TELES SAMPAIO. Fúria na Beira
"Foi um dos discípulos espirituais do bispo da Beira, D. Sebastião Soares de Resende, e um seguidor da sua cruzada social em Moçambique. Baseou-se no relato de missionários espanhóis para revelar numa homilia a ocorrência de um massacre de negros em Mucumbura.
Era pároco da Igreja do Sagrado Coração de Jesus de Macúti e tornou-se um dos protagonistas do conflito que pôs a comunidade branca da Beira em pé de guerra. Foi preso e julgado. Jorge Jardim era um dos seus adversários. Mas ele agia como se cumprisse uma missão sagrada.
O papa Paulo VI tinha-lhe dito a ele e ao bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto, em Setembro de 1971: "Vocês não saiam de Moçambique, nem que morram no vosso lugar!" O padre Joaquim Teles Sampaio teve de sair clandestinamente."
(ANTUNES, José Freire- A guerra de África. 1961-1974. Vol. II. Lisboa: Círculo de Leitores, 1995, p. 791).
Dois excertos extraídos de junto do depoimento de Teles Sampaio:
"Na homilía dominical revelou o massacre de negros em Mucumbura. Uma semana depois, a questão de admitir ou não a bandeira portuguesa dentro da igreja de Macúti deu origem a turbulência política e social na Beira. Foi preso, juntamente com o padre Fernando Mendes. Reclama a influência dos missionários, sobretudo dos padres brancos do cardeal Lavigerie."
(Idem, Ibidem, p. 971).
"Acha que Jorge Jardim inspirou as manifestações na Beira contra os padres, acusados de estarem do lado da Frelimo. Conseguiu sair clandestinamente de Moçambique e vir para Portugal. Foi posto na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, e relacionou-se com os católicos que promoveram a vigília pela paz na Capela do Rato, na passagem do ano de 1972 para 1973."
(Idem, Ibidem, p. 795)
Publicado por sandra em dezembro 21, 2003 03:31 PM