novembro 25, 2003

ESPECIFICIDADES INERENTES AOS MOVIMENTOS NACIONALISTAS ANGOLANOS: apresentação de situações

Na sequência da edição do texto de Fernando Andresen Guimarães relativo aos movimentos nacionalistas angolanos no exílio, apresentamos agora aquelas que são as duas "caixas" que a ele se encontram anexas. São elas:

- O "incidente Ferreira": concretiza uma situação onde a rivalidade entre UPA/FNLA e MPLA é uma evidência.

- Savimbi no exílio: faz a sintese do percurso político desde os tempos em que pertencia à UPA/FNLA até à criação da UNITA em 1966. Registo da morte em Fevereiro de 2002.

OS MOVIMENTOS NACIONALISTAS ANGOLANOS NO EXÍLIO

O "incidente Ferreira"

"Em finais de 1961, um grupo armado de cerca de 20 elementos, chefiado por Tomás Ferreira, foi enviado pelo MPLA para o interior de Angola com vista a reforçar grupos da resistência no Dembos com quem tinham ligações. Ferreira e seus homens foram alegadamente interceptados por unidades da UPA/FNLA e subsequentemente detidos e eliminados. Quando acusados do massacre, um dirigente da UPA, Rosário Neto, negou que o incidente tivesse ocorrido, mas acrescentou com condescendência que não tinha sido inteligente da parte do MPLA enviar homens para uma zona de guerra sem ter informado a UPA. Tipicamente, a UPA sublinhava o facto de ter acesso privilegiado ao território angolano e considerava publicamente a guerra anticolonial em Angola como sendo exclusivamente do seu domínio.
Mais tarde veio a ser revelado, todavia, que Rosário Neto desconhecia que, de facto, a UPA tinha interceptado e eliminado o grupo Ferreira, sob ordens directas de Holden Roberto. (Marcos Cassanga, dirigente da ala militar da UPA, ao abandonar o movimento em 3 de Março de 1962, acusou Holden Roberto de ter dado ordens aos seus grupos armados para exterminar quaisquer unidades do MPLA que fossem encontradas em território angolano)".

(p. 37)

Savimbi no exílio

"Jonas Savimbi, que começou a sua carreira de nacionalista angolano na FNLA e que pegou no estandarte da cruzada anti-MPLA após a derrota da FNLA em 1976, também foi influenciado pela rivalidade que se estabeleceu nos anos do exílio, particularmente em Leopoldville a partir de 1962.
Foi nomeado Secretário-Geral da UPA em Fevereiro de 1961, apenas um mês antes dos ataques devastadores que aquele movimento desencadeou no norte de Angola a partir de 15 de Março. Apesar dos ataques terem vitimado, para além de portugueses e mestiços, trabalhadores ovimbundu, seus congéneres, Savimbi disse considerar mais importante o facto de que, com estas acções, se ter iniciado dentro de Angola a revolta contra o colonialismo.
Quando a UPA se dissolve na FNLA, Savimbi passa para "Ministro do Exterior" do chamado Governo Revolucionário de Angola no Exílio, que, em 1963, passou a ser oficialmente, aos olhos da Organização de Unidade Africana, o único legítimo movimento nacionalista angolano. Mas, no ano seguinte, em 1964, tensões com Holden Roberto e talvez o seu desígnio de ser líder do seu próprio movimento, levou-o a abandonar a FNLA e partir para uma travessia do deserto que acaba com o estabelecimento da UNITA em 1966. Cria-se assim a terceira vertente da guerra civil angolana, uma que acabou por ser muito mais resistente do que a FNLA na oposição ao MPLA e na procura do poder em Angola, pelo menos até ao dia 22 de Fevereiro de 2002, dia em que Jonas Savimbi é morto".

(p. 39)

Publicado por sandra em novembro 25, 2003 09:58 PM
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