janeiro 27, 2004

CONTRIBUTOS PARA A HISTÓRIA DO TARRAFAL (1)

Na sequência do post ontem editado, iniciamos hoje a apresentação do trabalho da jornalista São José Almeida. Em anexo, a primeira parte do texto global de apresentação da Colónia Penal do Tarrafal.

TARRAFAL. "A MORTE LENTA" COMO CONDENAÇÃO POLÍTICA

"Há cinquenta anos, a 26 de Janeiro de 1954, Francisco Miguel Duarte, dirigente do PCP, embarcava, na ilha de Santiago, em Cabo Verde, com destino a Lisboa, onde continuaria preso, primeiro no Aljube, depois transferido para Caxias. Com a saída de Chico Miguel, que aí permanecera sozinho durante seis meses, estava consumado o encerramento do Campo de Concentração do Tarrafal, oficialmente denominado Colónia Penal de Cabo Verde, a mais temível e brutal prisão política do fascismo que ficou para a história como o "Campo da Morte Lenta".
Terminava assim o regime prisional arbitrário e concentracionário que durante mais de dezassete anos recebeu um total de 340 presos e que, devido à crueldade e atrocidade do regime que aí vigorava, levou à morte de 32 homens e à contracção de doenças crónicas por quase todos os sobreviventes.
Criado a 29 de Outubro de 1936, no âmbito da reestruturação do regime prisional do Estado Novo, era então ministro do Interior Mário Pais de Sousa (ocupou a pasta de 1936 a 1944), o Tarrafal nunca foi tutelado pelo ministro que supostamente deveria fazê-lo. Estava, sim, sob tutela da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) e, a partir de 1945, da Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE)- à semelhança de todas as prisões políticas do fascismo-, e era dirigido directamente por Agostinho Lourenço, director da PVDE e depois da PIDE entre 1933 e 1956".

(Cont.)

Publicado por sandra em janeiro 27, 2004 07:34 PM
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