novembro 29, 2003

ROSA CASACO: escritos na 1ª pessoa-3

Continuamos a apresentação do prefácio da obra Servi a pátria e acreditei no regime, de António Rosa Casaco.
No excerto que agora editamos o autor dá particular atenção às interpretações históricas dos intelectuais de esquerda, onde se enquadra, obviamente, a imagem que de si dão, fazendo-as relacionar com a evolução do próprio Comunismo no mundo.

SERVI A PÁTRIA E ACREDITEI NO REGIME

Prefácio e fragmentos da vida profissional do autor- 3

"Rosa Casaco, o homem que chefiou a brigada da PIDE que matou Humberto Delgado..."
Porque não Rosa Casaco o homem que come criancinhas ao pequeno almoço?

Apesar da minha idade, tentarei avivar a memória sem mentir. Haverá certamente, aqui e além, algumas contradições, mas, desde já chamo a atenção do leitor para as minhas afirmações e até o estimulo a que as confronte com outras e, sobretudo, com os pareceres e acórdãos das autoridades judiciais e com outros documentos que igualmente reproduzo, no todo ou em parte, em anexo. As minhas afirmações poderão ser, pois, questionadas, mas nunca a documentação jurídica que define claramente a minha verdadeira situação.
Embora a Europa se tenha libertado da tirania do comunismo, com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o desmoronamento da toda poderosa União Soviética, permanece, em boa medida, sob o jugo da opressão intelectual do totalitarismo das esquerdas, nomeadamente em Portugal, e os intelectuais desta proveniência, mesmo em minoria e em vias de extinção zoológica, são incapazes de sair da comédia, da farsa em que vivem, pretendendo ocultar a tragédia de um século de horrores e crimes pelos quais nunca serão julgados em tribunal algum.
Esta é uma das principais teses que se insere num dos livros publicados por Jean-François Revel, sob o título de "La Grande Parade", ensaio analítico dedicado à nociva sobrevivência da "utopia socialista". Esta obra de Revel é uma bomba cultural, um ensaio que analisa o remanescente das elites intelectuais comunistas, simpatizantes ou de meros "companheiros de viagem", hostis a qualquer tentativa de revisão ou sequer a uma análise desapaixonada das ideias que desembocaram na experiência totalitária mais universal da História da Humanidade, com custos que se cifram, por exemplo, e sem irmos mais longe, na destruição de muitos e muitos milhões de vidas humanas.
O Muro de Berlim caiu estrondosamente mas o mesmo não se pode dizer do "mundo intelectual" da mentira totalitária. Por isso, resulta ser pertinente uma revisão da história das ideias políticas durante a última década e desmascarar a "grande farsa" de um totalitarismo intelectual que ainda aspira poder impor e dominar as consciências, o que constitui uma ameaça permanente e arriscadíssima para a causa da Liberdade.
Igualmente, a aparição do "Livro Negro do Comunismo", documentado nos arquivos do Partido Comunista da União Soviética e da KGB, causou um alvoroço moral a milhões de incrédulos e cegos pela utopia marxista... que um dia se fez Estado...e se multiplicou pelo Globo. Como revolução político-social, o comunismo foi o mais desenfreado e devastador movimento assassino do século XX, averbando o triste registo de mais de cem milhões de mortos, genocídio, aliás, reconhecido pelas suas próprias fontes".

(p. 12-13)

(Cont.)

Publicado por sandra em novembro 29, 2003 04:37 PM
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