Terminamos a edição de "Breves apontamentos...". Neste último post a si respeitante, registam-se os anos 60, 70 e 80 da vida de Maria Lamas.
CRONOLOGIA
1960
. Traduz A Escada de Ferro de F.E Rodriguez, Lisboa: Ulisseia; usa o pseudónimo de Daniel Cardigos.
. Começa a sair em fascículos O Mundo dos Deuses e dos Heróis, Mitologia Geral, Lisboa: edição da autora (ML).
. Tradução de Adriano de Marguerite Yourcenar, capa de Sebastião Rodrigues, Lisboa: Ulisseia (ML).
. Inicia a tradução de Os Miseráveisde Victor Hugo, ilustrações de Lima de Freitas, Lisboa: Editorial Estampa- trabalho de que só sairão sete fascículos e que se destinava a comemorar o primeiro centenário da publicação desta obra em 3 de Abril de 1962 (ML).
. É visitada em Évora por Marguerite Yourcenar.
. A filha Manuela morre subitamente.
1961
. Traduz Dostoievsky de Tassos Athanassiadis, capa de Sebastião Rodrigues, Lisboa: Ulisseia (ML).
. Traduz Vencer de Roger Martin du Gard, capa de Sebastião Rodrigues, Lisboa: Arcádia (ML).
1962
. Junho- parte para Paris no princípio do mês, onde se instala no Grand Hotel Saint Michel, 19 Rue Cujas, no Quartier Latin.
. Julho- encabeça a delegação portuguesa à Conferência para a Paz e o Desarmamento, em Moscovo.
1963
. Junho- V Congresso da Federação Democrática Internacional das Mulheres, Moscovo.
Reunião Internacional de Mulheres, Berlim Leste.
1965
. Visita a Albânia.
1966
. Visita a Argélia.
1968
. Vivendo no centro do Quartier Latin, junto da Sorbonne, assiste à greve geral em França e vive de muito perto os acontecimentos de Maio de 68 em Paris.
1969
. Durante o seu exílio em Paris- de Junho de 1962 a Dezembro de 1969- além das viagens acima citadas, desloca-se a Itália, Bélgica, Reino Unido, e no interior de França.
. 3 de Dezembro- regressa a Portugal, cansada mas feliz por voltar. Recebe inúmeras provas de apreço dos amigos e da sociedade civil, sendo solicitada para entrevistas pela imprensa escrita, a rádio e a televisão.
Vive entre Lisboa e Évora.
1971
. Participa com o estudo "A Promoção da Mulher e a Protecção da Criança" in Mulheres contra homens, Lisboa: D. Quixote- Cadernos D. Quixote, pp. 123-142 (ML).
1973
. Mensagem ao 3º Congresso da Oposição Democrática em Aveiro.
1974
. 1 de Março- é testemunha de defesa de Maria Isabel Barreno no chamado Processo das Três Marias, em Lisboa.
. Enfim o 25 de Abril! Vive entusiasmada esses dias. Participa, deslumbrada, no 1º de Maio.
. 1 de Julho- preside a um comício organizado em Lisboa pela Comissão Portuguesa para a Paz.
. Inscreve-se no Partido Comunista Português.
. Nomeada Directora Honorária da Revista Modas e Bordados.
1975
. Junho- assiste ao VII Congresso da FDIM em Berlim, como convidada de honra. É a sua última viagem ao estrangeiro.
. Neste Ano Internacional da Mulher, preside ao comício de homenagem a Valentina Tereschkova, no Pavilhão dos Desportos, com a presença desta e de Álvaro Cunhal.
. Presidente Honorária do Movimento Democrático de Mulheres (MDM).
1976
. 5 de Outubro- agraciada com a Ordem da Liberdade, que receberá das mãos do Presidente Ramalho Eanes em 25 de Abril de 1980.
1978
. Directora da recém-criada revista Mulheres.
1983
. Durante os anos que se passaram até este, viveu bem, residindo alternadamente em Lisboa e Évora, sempre lúcida e interessada na política nacional e mundial. Ouvia muito mal, sendo a comunicação por escrito necessária com frequência.
Ao longo da sua vida, sempre acompanhada com carinhoso respeito e interesse pelos muitos amigos, companheiros e admiradores, tanto em Portugal como no estrangeiro, é homenageada por inúmeras entidades públicas e privadas.
. 6 de Outubro- festeja com a família e os amigos o seu nonagésimo aniversário.
. 6 de Dezembro- morre, depois de uma curtíssima alteração do seu habitual bem-estar.
Publicado por sandra em janeiro 18, 2004 02:39 PMConheçi a minha tia-avó Maria Lamas, por mero acaso em Londres, no final dos anos 60. Era uma mulher excepcional, tal como o seu irmão o meu avô, o General Manuel António Vassalo e Silva. Gostei do que li, pena é que a minha prima "Bissú" tenha dado uma «visão muito sua», mas afinal somos todos da mesma família!
Um abraço
JM