novembro 16, 2003

OS 13 ANOS DE GUERRA EM ÁFRICA: 1961

Na sequência dos propósitos apresentados em post de ontem, editamos alguns dos principais acontecimentos registados por José Freire Antunes para o primeiro trimestre de 1961, ano em que começou o conflito nas colónias africanas.
Angola é, pois, o início.
Em toda a cronologia (a agora apresentada e a restante), muito vincado o cenário das relações internacionais, particularmente o contexto de Guerra Fria e as posições demonstradas pelas superpotências relativamente aos países do denominado Terceiro Mundo.

VERTIGEM DA HISTÓRIA: 13 ANOS TREPIDANTES

1961
(1º TRIMESTRE)

Janeiro 4-24
Prelúdio ao inferno. Na Baixa do Cassange, em Angola, negros fazem greve nas plantações algodoeiras e lançam a Guerra de Maria, assim chamada por um dos seus inspiradores ter sido António Mariano, próximo da União das Populações de Angola (UPA). Queimam sementes, destroem pontes fluviais, missões católicas, lojas e casas de brancos, louvam Patrice Lumumba, líder revolucionário do Congo, e clamam pela independência de Angola. As Forças Armadas esmagam a revolta com companhias de caçadores especiais e bombas incendiárias lançadas de aviões. Um responsável da Força Aérea diz ao embaixador americano em Lisboa, C. Burke Elbrick, que a violência tem origem na exploração dos nativos pela Cotonang, firma algodoeira luso-belga. O turbilhão na Baixa do Cassange é omitido da opinião pública. O esforço militar português orienta-se desde 1959 para África e retém lições da Argélia, onde a França enfrenta a subversão nacionalista, com meio milhão de soldados, mas os preparativos de defesa continuam em lume brando.

Janeiro 6
Os russos espalham a sua influência em África através da rede do KGB e Nikita Khruschev impulsiona a todo o vapor o expansionismo no Terceiro Mundo. Proclama, numa intervenção muito publicitada, o apoio às guerras de libertação nacional em África e na Ásia, que rotula de justas e sagradas. É uma antecipação á posse de John F. Kennedy como presidente dos Estados Unidos e um sinal de exacerbamento da competição entre as duas superpotências, já patente na sangrenta guerra civil do Congo, às portas de Angola. Os grupos rebeldes angolanos reflectem a complexidade sociológica do território e estão separados por incompatibilidades étnicas e objectivos políticos inconcertáveis. A UPA, criada em 1957, em Léopoldville, por membros da tribo bacongo, difunde o revivalismo do antigo Reino do Congo e está ligada aos Estados Unidos. O seu líder, Holden Roberto, é um anticomunista e rejeita as ofertas de auxílio do KGB. O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) existe desde 1956, tem raízes urbanas, deriva do fugaz Partido Comunista de Angola e recebe ajuda de Moscovo. Mário de Andrade, Agostinho Neto e Viriato da Cruz são as duas principais figuras. A Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, foi durante a década de cinquenta uma incubadora de quadros do MPLA.

Janeiro 20
Kennedy (...), entra na Casa Branca. Está convicto de que o nacionalismo é o fenómeno mais importante do pós-guerra e quer oferecer aos povos do Terceiro Mundo uma alternativa ao comunismo. Salazar tinha reagido com preocupação á sua vitória sobre o Republicano Richard Nixon. (...)
Holden Roberto prepara a luta armada e é um dos africanos cativados por Kennedy, com quem se encontra em 1959: "Estive duas horas a explicar a Kennedy o sentido da nossa luta em Angola. Ele disse-me que os Estados Unidos tinham uma tradição anticolonial e não podiam continuar a apoiar o regime de escravatura em Angola.Concordámos que era preciso fazer alguma coisa para evitar que os comunistas tomassem conta do movimento de libertação de Angola". (...)
A CIA disputa influências ao KGB em África e os missionários americanos são uma fonte de penetração da ideologia independentista. Começa a turbulência nas relações até aí tranquilas entre Portugal e os Estados Unidos. O drama bilateral prolonga-se durante os 1000 dias da Administração Kennedy.

