Com este post iniciamos a edição do "Prefácio" do livro Servi a pátria e acreditei no regime, da autoria de António Rosa Casaco.
Como se poderá constatar, pretende o autor com estas palavras iniciais à sua obra, clarificar o que pretende com a mesma, sendo de destacar aquilo que considera dever ser a reposição da verdade histórica, até então absolutamente desvirtuada.
Sendo que são essas palavras e argumentação que pretendemos aqui dar a conhecer, iniciemos então a sua exposição.
SERVI A PÁTRIA E ACREDITEI NO REGIME
Prefácio e fragmentos da vida profissional do autor-1
"Existem por aí organizações, meios de comunicação social, partidos políticos e indivíduos isolados que, com a pretensão manifesta da procura da Verdade e respectiva divulgação, urbi et orbi, em pretensa transparência total, dedicam-se, outrossim, em ocultar a realidade sistematicamente, substituindo-a pelo que jamais existiu, servindo o seus interesses próprios, vias de regra, inconfessados e inconfessáveis. Daí a gravidade extrema de uma situação em que me vi envolvido, que emporcalhou o meu nome e o dos meus e de que, agora, tentarei apresentar a minha versão dos factos demonstrando com os meus escritos e com a apresentação de documentos oficiais e oficiosos, ou simples referências à documentação, para eventual esclarecimento do leitor e para limpar o meu nome. Não serei pomposo, ao ponto de afirmar que se trata de uma obra esclarecedora, mas apenas do meu contributo pessoal vivido para que a História, apesar de tudo, se possa fazer com o mínimo de objectividade e de justiça.
Não suporto a falsidade dos pretensos fazedores de História que escamoteando os factos perante gerações inteiras escrevem, isso sim, as suas estórias e historietas às quais se priva à partida, com evidente má-fé, todo o conhecimento veraz das suas raízes.
A falsidade acumulada no último quarto de século, relativamente ao regime derrubado em 25 de Abril de 1974 e à minha pessoa em que acabei, como toda a gente sabe, involuntária e desgraçadamente, por ser um dos símbolos desse mesmo regime, designadamente, em tudo o que de maléfico o período de Maio de 1926 à revolução dita dos "cravos" encerrou, mais do que maléfico, eu diria mesmo "satânico" e não escolhi este adjectivo por acaso. Pouco mais se fez para se defender dessa mentira repugnante e que é repetida sem cessar no bom estilo propagandístico dos comunistas e da mentira, alarve, fantasista, plausível ou, mesmo, inteligente, por mais que se desconfie, de pé atrás ou à frente, à esquerda ou à direita, alguma coisa acaba por ficar. É repugnante e degradante para os intelectuais conservadores portugueses que nada ou quase nada fizeram para desmascarar este estado de coisas durante mais de 28 anos".
(p. 11. Sublinhado nosso.)
(Cont.)
Publicado por sandra em novembro 28, 2003 09:16 PM