Nomeado por Salazar em 1938, Cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, contrariando ordens do Presidente do Conselho passa, no ano de 1940, centenas de vistos a judeus para atravessarem a fronteira francesa em busca da liberdade e salvação. Tal gesto levou a que fosse retirado do exercício das suas funções e acabasse os dias na mais clara das misérias.
Para uma introdução ao conhecimento de tal personalidade, apelidada por muitos como o "Schindler português", deixamos dois sites:
http://www.vidaslusofonas.pt/sousa_mendes.htm
http://www.2gg.webcindario.com/aristides.html
lokjlosj jytdjdtud
Afixado por: we em janeiro 28, 2004 02:18 PMNão consigo decifrar!!
é o meu ídolo
Afixado por: Cláudia de Matos Teles em fevereiro 10, 2004 11:34 AMSem qualquer dúvida, Cláudia, Aristides de Sousa Mendes, merece um lugar de destaque na História (e não só na História de Portugal).
Afixado por: Sandra em fevereiro 10, 2004 06:22 PMPor várias vezes tenho verificado que Aristides de Sousa Mendes é denominado o "Schindler português". Não entendo porquê, a não ser que seja a memória cinéfila que funciona mais do a verdade histórica e científica. Se não fosse ter sido feito em 1993 um filme sobre Oskar Schindler quem mais se lembraria dele?
Como as coisas não acontecem de trás para a frente, vamos a factos, porque a História é uma sucessão de factos no tempo e ninguém tem dúvida disso:
1 - Os factos relacionados com Aristides de Sousa Mendes ocorreram entre 1939 e 1940, quando milhares de judeus recorreram aos serviços do Consulado de Portugal em Bordéus para obter visto de entrada em Portugal.
2 - Os factos relacionados com Oskar Schindler ocorreram entre 1940 e 1944 e situam-se na Polónia ocupada pela Alemanha. Durante este período Oskar Schindler obteve dos ocupantes a permissão para ter uma fábrica com trabalhadores judeus seleccionados nos campos de concentração.
3 - Aristides de Sousa Mendes incorreu no seu acto em desobediência com as indicações dadas pelo Governo português. Por isso foi expulso do serviço diplomático e só foi reintegrado, postumamente, depois de 1974. Com o seu acto, embora não se conheça com rigor quantos vistos foram passados, calcula-se em cerca de 25000 o número de pessoas, completamente desconhecidas para ele, que escaparam aos campos de concentração devido à acção do «Cônsul injustiçado»
4 - Oskar Schindler usou na «sua» fábrica da Polónia, sem qualquer remuneração, judeus de várias nacionalidades durante cinco anos, se bem que não tenha havido queixas de exploração. Quando os Aliados se aproximavam do local onde se situava a fábrica, Schindler elaborou as tão celebradas listas (são duas e não uma) como forma de beneficiar da bondade dos Aliados. Nas listas constam 1200 nomes de pessoas com quem Schindler privou de perto.
Como facilmente se observa, as diferenças são enormes e chamar a Aristides de Sousa Mendes o "Schindler português" é, na minha opinião, um erro crasso e até mesmo uma afronta. Em primeiro lugar, porque os factos passados com Aristides de Sousa Mendes ocorreram quando a II Guerra Mundial mal tinha começado, em condições absolutamente incríveis, logo muito anteriores aos de Schindler. E depois à questão dos números, que são abissais.
Nestas coisas de apelidar as pessoas com atributos de outros, convém lembrar que antes de se saber da existência de Oskar Schindler, Aristides de Sousa Mendes era conhecido como o «Wallenberg português», cuja designação provinha da acção do sueco Raoul Wallenberg, em tudo muito semelhante à de Aristides de Sousa Mendes, na Legação Sueca em Budapeste em 1944.
Sendo certo que o caso de Aristides de Sousa Mendes é muito mais antigo do que o dos outros, a nenhum deles vi ou ouvi chamar o "Aristides de Sousa Mendes alemão" ou o "Aristides de Sousa Mendes sueco". Porque será?
Ficam aqui alguns «links» que podem ter interesse nesta matéria:
Aristides de Sousa Mendes
http://www.iie.min-edu.pt/sousa-mendes/
http://www.us-israel.org/jsource/biography/Mendes.html
Oskar Schindler
http://www.us-israel.org/jsource/biography/schindler.html
http://www.us-israel.org/jsource/Holocaust/Schindlerslist.html
http://www.oskarschindler.com/
Raoul Wallenberg
http://www.raoul-wallenberg.org.ar/
http://www.us-israel.org/jsource/biography/wallenberg.html
Não posso, caro Jorge, deixar de reconhecer, como muitíssimo positivos os contributos aqui deixados. Sem dúvida que a atribuição de epítetos ou o estabelecimento de comparações/equivalências em História pode ser deveras arriscado, pela generalidade das referências (aqui, específicas) que deixou. No caso de Aristides Sousa Mendes a tentação é efectivamente enorme, fazendo-se equivalências, sem qualquer dúvida, muito influênciadas pelo cinema. Verifica-se isso, eventualmente, por uma questão de registo urgente na memória das pessoas, até então não suficientemente verificado. Verifica-se, eventualmente, por questões de facilidade de absorção e retenção de ideias. Claro que as falhas emergem logo a partir desse tipo de raciocínio. E ainda mais quando um discurso científico se impõe.
Julgo que muita da utilização contemporânea de figuras históricas resulta de enormes necessidades de legitimação (do quê?), de enormes necessidades de fazer engrandecer (por quê?), de enormes necessidades de, no contexto da história de "regimes" vencedores, se fazer sobressair para diminuir, desvalorizar ou despreciar o que, noutros contextos, se impunha. Há ainda muito o mito do "herói".
Aristides Sousa Mendes/Schindler não estão para além destes cenários. Antes pelo contrário. São figuras que o provam, inequivocamente.
O título por mim utilizado neste post não está, como se pode constatar, isento, de um fazer sobressair, que se pretende. Bom..., no entanto, não posso deixar de pensar que quem lê e pesquisa não sabe (posteriormente) diferenciar e ver onde caminhos se aproximam ou afastam, definitivamente. Não posso deixar de pensar que um registo não seja dissecado e entendido como "bandeira" de uma ideia. E esse foi, de facto, o objectivo. E essa foi, de facto, a intenção. Creio que a capacidade de raciocínio dos leitores existe, até pela natureza/formação de muitos daqueles que a este blog se dirigem. Para a existência de outros, sem dúvida que o contributo aqui deixado, foi de grande valia, pela cuidada explicitação.
Obrigada pela colaboração.
Seria também importante saber as consequências da perseguição sofrida por Aristides Sousa Mendes nos restantes membros da sua família. É que não só ele foi perseguido como muitos dos seus famíliares que acabaram por ter que emigrar. Conheci alguns membros da sua família mais directa e as consequências são visíveis.
Afixado por: GIN em junho 26, 2004 11:14 PMsex archive
Afixado por: archive-sex em julho 28, 2004 05:25 AMna minha opiniao, devia haver mais homens como ele neste mundo...