Fevereiro 4-5
Centenas de negros atacam a Casa de Reclusão Militar e as cadeias civis de Luanda, com o objectivo falhado de libertarem presos políticos. Nos confrontos morrem quarenta assaltantes e sete polícias. O Governo vê-se forçado a emitir um aviso contra os esforços dos brancos para fazerem justiça pelas próprias mãos. A partir de Conackry, o MPLA reclama o 4 de Fevereiro como o início da luta armada em Angola. (...)
Durante o funeral dos polícias, grupos civis armados fazem batidas aos muceques na periferia de Luanda e deixam incontáveis vítimas. (...) Uma combustão de violência e de pânico convulsiona Luanda. A mitologia da coexistência racial e da harmonia social- trave mestra da política africana de Portugal- sofre um abalo de credebilidade. (...)

Fevereiro 10
Novos tumultos na Cadeia de São Paulo, em Luanda, redundam em sete mortos e dezassete feridos. As milícias brancas repetem as batidas aos muceques: novos massacres e mais vítimas inquantificáveis.

Março 6
Botelho Moniz (Ministro da Defesa) e Elbrick encontram-se durante três horas. Na maior da confidências, o embaixador diz ter recebido instruções do secretário de Estado, Dean Rusk, para pressionar Salazar a aceitar o princípio da autodeterminação em África. Botelho Moniz defende uma remodelação que dilate a base social do Governo, de forma a incluir elementos não comunistas da oposição, e a autonomia ultramarina no quadro de uma relação de "tipo Commonwealth". Introduz assim no imaginário político português uma perdurável e falhada projecção: a comunidade transcontinental, de inspiração britânica, que durante treze anos inspirou personalidades como Marcello Caetano e António de Spínola.

Março 7
Elbrick transmite a Salazar o documento enviado por Rusk, a mando de Kennedy. Os Estados Unidos prevêem convulsões graves em Angola, do tipo das do Congo ou piores, e vão votar contra Portugal em 15 de Março. Sentem que faltariam ao seu dever, como aliados na NATO, se não pedissem a Portugal a realização de reformas graduais em África, no sentido da "autodeterminação dentro de um prazo realista". (...) Salazar recusa a proposta de Washington para que Portugal acerte o passo com a comunidade internacional e, ao fazê-lo, assume a solidão num mundo hostil.

Março 15-18
[No Conselho de Segurança das Nações Unidas] (...) os Estados Unidos, numa inversão da política da Administração Eisenhower, votam pela primeira vez contra Portugal ao lado da União Soviética.
De madrugada, na Fazenda Primavera, perto de São Salvador, grupos de bacongos, empunhando catanas e canhangulos e julgando-se imunes às balas dos brancos, lançam uma ofensiva contra propriedades e povoações na zona de fronteira com o Congo, na Baixa do Cassange, até às cercanias de Vila Carmona. O Norte de Angola é avassalado por uma onda de brutalidade tribal: assassínios em massa, incêndios, destruições e rapina de haveres, violação de mulheres e crianças. Os tumultos espalham-se às plantações de café isoladas, aos postos de abastecimento, às vias de transporte. Esse terror apocalíptico lançado pela UPA tem por objectivo arrasar o sistema vital das comunidades brancas. (...)
Richard Beeston, do Daily Telegraph, único repórter estrangeiro a viajar pelas áreas da violência depois do 15 de Março, conta a um diplomata americano em Londres que oitocentos portugueses, entre uma população de dez mil, foram massacrados em três dias. "Os rebeldes não estavam bem armados e, antes de lançarem a sua ofensiva, pareciam ter uma fraca organização. Foram convencidos por feiticeiros de que podiam matar os portugueses sem perigo para eles próprios e que as terras e propriedades dos brancos ficariam para eles." Muitos fazendeiros empreendem a fuga do inferno, chegam a Luanda e partem daí para Portugal. Mas outros juntam-se para defender o que é seu pelo trabalho, pegam em armas e formam milícias. Sem surpresa, a contra-ofensiva faz depradações semelhantes às dos bacongos e por todo o Norte vulgarizam-se cenas de horror e crueldade. (...)

