Na sequência do post ontem editado introduzindo a problemática do Romance Histórico em Portugal, apresentamos agora uma cronologia em torno de autores e publicações do século XIX.
Assim:
1842-43
- Rebelo da Silva: Rausso por Homízio.
1843
- Alexandre Herculano: O Bobo (no Panorama. Em livro, mais tarde)
1844
- Alexandre Herculano: Eurico, o Presbítero.
- Oliveira Marreca: O conde soberano de Castela.
1845
- Vicente Pereira de Carvalho Guimarães: Jerónimo Bordalo Bezerra
1846
- Vicente Guimarães- A Guerra dos Emboabas.
- Vicente Guimarães- Os jesuítas na América.
1845-1850
- Almeida Garrett- O Arco de Santana.
1847
- António Pereira de Aragão: A órfã portuguesa e o seu tutor, ou as duas últimas venerandas vítimas da usurpação dos Filipes.
1848
- Alexandre Herculano: O monge de Cister.
- Rebelo da Silva: Ódio velho não cansa.
- Aires Pinto de Sousa de Mendonça e Meneses: O Mestre de Calatrava.
1849
- Aires Pinto de Sousa de Mendonça e Meneses: Rui de Miranda.
1850-51
- Andrade Corvo: Um ano na corte.
1852-53
- Rebelo da Silva: A mocidade de D. João V.
1855
- Camilo Castelo Branco: Livro negro do padre Dinis.
- Rebelo da Silva: A pena de talião.
1856
- Coelho Lousada: A rua escura.
1857
- Coelho Lousada: Os tripeiros.
- Marilde de Santa Ana e Vasconcelos: O soldado de Aljubarrota.
1858
- Luís Joaquim de Oliveira e Castro: A filha de Afonso III ou a conquista do Algarve.
1861
- Arnaldo Gama: Um motim há cem anos.
1862
- Teixeira de Vasconcelos: O prato de arroz-doce.
- Bernardino Pereira Pinheiro: Arzila.
1863
- Arnaldo Gama: O sargento-mor de Vilar.
- Luís Ribeiro de Sotto Maior: Esposa na Lide.
- Bernardino P. Pinheiro: Sombras e luz.
- Rebelo da Silva: Lágrimas e tesouros.
- António Avelino Amaro da Silva: O caramujo.
1864
- Arnaldo Gama: O segredo do abade.
- Arnaldo Gama: A última dona de S. Nicolau.
- António F. Barata: O rancho de Carqueja.
1865
- Arnaldo Gama: O filho do Baldaia.
- Camilo Castelo Branco: A enjeitada.
- Camilo Castelo Branco: Luta de gigantes.
- Rebelo da Silva: A casa dos fantasmas.
- Mendes Leal: Crónicas do século XVII./ Os mosqueteiros de África.
1866
- Camilo Castelo Branco: O olho de vidro.
- Camilo Castelo Branco: O judeu.
- Camilo Castelo Branco: O santo da montanha.
- Arnaldo Gama: A caldeira de Pero Botelho.
- Luís Guedes Coutinho Garrido: Dois aniversários.
1867
- Oliveira Martins: Febo Moniz.
- Camilo Castelo Branco: O Senhor do Paço de Ninães.
- Pinheiro Chagas: A corte de D. João V.
1868
- Silva Gaio: Mário.
- Camilo Castelo Branco: O retrato de Ricardina.
- Camilo Castelo Branco: O santo da montanha.
1871
- Arnaldo Gama: O Balio de Leça.
- A.F. Barata: O Manuelinho de Évora.
- Rebelo da Silva: De noite todos os gatos são pardos.
1872
- Pinheiro Chagas: Os guerrilheiros da morte.
- Pereira Lobato: Os fidalgos do coração de ouro.
1873
- Pinheiro Chagas: A máscara vermelha.
- Pinheiro Chagas: O juramento da duquesa.
- Alberto Pimentel: O anel misterioso.
- Alberto Pimentel: O testamento de sangue.
1874
- Camilo Castelo Branco: O regicida.
- Guiomar Torresão: A família Albergaria.
- Pinheiro Chagas: O terramoto de Lisboa.
- Luís Guedes Coutinho Garrido: Aureliano.
- Bernardino Pereira Pinheiro: Os amores de um visionário.
1875
- Camilo Castelo Branco: A filha do regicida.
- Camilo Castelo Branco: A caveira da mártir.
- Pinheiro Chagas: As duas flores de sangue.
- Manuel Pereira Lobato: A queda de um gigante.
- Pereira Lobato: A baronesa de la Puebla.
1876
- Diogo de Macedo: O cristão novo.
- Manuel P. Lobato: Estandarte Real.
- Alberto Pimentel: Um conflito na corte.
1877
- A.F. Barata: Os jesuítas na corte.
1878
- Pinheiro Chagas: A mantilha de Beatriz.
1879
- Guilhermino Algusto de Barros: O castelo de Monsanto.
1886
- José de Sousa Monteiro: Os amores de Júlia.
1890
- Pinheiro Chagas: A jóia do vice-rei.
- Pinheiro Chagas: A marquesa das Índias.
1891
- Pinheiro Chagas: A descoberta da Índia contada por um marinheiro.
1894
- Henrique Lopes de Mendonça: Os órfãos de Calecut.
- Dom João da Câmara: El-Rei.
1895
- Guilherme Read Cabral: Ângela de Santa Clara.
- Alberto Pimentel: A guerrilha de Frei Simão.
- Alberto Pimentel: O descobrimento do Brasil.
1898
- Campos Júnior: Guerreiro e monge.
- Lobo d'Ávila: A descoberta e conquista da Índia.
- Lourenço Cayolla: O despertar de um sonho.
1899
- Campos Júnior: O Marquês de Pombal.
1900
- Eça de Queirós: A ilustre Casa de Ramires
- Eduardo de Noronha: O agonisar de uma dinastia.
- Lobo d'Ávila: Os caramurús.
- César da Silva: Inês de Castro.
precioso... e o que o precede também.
Muito interessante o levantamento das publicações dos romances históricos em Portugal. Apenas uma observação a fazer: Alexandre Herculano foi quem inaugurou o romance histórico em Portugal. O Monge de Cister, de acordo com esta cronologia está em 1848. O Bobo, em 1843 n'O Panorama e publicado em livro mais tarde. Só que O Monge de Cister foi publicado também n'O Panorama em 1840, e só em 1848 é que saiu em livro. Comento isso porque, segundo a cronologia´, seria Rebelo da Silva o introdutor do romance histórico em Portugal, e isso não se deu. Alexandre Herculano é o primeiro.
Afixado por: Patrícia Ferreira em novembro 4, 2003 09:40 PM