Retomamos com este post a problemática em torno do "fenómeno Fátima", iniciando a edição do texto de Bruno Cardoso Pires- "Os primeiros cinquenta anos de Fátima", publicado na revista História de Outubro de 2000.
Neste início de abordagem o autor contextualiza a aparição no decorrer da I Guerra Mundial (1914-18) e respectivas consequências para a grande maioria da população portuguesa, regista as dúvidas e contradições nos/entre os três videntes- Jacinta, Francisco e Lúcia-, assim como salienta a existência de outras visões do mesmo tipo e seus protagonistas. Destaca a assistência à "dança do sol", ao que se acrescenta o tratamento do acontecimento por parte da imprensa de então.
Note-se: decorria o ano de 1917.
OS PRIMEIROS CINQUENTA ANOS DE FÁTIMA
[Texto introdutório]
"À luz dos inquéritos feitos no decorrer de 1917 aos videntes por vários membros do clero, parece que nem mesmo para eles a resposta foi muito clara. Jacinta e Francisco, de 7 e 9 anos, nada ou quase nada dizem, e nem mesmo Lúcia- 10 anos, a mais velha e mais segura dos videntes- parece estar certa de quem fosse a "Senhora", salvo que era do Céu. Esta ter-lhe-ia dito que na última aparição lhe revelaria a sua identidade. No entanto, depois disso, Lúcia afirmou ter dúvidas sobre se a Senora lhe disse: "façam aqui uma capelinha à Senhora do Rosário" ou façam aqui uma capelinha, eu sou a Senhora do Rosário". Esta noção difusa da identidade da aparição é reforçada por Lúcia ter afirmado que nessa data viu surgir sucessivamente a figura da Senhora das Dores (a que se refere com o nome popular de Senhora das Espadas) e a Senhora do Carmo.
Entretanto é preciso recordar a I Guerra Mundial como protagonista "oculto" de Fátima, com a crise generalizada que provoca a arrastar para dificuldades ainda maiores a maioria dos portugueses que vivem no limiar da sobrevivência. É neste quadro que surgem vários relatos de visões na imprensa, geralmente da Virgem, o tradicional recurso dos aflitos, alter-ego da mulher do patrão mais disposta à caridade, próxima do Omnipotente mas com a doçura da mulher e mãe aos pedidos do povo. Ou simplesmente para muitos crentes uma divindade mais poderosa que Deus, como afirmava Lúcia em 1917. Videntes são sempre crianças pobres do campo- inocentes, dizem os crentes; dadas a fantasias, manipuláveis e levadas a efabular, dizem os cépticos. É também nesta conjuntura que a Igreja procura organizar uma militância empenhada, culta, urbana, para combater politicamente o anticlericalismo, mas sem desprezar o filão da devoção popular, que se procura estimular e disciplinar: é o tempo das missões, do rosário. No entanto, em todos estes casos de visões, a hierarquia católica, os sacerdotes e a imprensa confessional observam e anotam com frieza e distância prudente estes fenómenos místicos. O percurso inicial de Fátima é exemplo disso. A diferença esteve no milagre do Sol e no que se lhe seguiu...
De facto, se tudo tivesse ficado pelos relatos muitas vezes confusos de três crianças talvez o sítio da Cova da Iria, um agreste pasto de ovelhas, nunca se tivesse tornado no centro mundial de enormes peregrinações que é hoje. Em Fátima houve uma manifestação da divindade diante de uma enorme multidão. Pelo menos a maioria dos que esperaram horas à chuva em 13 de Outubro na Cova da Iria junto dos três jovens pastores- uma multidão calculada entre 60 a 80.000 pessoas, o que diz bem da curiosidade pelo sagrado e da sede de milagres de então- não hesitou em aclamar como indiscutível o milagre do sol. Este astro teria "dançado", mudado de cor e ameaçado precipitar-se sobre os peregrinos. Para a maioria dos presentes era a prova desejada da presença divina. Entre os convertidos encontrava-se o jornalista céptico Avelino de Almeida, do jornal republicano conservador O Século que, em 15 de Outubro, escreve: "assiste-se a um espectáculo único e inacreditável para quem não foi testemunha dele." (in António T. Fernandes, O Confronto de Ideologias..., Porto, Afrontamento, pp. 108-114).
Mas, o que dizem a respeito deste milagre do sol os videntes? Coisas bem contraditórias. Lúcia nega que tenha ordenado à multidão (a mando da Senhora) que fechasse os chapéus de chuva e olhasse para o Sol; Francisco afirma ter visto a aparição apontar para o Sol (o que Lúcia e Jacinta negam). Em todo o caso, para os três videntes, o milagre foi outro: a aparição de toda a Sagrada Família (que o povo não vê) e o fim da I Guerra Mundial...que continuou por mais de um ano".
(p. 16-17)
(Cont.)
Publicado por sandra em novembro 29, 2003 10:20 PMmas então não se confirma a hipotese dos homenzinhos verdes de marte???
Afixado por: Nuno Branco em novembro 30, 2003 02:08 AMe ninguém de inteligente para ver que o sol nao poderia baixar das nuvens a uns 4 km da terra firme e a ficar bailando de la para ca e mais além...e que seres mais avançados em visita por aqui podem muito bem assumir a aparencia que lhes apetece, sobretudo aquela que agradarà mais ao publico no caso de eles serem benevolentes???
como se pode ser tao estupido para acreditar em milagres?? assim aconteceu quando os indigenas mayas, aztecas e outros da América viram os espanhois e os portugueses cabrones de escopeta,
os tiveram como deuses e entraram pelo cano!!!!
....gente, ojo!
Afixado por: de Paris em dezembro 24, 2003 03:53 AM
Que pessoas descrentes, sem temor de Deus.
Lúcia,Francisco e Jacinta, estando sobre pressão
do clero e de investigações às pobres crianças iriam se lembrar dos mínimos detalhes nas interrogações em que eram submetidas.
Que Nossa Senhora de Fátima interceda diante de Deus por todos vcs.
pá... eu sou capaz de acreditar nesta cena... mas é assim, eu já vi um ovni... uma lux redonda e avermelhada no céu a descer lentamente, e eu tirei-lhe uma foto e ela desapareceu num ápice... mas kem me garante k num era um sinal do Senhor? fdx... eu num sou nem um pouco católico... mas fdx... as evidências são muitas
Afixado por: Paulito69 em setembro 23, 2004 06:11 PM