito de "Filosofia da História", escreve o seguinte na Introdução da sua antologia, Teorias da História:
"(...) O que os projectos habitualmente designados por "filosofias da história" têm muitas vezes de comum é o propósito de oferecer uma exposição completa do processo histórico de forma a poder ver-se que "faz sentido". Todavia, a noção de "dar sentido" ao passado é, ela própria, obscura e susceptível de uma série de interpretações diferentes. Usando uma distinção óbvia, podemos dizer que uma coisa é supor que a história tem um significado no sentido em que tudo o que aconteceu ou vai acontecer foi (ou é) preordenado ou "intencionado" por qualquer "mão oculta"- seja ela a da Providência ou a da "astúcia da Razão", de Hegel; e outra coisa bem diferente é sugerir apenas que o seu curso até à actualidade manifestou uma tendência em dada direcção e (talvez) profetizar, com base nessa tendência observada, o que será o seu futuro desenvolvimento; e é ainda outra coisa pretender que os acontecimentos históricos se ajustem a leis causais particulares, em função das quais se podem explicar as ocorrências pretéritas e prever as modificações futuras. Além disso, enquanto algumas teorias do processo histórico foram propostas, por assim dizer, "isoladamente", outras só podem ser compreendidas como parte de uma estrutura mais ampla, na qual têm um lugar definido: a teoria hegeliana, por exemplo, entra na última categoria.
Em consequência de ambiguidades como estas, as fronteiras entre o que é conhecido como "filosofia da história" e outros domínios de especulação e de investigação são extremamente difíceis de traçar: em certos pontos, parecem esbater-se no domínio da sociologia, noutros, no da metodologia histórica e em outros ainda no da história propriamente dita. É, de facto, enganador falar como se existisse um único ramo de estudo chamado "A Filosofia da História", ao qual vários pensadores, em épocas diferentes, tivessem dado a sua contribuição (...).
Assim, ao dealbar do século actual [século XX], pode dizer-se que a "filosofia da história" se cindira em duas metades. A especulação e a sistematização continuaram a encontrar-se na obra de autores como Spengler e Toynbee; mas, a par disso, uma forma bem distinta de investigação se havia desenvolvido, virada, entre outras coisas, para a análise das formas de operar, das categorias e da termonologia históricas [por exemplo, através de Dilthey, Croce ou Collingwood]."

(In: GARDINER, Patrick- Teorias da História. 4ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1995, p. 7-9).

Chamamos, para terminar, a atenção, que na época em que esta obra foi escrita (anos 50, sendo publicada pela primeira vez nos EUA e na Grã-Bretanha em 1959) verificava-se em Inglaterra, e também nos EUA, o retomar do interesse pela discussão epistemológica ou metodológica em torno da História. Terminava, efectivamente, um período em que as ciências naturais eram entendidas como a fonte de toda a compreensão e de todo o conhecimento verdadeiro. De acordo com informação dada pelo próprio Gardiner no "Prefácio do Antologista para a Edição Portuguesa", em Outubro de 1966, "Para alguns deles [autores anglo-saxónicos], a noção de "filosofia da história" estava associada à construção de grandes sistemas e de esquemas teóricos empenhados em explicar ou interpretar a totalidade do processo histórico. A perspectiva de se aventurarem numa actividade intelectual desta natureza despertou pouco entusiasmo na Inglaterra e na América, onde o ambiente filosófico tem sido de carácter predominantemente frio e céptico, e onde um cauteloso empirismo tornou os teorizadores reservados em face das pretensões de uma especulação ambiciosa".
(In: Idem, Ibidem, p. XXXVIII).

Publicado por sandra em agosto 16, 2003 02:26 PM
Comentários

não entendi a referencia a Sartre

Afixado por: Geovano em novembro 21, 2003 07:52 PM

gostaria de saber 3 conceito de filosofia na otica de 3 autores

Afixado por: LUIZ CARLOS HONORATO VIEIRA em agosto 3, 2004 01:37 PM