A 14 de Janeiro de 1898 a imprensa francesa trouxe a público o Manifesto dos Intelectuais, documento subscrito por Emílio Zola, Anatole France, Marcel Proust e León Blum. Neste documento explicitou-se o dever de existência de uma estreita relação entre os intelectuais e a ideologia, sendo aqueles entendidos como protagonistas activos na História, independentemente do peso da sua categoria social.
O intelectual não devia, pois, alhear-se do mundo ideológico em que se encontrava inserido. Devia pensar sobre ele e, fundamental, sobre ele se pronunciar. A Cultura e a Arte tinham, neste sentido, que fazer reflectir tal compromisso.
Após a data citada e o documento referido, uma série de iniciativas tiveram lugar e pronunciamentos foram feitos em torno da questão. Mas, importa igualmente não esquecer, o que em períodos anteriores se disse ou preparou sobre o assunto.
"Os Intelectuais e as ideologias" é, pois, uma abordagem que iremos fazer neste blog. Não só num post, pois não será suficiente. Teremos em atenção e prepararemos abordagens por etapas. Relativamente à especificidade da realidade portuguesa começaremos por dar atenção à relação estabelecida entre os intelectuais e o Partido Comunista, sendo que neste âmbito a oposição ao Estado Novo foi uma efectiva marca registada.
Em 1932 Estaline referia a função dos escritores como "Engenheiros de almas". Pois bem, a responsabilidade era uma realidade. No caso português os intelectuais comunistas quiseram assumir-se como tal. Actuaram tendo isso em conta.
É sobre a amplitude de tudo isto que procuraremos aqui fazer registo. Mas, obviamente, não dispensando nunca, aprofundamentos.
Publicado por sandra em outubro 21, 2003 05:50 PM