Continuando a apresentação de algumas mulheres ligadas ao Estado Novo e que durante este tiveram um papel de relevo, segue-se uma nota relativa a uma das deputadas da Assembleia Nacional:
"Natural de Travanca da Feira, órfã de pai com um ano de idade, terminou o liceu em 1891 e foi a primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, na qual se licenciou em Matemática e Filosofia, respectivamente em 1894 e 1895, e depois em Medicina, em 1904. Trabalhou como médica na Assistência Ncional aos Tuberculosos, exerceu clínica em Lisboa e ingressou como professora efectiva no Liceu de Maria Pia, o primeiro liceu feminino do país, do qual foi reitora desde a sua fundação, em 23 de Fevereiro de 1906, até Novembro de 1912. Até à sua aposentação, continuou a leccionar Matemática no mesmo liceu, que Sidónio Pais elevou a central em 24 de Dezembro de 1917 com o nome de Liceu de Almeida Garrett e que mais tarde veio a adoptar o nome de Maria Amália Vaz de Carvalho. A partir de 1934, e durante duas legislaturas (1934-1937 e 1938-1941), foi uma das três primeiras deputadas portuguesas à AN, juntamente com Maria Guardiola e Cândida Parreira. Monárquica, aderiu desde o início aos princípios político-ideológicos do Estado Novo, tendo, nomeadamente, sido interlocutora entre a ex-rainha D. Amélia, com quem mantinha correspondência, e Salazar. Na qualidade de uma das representantes da elite feminina do Estado Novo, pertenceu ao Conselho Superior da Instrução Pública e foi nomeada vogal da OMEN em 1936, além de ter sido membro da organização dos Médicos Católicos Portugueses e da Academia das Ciências de Lisboa. Preocupada com questões infantis, tendo nomeadamente proferido, em Maio de 1936, uma conferência sobre o "Comunismo contra a infância", na qual defendeu o papel educativo da família e condenou o "fanatismo do Estado colectivista", que, segundo ela, arrancava as crianças aos pais. Na AN, interveio sobre mortalidade infantil e esteve na origem da criação, nos liceus e escolas do ensino secundário femininos, de cursos de frequência obrigatória de higiene geral e de puericultura (...). Participou também na discussão sobre a reforma educativa de Carneiro Pacheco (1936), pronunciando-se a favor do cruxifico nas escolas primárias e contra o ensino laico, responsável, segundo ela, pela desnatalidade que estava a assolar a Europa liberal e a URSS. (...)"
(Cf. PIMENTEL, Irene Flunser- História das organizações femininas do Estado Novo. Lisboa: Temas e Debates, 2001, p. 419).
Publicado por sandra em setembro 18, 2003 06:56 PM Gostaria de salientar, que Domitília, foi a primeira mulher a frequentar uma universidade na Peninsula Ibérica na área de matemática. Também escreveu varios livros de poesias.
Lucinda