Março 22
Concentração de tropas no Norte de Angola. A Força Aérea bombardeia povoações nos distritos do Congo, Cuanza Norte e Malanje. O ministro do Ultramar, almirante Lopes Alves, parte para Angola. Mais de três mil e quinhentos colonos são evacuados por ponte aérea. Em Luanda, cerca de quatrocentos brancos cercam e isolam o consulado americano e atiram às águas da baía o carro do cônsul William Gibson. A inspiração americana da revolta da UPA é indisfarçável. (...) Henry Kissinger, secretário de Estado, confirmou mais tarde o apoio a Holden Roberto. (...)

Março 23
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprova uma proposta de quarenta países para debater Angola. O embaixador Vasco Garin e o resto da delegação portuguesa retiram-se aparatosamente, como relata Franco Nogueira: "Abandonamos em grande estilo a sala da Assembleia Geral das Nações Unidas. Um erro- para satisfazer a opinião pública."

Março 28
Salazar e Botelho Moniz discutem a situação. O ministro expõe a necessidade de uma mudança urgente que garanta a solidariedade dos Estados Unidos. Não se trata de abamdonar África, segundo ele, mas de subtrair Portugal ao isolamento da comunidade internacional. (...)

Março 28-31
O ministro Lopes Alves está em Luanda investido de plena autoridade legislativa, um compromisso entre o centralismo de Lisboa e a exigência branca de que o ministro do Ultramar resida em Angola. É formado o Corpo de Voluntários nos territórios ultramarinos. São presos e deportados para Portugal nove padres angolanos, entre os quais o cónego Manuel Mendes das Neves. A PIDE está activa em Angola desde 1957.

Março 30
Franco Nogueira, director-geral dos Negócios Políticos do MNE (...), diz a Elbrick que a nova política dos Estados Unidos pode provocar uma viragem pró-comunista na Península Ibérica. Insiste o embaixador nas sugestões feitas a Salazar em nome de Kennedy. Franco Nogueira diz que elas são inaceitáveis.

Publicado por sandra em novembro 16, 2003 11:42 AM
Comentários

BATALHAO DE CAÇADORES N.º 2832
ANGOLA
FOI LOUVADO PORQUE"pela sua brilhante conduta debaixo de fogoquuando no dia 5 de setembro de 1968 a força em que seguida como apontador de metralhadora, foi violentamente emboscada e o inimigo tirando partido da surpresa superioridade numerica e valiosa armamento, consegui logo de início provocar numerosos baixas às nossas tropas, ficando estas reduzidas a menos de metade. Verificando que o inimigo tentava o envolvimento e o assalto à rectaguarda da coluna a coberto do capim e, ousadamente se aproximava em grande número, desceu da viatura, esperou calmamente que aqule se aproximasse até cerca de 10 metros e lançou então uma série de granadas de mão, que pôs em fuga desordenada e gritando, numa altura e que julgava já não encontrar resistência. Subindo então ràpidamente para a sua viatura, apesar do fogo adverso feito de outras posições, bateu o inimigo em fuga com o fogo da sua metrelhadora, provocando-lhe numerosas baixas e coordenou localmente a acção dos seus camaradas, evitando assim a sua captura ou destruiçao. Com esta sua heróica actuação, decisiva para o desenrolar da acção, com o seu exemplo, com as suas qualidades natas de direcção e iniciativa, alividas a uma valentia, rara abnegaçao, serenidade debaixo de fogoe espírito de sacrifício, já anteriormente reveladas noutra emboscada, em que também teve actuação extraordinária, este militar vem-se afirmando como elemento destacado da unidade, honrado assim o seu lema de "EXCELENTE e VALOROSO" e o Exército que tao devotadamente serve".

ORDEM DO EXERCITO N.º 17-3ª. SÉRIE DE 20 DE JUNHO DE 1969.

SÓ AQUELES QUE FIZERAM MAIS DO QUE O NORMAL E BEM MERECERAM DA PÁTRIA ESPERO QUE NA SUA FUTURA VIDA HOREM ESTE CITAÇÃO.

ESTE SENHOR TAMBÉM, TEVE A MEDALHA DE VALOR MILITAR COM PALMA, COMO TAMBÉM FOI LOUVADO, PELA MEDALHA A CRUZ DE GUERA DE 1ª CLASSE, E A MEDALHA DE CRUZ DE GUERRA DE 2ª CLASSE.

Afixado por: NINJA em junho 23, 2004 03:14 PM