dezembro 31, 2003

RELATÓRIOS SECRETOS SOBRE A GUINÉ COLONIAL (2)

Na continuação da edição do texto de Serafim Lobato apresentamos, agora, a parte relativa às "Restrições ao apoio aéreo". Nesta, faz-se referência a ataques a zonas muito perto de Guileje, assim como a esta mesma, as perdas sofridas, ao que se acrescentam as restrições havidas (e justificações) no que concerne a evacuações aéreas.
Destacam-se os relatórios- e excertos dos mesmos- em que tais informações se encontram.

"ESTAMOS CERCADOS POR TODOS OS LADOS"

Restrições ao apoio aéreo

"A 18 de Maio, a sul, junto à raia com a Guiné-Conacri, verificou-se uma concentração de forças guerrilheiras em redor de Guileje que apontava para uma tentativa de tomada do quartel.
Refere um relatório do comando chefe das Forças Armadas da Guiné (Repartição de Operações), assinada pelo seu chefe, tenente-coronel Pinto de Almeida, agora tornado público, que sintetiza a actividade do COP 5 (área militar que enquadrava Guileje) entre 18 de Maio e 21 de Maio de 1973, que, no primeiro dia, "durante a execução duma coluna de reabastecimento, as NO [nossas tropas] foram fortemente emboscadas por duas vezes, a cerca de dois km de Guileje, tendo sofrido um morto (comandante do pelotão de milícias de Guileje), sete feridos graves (cinco milícias do PelMilGuileje) e quatro feridos ligeiros (um miliciano do PelMilGuileje). Por falta de evacuação aérea, um dos feridos graves faleceu quatro horas depois da emboscada".
A falta de movimentação aérea não resultava de qualquer contratempo momentâneo. Eis a confissão do próprio comando chefe: "A partir de 06Abr73, o apoio aéreo no TO [território operacional] da Guiné sofreu grandes limitações impostas pelo aparecimento de foguetes antiaéreos eficazes, utilizados pelo inimigo, pelo que, no que se refere a COP 5, foi determinado, em 27Abr73, o cancelamento de evacuações a partir de Guileje e Gadamael. O apoio de fogos aéreos às forças terrestres sofreu também, a partir da mesma altura, fortes restrições."
(Os mísseis terra-ar Strella foram utilizados, pela primeira vez, a 5 de Abril, tendo atingido um avião Fiat G 91, pilotado pelo tenente Pessoa.)
O comandante do COP 5, major Coutinho Lima, enviou mensagens a alertar para a gravidade da situação. Informou que "a não satisfação do pedido de apoio de fogos, (...) bem como a não execução das evacuações" tinha causado "mal-estar no pessoal".
Às 20h desse dia 18, o PAIGC "iniciou as flagelações a Guileje". Horas depois, às 02h20, o COP 5 solicita apoio urgente, pois estava debaixo de fogo contínuo. "Foi-lhe respondido em 19 00h30- assinala o relatório do comando chefe- que a força aérea se encontrava totalmente empenhada noutra área do TO e que seria efectuado o apoio aéreo logo que possível."

(Cont.)

Publicado por sandra em dezembro 31, 2003 11:49 AM
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