novembro 27, 2003

A HERANÇA DE ESTALINE: Estaline e a pátria soviética

Estaline tinha uma ideia definida para a URSS e para o Mundo. Essa ideia seria consubstanciada num conjunto de políticas que teriam que conduzir à sua efectivação.
Antes e depois da II Guerra Mundial haviam caminhos claros a serem percorridos. E subordinações que tinham que ser conduzidas. E imagens que tinham que ser construídas e consolidadas.
É, pois, sobre tudo isto que João Madeira continuará a escrever.

JOSÉ ESTALINE MORREU HÁ 50 ANOS

"A estratégia antifascista e de criação de frentes populares constituíram um poderoso anel internacional em defesa da União Soviética na conjuntura de erupção agressiva dos fascismos de entre guerras.
Sobre a concepção prevalecente de "socialismo num só país", essa estratégia subordinava a concepção de internacionalismo proletário e a própria luta antifascista à defesa dos interesses da URSS naquele instável contexto internacional, como a posição soviética face à guerra civil de Espanha evidenciaria.
Ao mesmo tempo, no interior da União Soviética, decorria uma extraordinária avalanche repressiva em 1936-38 que visou desde as oposições internas aos quadros frágeis e incompetentes da burocracia estatal-partidária, estendendo-se aos cidadãos suspeitos. A velha guarda bolchevique, os seus companheiros de revolução, seriam eliminados em grandes processos colectivos. Nesses três anos, mais de um milhão de pessoas teriam sido presas, das quais metade teria sido executada e quatro milhões teriam sido forçados a penosas deportações e fixações forçadas, ao mesmo tempo que se procedeu a uma depuração quase total das médias e altas patentes das forças armadas.
A assinatura do Pacto Germano-Soviético em 1939, se interrompe a estratégia antifascista, desvalorizando objectivamente a função do Komintern que havia aprovado essa linha política no último congresso realizado, faz no entanto emergir ainda com mais clareza o nacionalismo como marca do pensamento estaliniano, exigindo um reforço dos laços de dependência da Internacional, que se tornava cada vez mais uma espécie de apêndice do aparelho burocrático estatal soviético.
Do mesmo modo, com a invasão da URSS pelas divisões nazis, se as frentes populares deslizam para frentes nacionais, mais abrangentes do ponto de vista social e político, não deixam, por isso, de configurar suportes fundamentais de uma estratégia de defesa nacional que, sob pesados e heróicos sacrifícios do povo russo, levariam ao recuo alemão, abririam caminho à inversão do curso da guerra e à derrota do bloco nazi-fascista.
Suscitando ampla admiração em vastos sectores sociais dos países aliados, pela resistência e pela contribuição decisiva para a Vitória de 1945, Estaline trataria de delinear desde a Conferência de Teerão, em 1943, com Churchill e Roosevelt a divisão do mundo em áreas de influência, que evoluiria rapidamente com o final da guerra para uma lógica bipolar que viria a caracterizar duradouramente o mundo.
Essa lógica, do ponto de vista soviético e irradiando para todo o movimento comunista internacional, apoiado em poderosas organizações periféricas como o Conselho Mundial da Paz, evoluiria da consigna de luta contra a guerra, propagandeada num primeiro momento em torno da agressão mais ou menos eminente à URSS e da ameaça de terceira guerra mundial, para a luta pela paz, em torno da ideia de que a possibilidade de guerra passara a radicar nas contradições interimperialistas, às quais se opunha o conceito de coexistência pacífica, consubstanciado através de um reclamado Pacto entre as Quatro Grandes Potências.
Nesta linha, a imagem de Estaline seria depois da guerra como que vincada e remoçada de modo a surgir internacionalmente como "porta-bandeira da Paz no mundo" ou como "Pai dos povos".
Porém, a importância da questão nacional está já bem patente desde os seus primeiros escritos. O Marxismo e a Questão Nacional, de 1912-13, constitui, instado por Lenine, o seu contributo teórico para o programa bolchevique.
O entronsamento da ideia nacional com a mão de ferro contra os inimigos da pátria explicará a sua preferência, para fundar historicamente a legitimidade da grande nação russa, na figura hagiográfica de Ivan, O Terrível, alimentada pela conjuntura de guerra, tanto na cinematografia de Eisenstein como nos próprios cartazes de propaganda.
Segundo o diário de Dimitrov, citado por António Elorza, pelas comemorações do 20º aniversário da Revolução de Outubro, num almoço restrito à elite soviética, Estaline teria brindado:
"Exterminaremos esse inimigo mesmo que seja um velho bolchevique, exterminá-lo-emos a ele e à sua estirpe, toda a sua família. Impiedosamente vamos exterminar todos aqueles que pelos seus actos e pelos seus pensamentos (sim, também pelos seus pensamentos) ataquem a unidade do estado socialista. Pelo extermínio total de todos os inimigos, deles e dos seus descendentes".
As implicações deste veio profundo repercutir-se-iam ainda sobre o movimento comunista internacional, submetendo-o aos desígnios da política externa soviética, que passava pela escrupulosa manutenção de áreas de equilíbrio geo-estratégico, obrigando os partidos nacionais, particularmente na Europa liberal, a abdicarem de uma estratégia insurreccional e a integrarem-se num jogo político que aparentemente se baseava no respeito pelos mecanismos funcionais das democracias, de que Estaline estruturalmente desdenhava".

