novembro 15, 2003

A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA EM ÁFRICA: cronologia relativa ao primeiro semestre do ano de 1975

Continuando a dar sequência à cronologia sobre a descolonização portuguesa em África que temos vindo a apresentar, registamos agora aquela relativa aos meses de Janeiro-Junho de 1975.

A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA EM ÁFRICA

ANO DE 1975
(1º SEMESTRE)

4 de Janeiro
Acordo entre a FNLA e o MPLA em Mombaça. Portugal congratula-se pelo êxito da reunião de Mombaça. A reconciliação dos movimentos angolanos (FNLA e MPLA) abre perspectivas favoráveis ao encontro que vão realizar com o Governo português.

5 de Janeiro
Cimeira de Mombaça. FNLA, MPLA e UNITA acordam numa plataforma comum para negociarem com Portugal o acesso à independência de Angola. Um exército angolano constituído pelos movimentos de libertação estipula o acordo tripartido de Mombaça.

10 de Janeiro
Boa vontade sem restrições na cimeira sobre Angola, que começa na Penina, com a inauguração da reunião pelo presidente da República.

Encontram-se no Algarve quatro delegações, do MPLA, da FNLA e da UNITA, e ainda a delegação portuguesa, num total de 59 elementos.

Vasco Cabral chega a Lisboa para estudar aspectos da cooperação de Portugal com a Guiné-Bissau.

13 de Janeiro
Acordo na Penina sobre a distribuição das pastas ministeriais no Governo de Angola.

A FLEC pretende negociar com Portugal a separação de Cabinda e rejeita qualquer tentativa de ligação de Cabinda a Angola.

15 de Janeiro
O acordo assinado no Algarve (Alvor) entre Portugal e Angola confirma a independência para 11 de Novembro e garante o respeito pelos interesses legítimos dos portugueses residentes em Angola, os quais poderão requerer a nacionalidade angolana. O Governo de Transição de Angola vai ter presidência rotativa de representantes dos três movimentos.

16 de Janeiro
É assinado na Penina um anexo sobre assuntos militares ao acordo luso-angolano.

24 de Janeiro
Em Angola, tropas portuguese e do MPLA impedem a entrada no Luso de forças fiéis a Daniel Chipenda.

25 de Janeiro
A FNLA faz distribuições na Emissora Oficial de Angola; é raptado o jornalista António Cardoso.

26 de Janeiro
Após os distúrbios provocados pela FNLA na Emissora Oficial de Angola, o MPLA denuncia o propósito da reacção de instaurar no país um clima de guerra civil.

28 de Janeiro
Toma posse o alto-comissário para Angola, general Silva Cardoso.

31 de Janeiro
Em Luanda toma posse o Governo de Transição, com Vasco Vieira de Almeida, Joaquim Antunes da Cunha e Manuel Resende de Oliveira assumindo as pastas da Economia, dos Transportes, Comunicações e Obras Públicas e da Habitação e Urbanismo como representantes de Portugal.

13 de Fevereiro
Forças do MPLA e de Chipenda combatem em Luanda. Dos incidentes resultam baixas para ambas as partes.

17 de Fevereiro
A UNITA manifesta a disposição de aceitar nas suas fileiras a facção de Daniel Chipenda.

2 de Março
Cahora Bassa: acordo de base entre Portugal e a FRELIMO, tendo em conta o estudo e a enunciação dos princípios necessários à criação e funcionamento da entidade que há-de explorar o empreendimento.

4 de Março
É criada a Comissão Eleitoral Territorial de Angola.

6 de Março
São expulsos de Angola 12 jornalistas e é suspensa a revista Notícia, que o Governo acusa de agressão ideológica.

26 de Março
É imposto o recolher obrigatório em Luanda, onde provocadores tentam criar uma situação de ruptura entre o MPLA e a FNLA.

28 de Março
Anuncia-se que vai ser criada em Luanda uma força militar mista com 500 militares de cada movimento e do comando português, em resultado de um acordo assinado em Angola. Os efectivos excedentes serão aquartelados fora da capital.

30 de Março
É levantado em Luanda o recolher obrigatório.

O ministro Melo Antunes encontra-se na Tanzânia para travar conversações com a FRELIMO sobre os entendimentos finais relativamente à independência de Moçambique.

9 de Abril
Regresso à paz em Angola, com um acordo firmado em Luanda entre os chefes dos movimentos de libertação para pôr fim imediato às hostilidades.

11 de Abril
A cidade do Luso regressou à calma após a ocorrência de graves incidentes entre as forças da FNLA e do MPLA que causaram um morto e vários feridos.

15 de Abril
Em "espírito de mútua compreensão e efectiva solidariedade", oito protocolos de acordo entre Portugal e a FRELIMO são assinados em Lourenço Marques.

30 de Abril
Tiroteio em Luanda entre os movimentos de libertação rivais causa 28 mortos e 25 feridos; é imposto o recolher obrigatório. Um navio jugoslavo é impedido de descarregar armas destinadas ao MPLA.

2 de Maio
Mais de 200 mortos e algumas centenas de feridos, é o balanço do último surto de violência nos subúrbios de Luanda, o Alto-Comissário e os responsáveis pelos movimentos de libertação fizeram um apelo à calma e mandaram recolher aos quartéis todos os militares da FAPLA e do FNLA que foram manejados por agitadores.

8 de Maio
O alto-comissário de Angola acusa os movimentos de libertação de violarem os acordos de Alvor.

12 de Maio
Luta entre o MPLA e a FNLA. Os incidentes em Luanda alastram à região de Nova Lisboa, provocando várias vítimas.

13 de Maio
Melo Antunes chega a Luanda para retomar contactos com os movimentos de libertação.

Desalojados de Angola chegam a Lisboa, com opiniões desencontradas sobre os culpados dos incidentes que têm perturbado o território.

2 de Junho
Continua muito tensa a situação no Norte de Angola, com notícia de novos combates na capital do distrito do Uíje.

6 de Junho
Assustador aumento da violência em Angola: combate-se abertamente em algumas ruas de Luanda, onde é imposto o recolher obrigatório. Registam-se mais de 30 mortos e 80 feridos entre a população civil e baixas nas tropas portuguesas e nos movimentos de libertação.

11 de Junho
Portugal e a Guiné-Bissau assinam um acordo de cooperação e amizade.

Decorre em Lourenço Marques a última fase de negociações entre Portugal e a FRELIMO. O Governo de Transição toma medidas especiais em relação a jornalistas estrangeiros e turistas.

25 de Junho
Moçambique torna-se independente e livre, com o apoio e amizade de Portugal. O içar de uma nova bandeira põe fim a 500 anos de colonialismo.

Samora Machel toma posse como primeiro presidente da República Popular de Moçambique.

Publicado por sandra em novembro 15, 2003 11:09 AM
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