Em post editado no passado dia 11 introduzimos a abordagem do tema Terrorismo na História, na medida em que entendemos ser este uma marca indiscutível naquela que é a sociedade contemporânea (ou, dito de outra forma, nas sociedades contemporâneas). Preenchemos essa introdução com um texto saido no jornal Público da autoria de Pacheco Pereira pelo entendimento (seu) que registava sobre o assunto. Hoje voltou a sair um outro escrito do mesmo pensador que, pela importância inerente, e por complementar o anterior, decidimos apresentar a sua reprodução.
O conteúdo é, então, o seguinte:
" (...) Há razões de fundo para considerar o terrorismo a mais importante ameaça que a humanidade defronta no plano político e internacional dos nossos dias. O terrorismo, que está a crescer no princípio do século XXI, não me canso nem me cansarei de dizer, é uma ameaça, nova na sua forma e conteúdo, e tem um imenso mundo de possibilidades e potencialidades de destruição à sua frente. O seu carácter apocalíptico explorará certamente todas estas possibilidades. Tentará encontrar os meios para matar o maior número de pessoas e perturbar pelo medo, levando à degradação das sociedades democráticas. Uma característica deste terrorismo é exactamente centrar-se ou nas democracias ou nas sociedades que vivem uma difícil transição para a democracia (...). Pode parecer essencialmente antiamericano, mas é mais anti-democrático, é contra os fundamentos e valores da nossa civilização.
O problema do terrorismo apocalíptico está muito para além da conjuntura actual (...).O seu risco maior é a conjugação da vontade destrutiva com os meios ao seu dispor. Tudo joga a favor da eficácia da sua acção, e a sua potencial perigosidade ainda está no começo, ainda está na infância. As armas ao seu dispor dar-lhe-ão os meios para passar a uma fase adulta de todo o tecido internacional. Mesmo ainda antes de falarmos em armas de destruição maciça, é preciso compreender que o 11 de Setembro se revelou que as formas de organização da sociedade contemporânea são propícias a que a acção terrorista se torne altamente eficaz. Meios de transporte de massas, rápidos e "pesados", grandes concentrações humanas nas cidades, efeitos em cadeia. Tudo favorece um alto grau de destruição. As armas químicas, biológicas e nucleares são o meio exponencial, mas, mesmo sem elas, o terrorismo já pode ser altamente mortífero.O modo desta guerra está muito longe quer do conflito militar clássico, quer da guerra de guerrilhas. É um conflito que envolve Estados, grupos, organizações criminosas, tudo numa base internacional. (...)
As redes terroristas modernas são hoje transnacionais, associam-se menos formalmente aos serviços secretos dos Estados, convivem bem com redes criminosas internacionais e andam no mercado de tudo o que sirva para infundir o terror. São tecnologicamente literatas e usam por isso todas as informações e meis técnicos para potenciar a destruição. (...)".
(PEREIRA, José Pacheco- "Terrorismo e sida não são comparáveis". In: Público. 25 de Setembro de 2003, p. 8. Sublinhado nosso).
Pela importância crescente que este tema tem no âmbito da História Geral Contemporânea apresentaremos em post futuro referências bibliográficas relevante para a sua maior compreensão.
Publicado por sandra em setembro 25, 2003 09:31 PM