(p. 39-41. Sublinhado nosso).

Publicado por sandra em novembro 27, 2003 06:18 PM
Comentários

gostei deste historial muito mais porque tenho este nome por isso e muito importante para mim saber mais sobre esse grande homem.se podessem dar mais informacoes sobre a vida toda dele seria muito util.

Afixado por: Estaline Machohe em fevereiro 10, 2004 10:41 AM

oh meu amigo...! francamente! "Grande homem"? Grande merda,que envergonha os partidos comunistas de todo o mundo! Leia o que fez este animal a quase 2 milhões de cidadãos...

Afixado por: anti-comunista em abril 7, 2004 12:01 AM

Como é que alguem pode admirar este grande animal e assassino que foi Estaline. Estes comunas são um pagode, falam de liberdade e democracia mas no fundo o que admiram é a sua atintese, Castro, Guevara, Lenin, Estaline...
Felizmente que o comunismo acabou e esta bem enterrado. Depois, temos a ignorancia e alguma estu...ingenuidade de pessoas que mesmo depois de lerem factos históricos sobre o maior assassino em massa da história da humanidade dizem "Grande Homem". A burrice devia pagar imposto neste pais, talvez, com os milhoes que receberiamos , estivessemos muito melhor.

Afixado por: AOS em abril 9, 2004 08:08 PM

nao eh estaline
eh Stálin ¬¬

Afixado por: eu em abril 24, 2004 10:56 PM

Eu queria fazer uma biografia mas, o site não transmite as informações necessárias para se poder realizar o trabalho. Por estas e outras razões deveriam melhorar o site. É só uma opinião.

Afixado por: Silvie em maio 11, 2004 09:46 AM

Eu queria fazer uma biografia mas, o site não transmite as informações necessárias para se poder realizar o trabalho. Por estas e outras razões deveriam melhorar o site. É só uma opinião.

Afixado por: Silvie em maio 11, 2004 09:46 AM

Dois milhões? leiam o "Arquipélago Gulag" e aí ficarão a saber por alto quantos Kulaks e opositores ao regime foram exterminados.

Afixado por: Olavo Teixeira em maio 20, 2004 01:09 PM

Dois milhões? leiam o "Arquipélago Gulag" e aí ficarão a saber por alto quantos Kulaks e opositores ao regime foram exterminados.

Afixado por: Olavo Teixeira em maio 20, 2004 01:09 PM

Dois milhões? leiam o "Arquipélago Gulag" e aí ficarão a saber por alto quantos Kulaks e opositores ao regime foram exterminados.

Afixado por: Olavo Teixeira em maio 20, 2004 01:09 PM

Dois milhões? leiam o "Arquipélago Gulag" e aí ficarão a saber por alto quantos Kulaks e opositores ao regime foram exterminados.

Afixado por: Olavo Teixeira em maio 20, 2004 01:10 PM

Dois milhões? leiam o "Arquipélago Gulag" e aí ficarão a saber por alto quantos Kulaks e opositores ao regime foram exterminados.

Afixado por: Olavo Teixeira em maio 20, 2004 01:10 PM