agosto 19, 2003

A HISTORIOGRAFIA MEDIEVAL: linhas caracterizadoras

Evidentemente que tudo o que temos vindo a apresentar nos dois últimos posts teria que nos conduzir à explicitação das principais linhas caracterizadoras da historiografia produzida no período medieval.
Sendo que posteriormente daremos conta, com maior pormenor, da nova cronosofia que foi sendo construida, onde novamente se destaca o contributo de Santo Agostinho, registemos para já pontos de referência da maneira de escrever a História na Idade Média:

1. A periodização do tempo histórico era feita de acordo com o modelo cristológico (o que estava antes e o que estava depois do nascimento de Cristo ou, mais profundamente, da "Encarnação").

2. Os conteúdos assumem uma função catequética.

3. Pendor apocalíptico-escatológico, justificado pela existência de três períodos ou momentos no âmbito da linearalidade
temporal: "Criação", "Redenção", "Juízo Final".

4. Perspectiva universalista da Humanidade, ultrapassando-se o que tinha a ver com particularismos. Objectivo: narrar a gesta divina, ou seja, a gesta Dei.

5. Trabalho geracionalmente continuado.

6. Verificação da inexistência de uma consciência autoral.

7. Ordenação das ideias e acontecimentos de acordo com a justificação providencialista.

Ideia a reter: para os pensadores e historiadores medievais a História não era nem uma decadência contínua (apesar do "Pecado Original") nem um progresso indefinido. Era sim, um progresso orientado para um certo fim: a salvação da humanidade, significando a vitória da "Cidade de Deus" agostiniana.

Publicado por sandra em agosto 19, 2003 05:36 PM
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