agosto 21, 2003

KARL POPPER E A IDEIA DA CONCRETIZAÇÃO DA LIBERDADE HUMANA. Justificação para a realização da História

Tendo sido já alvo de atenção neste blog, o filósofo austríaco Karl Popper é por nós novamente recuperado, para apresentarmos a ideia que tem relativamente ao conceito de sociedade aberta, o que a mesma permite ou resulta como consequência em termos de desenvolvimento ou reforço da liberdade humana, assim como da relação que ambas têm com a evolução histórica.
Começaremos, desta forma, por fazer uma introdução ao tema apresentando um excerto do "Posfácio", datado de Dezembro de 1984, incluido na obra O futuro está aberto:
"(...) Com a expressão "sociedade aberta" designo não tanto uma forma de Estado ou uma forma de governo, mas antes uma espécie de vida em comum dos homens, em que a liberdade dos indivíduos, a não-violência, a protecção das minorias, a protecção dos fracos, são valores importantes.(...)
(...) Mas falemos antes da ideia de sociedade aberta e do seu valor fundamental, a liberdade humana. O caminho percorrido é longo. (...)
A história da Europa e da república americana é, poder-se-á dizer, a história da luta pela liberdade. (...)
(...) a luta pela liberdade e pelo respeito pelo homem, pela vida humana e pela liberdade do indivíduo continua. Porque não existem soluções simples. (...)
(...) E deste modo a ideia de liberdade conduz inexoravelmente à ideia de igualdade. Todavia, a ideia de igualdade encerra perigos face à ideia de liberdade. (...)
(...) Enquanto houver homens ambiciosos e sedentos de poder, eles lançarão na desgraça uma forma social demasiadamente feliz (...). Não pode existir uma sociedade perfeita.
Existem ainda muitas outras razões que levam a que uma ordem social perfeita se precipite na falta de liberdade ou que a tornam inviável.
(...) Gostava de resumir todos estes aspectos numa frase: as nossas democracias ocidentais representam as ordens sociais mais justas que até à data existiram na história: e são as melhores, porque as mais predispostas a realizarem reformas e a autocriticarem-se. Todos nós devemos, naturalmente, continuar a aperfeiçoá-las. (...)
Um Estado democrático não pode ser melhor do que os seus cidadãos. Esperemos, pois, que os grandes valores de uma sociedade aberta- liberdade, entreajuda, procura da verdade, responsabilidade intelectual, tolerância- também sejam reconhecidos como tal no futuro. Para isso teremos de fazer o nosso melhor."

(In: POPPER, Karl R; LORENZ, Konrad- O futuro está aberto. 2ª ed. Lisboa: Fragmentos, s.d, p. 111-115).

Constata-se, pois, que Popper faz uma relação muito directa entre o conceito de sociedade aberta e aquilo que ela implica face às características de desenvolvimento particular das sociedades ocidentais, nomeadamente Europa e América do Norte.
Salienta, por outro lado, que a ideia global norteadora deste tipo de sociedades, facilmente pode ser posta em causa, se interferências específicas se verificarem (nomeadamente através da efectivação de determinado tipo de conduta humana), podendo conduzi-las, precisamente, para sociedades do tipo fechado, ou seja, onde não imperem os valores democráticos.
Chama a atenção, ainda, para o facto das sociedades democráticas não serem perfeitas- pelo que importa trabalhar pela sua melhoria ou aperfeiçoamento constante-, mas têm inerente a si uma vertente imprescindível que consubstancia a sua evolução histórica e que é a auto-análise, a detecção de erros e problemas e o que isso implica de capacidade para os ultrapassar, ou pelo menos atenuar.
A evolução histórica que conduz à liberdade e à igualdade é, neste sentido, construida diariamente através da vivência de situações, de constatações dai decorrentes e da procura da resolução de problemas.

Publicado por sandra em agosto 21, 2003 04:15 PM
Comentários

gostaria,desde ja,de parabenizar pela boa abordagem sobre o tema...encarecidamente,peço q conceitue,se possivel,o tema:a sociedade aberta,dando também algumas de suas características principais...
grato..

Afixado por: andre em outubro 29, 2004 06:23 PM