Porque as abordagens sobre a História são uma constante nas intervenções e obras de Karl Popper, deixamos aqui mais alguns excertos, desta fez extraídos da conferência intitulada "A autolibertação pelo saber", proferida na Rádio da Baviera em 1961, no âmbito de conferências subordinadas ao tema "O Sentido da História", os quais permitem, igualmente, reforçar o conteúdo do post anterior:
"(...) O mesmo acontece com a expressão "o sentido da história". Também aqui se concebeu, frequentemente, um sentido secreto e oculto para o devir da história universal. Ou uma tendência evolucionista oculta inerente à história. Ou um objectivo perseguido pela história política universal. Creio que, neste caso, a nossa resposta deve ser idêntica à da interrogação sobre o sentido da vida. Em lugar de nos interrogarmos sobre o sentido oculto da história, devemos dar à história um sentido. Devemos impor uma missão à história política e também a nós próprios. Em lugar de procurarmos um sentido profundo e oculto ou uma meta a atingir pela história política universal, devemos interrogar-nos a nós próprios sobre os objectivos possíveis da história política universal, tanto humana como politicamente."
Para tornar possível o alcance destes objectivos, Popper apresenta três teses, tradutoras do seu pensamento:
"Assim, a minha primeira tese é a de que deveríamos renunciar a falar do sentido da história, quando com isso pretendemos significar algo oculto na trama da história, ou quando o interpretamos como tendências ou leis evolucionistas que se dissimulam na história política universal e que talvez possam vir a ser descobertas pelos historiadores ou pelos filósofos.
A minha primeira tese é, por conseguinte, negativa. Ela afirma a inexistência de um sentido oculto da história e assevera que todo o historiador ou filósofo que julgue tê-lo descoberto, labora numa terrível ilusão.
A minha segunda tese é, pelo contrário, muito positiva. Afirma a possibilidade de nós próprios darmos um sentido à história política, um sentido viável e humano. (...) Assim, a minha terceira tese é a de que podemos aprender com a história que a determinação de um sentido ético ou a fixação de um objectivo não tem, de modo algum, de ser em vão. Em contrapartida, nunca compreendemos a história se subestimarmos a força histórica dos objectivos éticos fixados. Sem dúvida que conduzem muitas vezes a resultados assustadores."
(POPPER, Karl- "A autolibertação pelo saber". In: POPPER, Karl- Em busca de um mundo melhor. 3ª ed. Lisboa: Fragmentos, 1992, p. 127).
Chamamos a atenção para o facto de um maior desenvolvimento sobre cada uma destas teses vir a ser alvo de apresentação posterior, onde se fará igualmente referência a pensadores que o filósofo austríaco enquadrou em cada uma delas, por forma a melhor as poder explicitar.
Publicado por sandra em agosto 30, 2003 02:47 PM