Foi particularmente com a sua obra Critique de la Raison Dialéctique, datada de 1960, que nos deparamos com uma série de contributos para a totalidade da problemática relativa à concepção da história como evolução da humanidade. Se bem que já em L'Être et le Néant (1943) tivessemos tidos reflexões em torno da essência temporal do homem e dos êxtases do tempo, ou seja, do tempo como unidade orgânica, dinâmica do passado, do presente e do futuro, é com a Critique que o grande passo se dá. Assim, e no âmbito deste texto, apresenta Jean-Paul Sartre:
1. Uma reapreciação da dialéctica: esta não é entendida na vertente idealista nem se baseia na natureza, surgindo antes como resultado da existência e experiência humana, relacionando-se por isso profundamente, a este nível, com o devir histórico. A dialéctica assume as seguintes características:
- é ao mesmo tempo sofrida e feita. Sofrida, na medida em que o homem faz e participa na história com base nas condições anteriores, ou seja, com base naquilo que herda; feita, porque a história resulta da acção dos homens;
- nasce a partir da acção do indivíduo em situação, isto é, a partir dos seres concretos, actuando de acordo e conforme projectos diversos, tendo em conta diferentes ideologias, situando-se em diversos grupos ou classes, etc.
2. O homem como construtor da história: o motor da História situa-se nas relações do homem com o mundo, emergindo deste relacionamento três espécies de contradições:
- a rareza e a violência que a acompanha;
- o prático-inerte;
- a necessidade-projecto.
Ou seja, com a "rareza" Jean-Paul Sartre pretende significar a escolha que toda a sociedade faz dos seus mortos, com o "prático-inerte" que toda a acção se volta para si mesma e se perde na serialidade, com a "necessidade-projecto" a ideia de que toda a acção se transforma na reinteriorização de uma estrutura já presente- a do ser de classe.
Ao apresentar o homem (em situação) como elemento decisivo para a efectivação da História, Sartre defende que o conhecimento próprio da História deve incluir uma boa dose de compreensão. Por outro lado deve também atender à inteligibilidade, na medida em que os fenómenos históricos incluem tanto a imprevisibilidade dos acontecimentos como o peso das instituições e das estruturas.