novembro 23, 2003

A PERDA DA ÍNDIA PORTUGUESA 3: erro clamoroso de Salazar

Fase seguinte: da ofensiva diplomática à ofensiva militar por parte da União Indiana. Após aquilo que entendeu ser o máximo esforço diplomático, Nehru ordena a invasão de Goa, Damão e Diu. As tropas portuguesas não oferecem resistência (ou aquela esperada por Salazar) e os territórios são perdidos.

A PERDA DE GOA, DAMÃO E DIU

"Estávamos em 1960.
O momento da verdade, relativamente às colónias portuguesas, aproximava-se. Não tardaria que o primeiro ministro da União Indiana, Pandita Nehru, no seguimento do mandato que os "não alinhados" lhe conferiram em Bandung, desencadeasse a ofensiva, primeiro diplomática, depois militar, sobre Goa, Damão e Diu, ofensiva essa que acabaria por levar à integração dos territórios portugueses na União Indiana.
Aceitemos, para facilitar mas não por concordar, que nessa primeira fase, Oliveira Salazar tivesse procurado resistir- diplomaticamente- à pressão exercida por Nehru, embora os dados de que já dispunha fossem suficientes para lhe permitirem divisar as dificuldades insuperáveis que se avizinhavam.
A "presciência dos acontecimentos"- tão cara a Raymond Aron- era mais do que evidente, não sendo necessária uma inteligência de tão elevado nível, como a de Salazar, para ser detectada.
Salazar começa por travar, com Pandita Nehru, primeiro-ministro da União Indiana, um interessantes e notável duelo diplomático de que (aparentemente) sai vencedor. Mas ganhar uma ou mais "batalhas" não significava vencer a guerra.
Baseado no proclamado pacifismo do adversário, Salazar "joga tudo" nessa cartada: Nehru jamais anexaria pela força os territórios que Portugal detinha no Indostão. Erro clamoroso.
Em solidariedade com os "movimentos de libertação", prestes a desencadear a guerra em Angola, em Moçambique e na Guiné, Nehru "manda às malvas" o seu apregoado pacifismo, ordenando a invasão dos territórios portugueses. Convencido de que é indispensável dar ao mundo a certeza de que Portugal está disposto a combater até onde lhe seja humanamente possível na defesa intransigente daquilo que considera ser a integridade territorial portuguesa, Salazar ordena que a guarnição sediada em Goa ofereça resistência militar até ao "sacrifício total", do mesmo passo que sugeria ao general comandante que se imolasse, gesto simbólico digno de memória de outras portugueses "libertados pela lei da morte" através da heroicidade das respectivas condutas.
Salazar não é obedecido. A guarnição militar entrega-se praticamente sem disparar um tiro. O general regressa a Lisboa, são e salvo, embora humilhado e comprometido. Novo contratempo. O mundo interroga-se sobre a disponibilidade portuguesa de lutar pela preservação do Império... Um autêntico fracasso. Dos mais dolorosos da nossa História.
Que irá acontecer?"

(p. 50)

Publicado por sandra em novembro 23, 2003 11:51 AM
Comentários

todas as colónias se perdem... é o curso inalterável da história, na incessante quimera da liberdade...

eu, apesar de português... compreendo essa busca... preferia estar morto a não ser livre...

Afixado por: D Quixote em novembro 23, 2003 02:51 PM