Evidentemente que tudo o que temos vindo a apresentar nos dois últimos posts teria que nos conduzir à explicitação das principais linhas caracterizadoras da historiografia produzida no período medieval.
Sendo que posteriormente daremos conta, com maior pormenor, da nova cronosofia que foi sendo construida, onde novamente se destaca o contributo de Santo Agostinho, registemos para já pontos de referência da maneira de escrever a História na Idade Média:
1. A periodização do tempo histórico era feita de acordo com o modelo cristológico (o que estava antes e o que estava depois do nascimento de Cristo ou, mais profundamente, da "Encarnação").
2. Os conteúdos assumem uma função catequética.
3. Pendor apocalíptico-escatológico, justificado pela existência de três períodos ou momentos no âmbito da linearalidade
temporal: "Criação", "Redenção", "Juízo Final".
4. Perspectiva universalista da Humanidade, ultrapassando-se o que tinha a ver com particularismos. Objectivo: narrar a gesta divina, ou seja, a gesta Dei.
5. Trabalho geracionalmente continuado.
6. Verificação da inexistência de uma consciência autoral.
7. Ordenação das ideias e acontecimentos de acordo com a justificação providencialista.
Ideia a reter: para os pensadores e historiadores medievais a História não era nem uma decadência contínua (apesar do "Pecado Original") nem um progresso indefinido. Era sim, um progresso orientado para um certo fim: a salvação da humanidade, significando a vitória da "Cidade de Deus" agostiniana.
Publicado por sandra em agosto 19, 2003 05:36 PM