setembro 15, 2003

DICIONÁRIO DE MULHERES (1): Maria Guardiola

Na sua obra História das organizações femininas do Estado Novo, Irene Flunser Pimentel, apresenta-nos da seguinte forma Maria Baptista dos Santos Guardiola (13.1.1895-27.9.1987):

"Natural de Bragança, começou por tirar o curso do Magistério Primário e depois licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra, tendo sido, entre 1920 e 1941, professora liceal nos liceus femininos da Infanta Dona Maria, de Coimbra (1921, professora agregada); Almeida Garrett, de Lisboa; Carolina Michaëlis, do Porto (1926, professora efectiva), e Maria Amália Vaz de Carvalho, de Lisboa (1925), onde desempenhou, de 1928 a 11 de Janeiro de 1946, o cargo de reitora. Em 1930, foi nomeada vogal do Conselho Superior de Instrução Pública e, entre 1936 e 1940, vice-presidente da 3ª Secção da Junta Nacional de Educação. Foi também inspectora do ensino liceal, de 1947 a 1957, e inspectora superior de 1956 a 1963. Nesse ano, aposentou-se, sendo indigitada para a comissão permanente das Obras Circum-Escolares e Sociais do Ensino Superior. Entre Maio e Setembro de 1949, foi ainda reitora e presidente do conselho administrativo do Liceu Rainha D. Leonor (...).Foi uma das três primeiras deputadas- (...)- à AN, desde a I Legislatura (1935-1936). Quando a OMEN foi criada por Carneiro Pacheco, em 1936, pertenceu desde logo como vogal à sua junta central e exerceu o cargo de vice-presidente desde então até à extinção da organização em 1974. Em Dezembro de 1937 (...), foi indigitada, pelo MEN, comissária nacional da MPF (em 1941 foi dispensada de dar aulas), organização que dirigiu (...) até 21 de Dezembro de 1968, quando foi exonerada a seu pedido. No seio do regime, defendeu sempre o carácter educativo da OMEN- "reeducar" as mulheres- e da MPF- "educar" as raparigas, "futuras mães". À frente da MPF, defendeu ao longo dos anos os designídios estatutários iniciais: a "educação integral", moral, cristã e nacionalista das "jovens portuguesas" para "a formação do carácter, o desenvolvimento da capacidade física, a cultura do espírito e a devoção ao serviço social, no amor de Deus, da Pátria e da Família" e "para o cabal desempenho da missão da mulher na família, no seu meio e na vida do Estado". Na qualidade de deputada, Maria Guardiola participou no debate da reforma educativa encetado em 1936 por Carneiro Pacheco, no qual defendeu, nomeadamente, o fim das provas orais, a nova denominação do MEN e as atribuições da Junta Nacional de Educação. (...) apoiou a imposição do livro único de Leitura, de História e de Formação Moral e Cívica, tendo também proposto o compêndio único de Filosofia. Defendeu a orientação do ensino estatal pelos "princípios da doutrina moral e cristã tradicional do país" e, na discussão sobre o ensino infantil e a reforma do ensino primário, em 1938, pugnou pela limitação do poder do Estado a favor do "fortalecimento do poder dos pais" e do restabelecimento da "tradicional família portuguesa". (...) Em 1952, interveio ainda na AN sobre o analfabetismo, no debate sobre o Plano de Educação Popular e a Campanha Nacional de Educação de Adultos.
Maria Guardiola foi condecorada pelo regime salazarista, com o grau de comendador (1931) e a ordem de grande oficial da Instrução da Função Pública (1939) e, pelo papa Pio XII, com a cruz Pro Ecclesia et Pontifice (1957). Em 1966 foi eleita membro honorário da Ordem da Instrução Pública e recebeu a grã-cruz da Ordem da Instrução Pública. (...)"

(PIMENTEL, Irene Flunser- História das organizações femininas do Estado Novo. Lisboa: Temas e Debates, 2001, p. 421-422).

Publicado por sandra em setembro 15, 2003 10:26 PM
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