agosto 23, 2003

AS CARACTERÍSTICAS DOS MOVIMENTOS MILENARISTAS E A SUA RELAÇÃO COM A CONCEPÇÃO DA EVOLUÇÃO DO PROCESSO HISTÓRICO

Foram vários os movimentos milenarista registados durante o período medieval. No entanto, apesar dessa variedade, pode vislumbrar-se o paralelismo de traços, absolutamente decisivo para a criação de um "estado psicológico comum", donde resulta uma forma de conceber a evolução do processo histórico.
Salientam-se como sendo as seguintes as características aqui em causa, resultantes da ideia primordial de Salvação. Esta era, então, concebida como:

- Colectiva: uma vez que seria alcançada pela globalidade dos fiéis e não individualmente.

- Terrena: dado que se realizaria neste mundo.

- Iminente: na medida em que deveria acontecer a qualquer momento.

- Total: porque transformaria por completo a vida na Terra, tornando-a perfeita.

- Miraculosa: seria efectivada através de agentes sobrenaturais, como profecias e sinais divinos.

De entre os movimentos existentes vamos dar destaque a um deles: o denominado movimento dos Pseudo-Apóstolos. No seu âmbito faremos referência a Giachomo de Fiore (ou Joaquim de Fiore), abade cisterciense cujo período de vida se situa entre 1135 e 1202, em particular pela obra A Unidade da Trindade, de extrema importância para o entendimento das idades do mundo em si consideradas e pelas consequências, quer de âmbito religioso (onde a Ordem dos Franciscanos vai ter um papel primordial), quer de âmbito social, designadamente na activação das tensões escatológicas (sendo que aqui nomes como Geraldo Sagarelli e Dolcino, assumem grande significado).
Neste contexto, também, apresentaremos alguns excertos do livro de Umberto Eco, O Nome da Rosa, pela forma exemplar como ilustra as consequências aqui referenciadas.

Publicado por sandra em agosto 23, 2003 08:45 PM
Comentários

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Afixado por: alex em janeiro 21, 2005 04:20 PM