janeiro 18, 2004

"BREVES APONTAMENTOS PARA A CRONOLOGIA DE MARIA LAMAS"- 5

Terminamos a edição de "Breves apontamentos...". Neste último post a si respeitante, registam-se os anos 60, 70 e 80 da vida de Maria Lamas.

CRONOLOGIA

1960

. Traduz A Escada de Ferro de F.E Rodriguez, Lisboa: Ulisseia; usa o pseudónimo de Daniel Cardigos.

. Começa a sair em fascículos O Mundo dos Deuses e dos Heróis, Mitologia Geral, Lisboa: edição da autora (ML).

. Tradução de Adriano de Marguerite Yourcenar, capa de Sebastião Rodrigues, Lisboa: Ulisseia (ML).

. Inicia a tradução de Os Miseráveisde Victor Hugo, ilustrações de Lima de Freitas, Lisboa: Editorial Estampa- trabalho de que só sairão sete fascículos e que se destinava a comemorar o primeiro centenário da publicação desta obra em 3 de Abril de 1962 (ML).

. É visitada em Évora por Marguerite Yourcenar.

. A filha Manuela morre subitamente.

1961

. Traduz Dostoievsky de Tassos Athanassiadis, capa de Sebastião Rodrigues, Lisboa: Ulisseia (ML).

. Traduz Vencer de Roger Martin du Gard, capa de Sebastião Rodrigues, Lisboa: Arcádia (ML).

1962

. Junho- parte para Paris no princípio do mês, onde se instala no Grand Hotel Saint Michel, 19 Rue Cujas, no Quartier Latin.

. Julho- encabeça a delegação portuguesa à Conferência para a Paz e o Desarmamento, em Moscovo.

1963

. Junho- V Congresso da Federação Democrática Internacional das Mulheres, Moscovo.
Reunião Internacional de Mulheres, Berlim Leste.

1965

. Visita a Albânia.

1966

. Visita a Argélia.

1968

. Vivendo no centro do Quartier Latin, junto da Sorbonne, assiste à greve geral em França e vive de muito perto os acontecimentos de Maio de 68 em Paris.

1969

. Durante o seu exílio em Paris- de Junho de 1962 a Dezembro de 1969- além das viagens acima citadas, desloca-se a Itália, Bélgica, Reino Unido, e no interior de França.

. 3 de Dezembro- regressa a Portugal, cansada mas feliz por voltar. Recebe inúmeras provas de apreço dos amigos e da sociedade civil, sendo solicitada para entrevistas pela imprensa escrita, a rádio e a televisão.
Vive entre Lisboa e Évora.

1971

. Participa com o estudo "A Promoção da Mulher e a Protecção da Criança" in Mulheres contra homens, Lisboa: D. Quixote- Cadernos D. Quixote, pp. 123-142 (ML).

1973

. Mensagem ao 3º Congresso da Oposição Democrática em Aveiro.

1974

. 1 de Março- é testemunha de defesa de Maria Isabel Barreno no chamado Processo das Três Marias, em Lisboa.

. Enfim o 25 de Abril! Vive entusiasmada esses dias. Participa, deslumbrada, no 1º de Maio.

. 1 de Julho- preside a um comício organizado em Lisboa pela Comissão Portuguesa para a Paz.

. Inscreve-se no Partido Comunista Português.

. Nomeada Directora Honorária da Revista Modas e Bordados.

1975

. Junho- assiste ao VII Congresso da FDIM em Berlim, como convidada de honra. É a sua última viagem ao estrangeiro.

. Neste Ano Internacional da Mulher, preside ao comício de homenagem a Valentina Tereschkova, no Pavilhão dos Desportos, com a presença desta e de Álvaro Cunhal.

. Presidente Honorária do Movimento Democrático de Mulheres (MDM).

1976

. 5 de Outubro- agraciada com a Ordem da Liberdade, que receberá das mãos do Presidente Ramalho Eanes em 25 de Abril de 1980.

1978

. Directora da recém-criada revista Mulheres.

1983

. Durante os anos que se passaram até este, viveu bem, residindo alternadamente em Lisboa e Évora, sempre lúcida e interessada na política nacional e mundial. Ouvia muito mal, sendo a comunicação por escrito necessária com frequência.
Ao longo da sua vida, sempre acompanhada com carinhoso respeito e interesse pelos muitos amigos, companheiros e admiradores, tanto em Portugal como no estrangeiro, é homenageada por inúmeras entidades públicas e privadas.

. 6 de Outubro- festeja com a família e os amigos o seu nonagésimo aniversário.

. 6 de Dezembro- morre, depois de uma curtíssima alteração do seu habitual bem-estar.

Publicado por sandra em janeiro 18, 2004 02:39 PM
Comentários

Conheçi a minha tia-avó Maria Lamas, por mero acaso em Londres, no final dos anos 60. Era uma mulher excepcional, tal como o seu irmão o meu avô, o General Manuel António Vassalo e Silva. Gostei do que li, pena é que a minha prima "Bissú" tenha dado uma «visão muito sua», mas afinal somos todos da mesma família!
Um abraço
JM

Afixado por: José Vassalo e Silva em novembro 7, 2004 12:29 AM