agosto 26, 2003

PLEKHANOV E O PAPEL DO INDIVÍDUO NA HISTÓRIA: registos de pensamento

Georgi Plekhanov (1856-1918), importante figura do movimento trabalhista russo anterior à Revolução e um dos teorizadores de maior destaque do Marxismo ortodoxo, escreveu o seguinte no seu ensaio O Papel do Indivíduo na História, cuja publicação se verificou no ano de 1898:

"(...)Bismarck dizia que nós não podemos fazer história e que temos de esperar enquanto ela se vai fazendo. Mas quem faz história? Fá-la o homem social, que é o seu único "factor". O homem social cria as suas próprias relações sociais. Mas se num dado período ele cria certas relações e não outras é evidente que tem de haver para isso uma razão, que é determinada pelo estado das suas forças produtivas. Nenhum grande homem pode impor à sociedade relações que já não se coadunam com o estado destas forças, ou que ainda não se coadunam com elas. Neste sentido, evidentemente, ele não pode fazer história, e neste sentido ele adiantaria em vão os ponteiros do relógio; não apressaria a passagem do tempo, nem o faria voltar atrás. (...) As relações sociais têm a sua lógica inerente: enquanto viverem pensarão e agirão de determinada maneira e não de outra. Todas as tentativas por parte dos homens públicos para combater esta lógica resultariam de infrutíferas; o curso natural das coisas (esta lógica de relações sociais) anularia todos os seus esforços. Mas se eu souber em que direcção se movem as relações sociais devido a determinadas alterações no processo de produção económico-social, saberei também em que direcção se move a mentalidade social; consequentemente estarei apto a influenciá-la. Influenciar a mentalidade social significa influenciar eventos históricos. Por isso, em certo sentido, eu posso fazer história, e não preciso esperar enquanto "ela se vai fazendo".
(In: GARDINER, Patrick- Teorias da história. 4ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1995, p. 202).

De registo absolutamente fundamental neste excerto:

- é o Homem quem faz a História;

- o Homem assume papel reforçado através daquilo que de social tem imanente;

- mesmo os denominados grandes homens não podem contrariar tendências. Devem sim, entendê-las e conduzi-las da melhor forma;

- importância dada ao processo produtivo e à mentalidade social. Conhecê-los e compreendê-los é fundamental para fazer evoluir (num certo sentido) a História.


Publicado por sandra em agosto 26, 2003 05:27 PM
Comentários

O que Plekahnov identifica ocmo "materialismo eonômico" e "idealismo histórico"?

Afixado por: Fabio em maio 19, 2004 02:28 PM