Com o excerto apresentado concluímos a edição do texto global aqui considerado, da autoria de São José Almeida.
Como conteúdo destacamos: presos que inauguraram a Colónia Penal- organizações de pertença, enquadramento político-, diferentes directores, políticas de gestão na relação que pode ser estabelecida com a evolução do sistema internacional, em particular, antes e após o final da II Guerra Mundial. Sublinhamos, ainda, a utilização dada ao espaço após o encerramento em 1954 e o que, relativamente a este, se aguarda hoje seja feito.
TARRAFAL. "A MORTE LENTA" COMO CONDENAÇÃO POLÍTICA
"Uma prisão para a elite da oposição
Com o primeiro director no paquete "Luanda"- que se encheu em Lisboa com presos, depois na Madeira e por fim deixou parte deles em Angra, onde embarcou outros tantos- chegam à ilha de Santiago, a 29 de Outubro de 1936, os primeiros 152 condenados, grupo integrado por 34 marinheiros da Organização Revolucionária da Armada (ORA), próxima do PCP, revoltosos do 8 de Setembro de 1936, presos transferidos de prisões políticas do continente, entre eles os grevistas anarco-sindicalistas do 18 de Janeiro de 1934, 50 detidos em Angra e ainda repatriados na Galiza- um grupo que é composto à época, pela elite das organizações operárias e de oposição, todo o Secretariado do PCP, os dirigentes da Comissão Intersindical, das Juventudes Comunistas e da Confederação Geral do Trabalho.
O segundo director foi José Júlio Silva, adjunto de Manuel dos Reis, que o substitui interinamente e dirige o campo entre 17 de Novembro de 1937 e 20 de Outubro de 1938. Segue-se João da Silva, que integrara uma comissão encarregada de estudar os campos da Alemanha nazi. Tomou posse em Outubro de 1938 e esteve no cargo até Junho de 1940. O período foi, a par do início, o pior para os presos. Segue-se Olegário Antunes, até Janeiro de 1943, e depois, até 1945, Filipe Barros. Em 1945, com o fim da II Guerra Mundial, toma posse Prates da Silva, que permanecerá no cargo até ao fim do campo e exercerá o seu mandato sob outras condições. Mas então a guerra terminara, o campo democrático ganhara. Portugal realinhava a sua estratégia internacional e o Tarrafal suavizava o regime de atrocidades e arbitrariedades, embora não tenha acabado a "frigideira". Logo em 1945 são amnistiados 110 presos- numa primeira amnistia, a dos centenários, em 1940 tinham sido libertados alguns.
Continuam a ser para lá enviados presos. Em 1952, estão no Tarrafal 22 presos, muitos dos que ficaram até ao fim foram os marinheiros da ORA. Outros tinham chegado entretanto e houve casos que lá estiveram por duas vezes, como foi o caso de Francisco Miguel, o irredutível fugitivo das cadeias da PIDE, que aguentou sozinho mais seis meses, até que o Tarrafal fechou, há cinquenta anos. Depois, nos anos 60 reabriu como Campo de Trabalho, para presos políticos das colónias, regime em que se manteve até ao 25 de Abril de 1974.
A 18 de Fevereiro de 1978 os corpos dos 32 presos mortos no Tarrafal foram transladados para Lisboa e foi inaugurado o Mausoléu das Vítimas do Tarrafal no Alto de São João. O Campo, esse, aguarda verba e vontade política para ali erguer um museu em homenagem à luta pelos Direitos Humanos".
Por motivos profissionais estive até ontem em Cabo Verde e durante a estadia fui levado por amigos à Vila do Tarrafal.
Como era enevitável, visitei o antigo campo de concentração fascista do Tarrafal.
Ali está patente ainda hoje a natureza terrorista do regime felizmente deposto em Abril de 1974.
Naquele local pude constatar como eram as instalações e imaginar a maneira como foram tratados os heróicos portugueses que tiveram a coragem de lutar contra tão ignominioso regime.
A história portuguesa do século passado ainda está para ser escrita, para que todos os portugueses tenham consciência do que foram os 50 anos de ditadura que o nosso país viveu.
Devemos isso a nós próprios, mas devemos também à nossa juventude e, sobretudo, aos milhares de homens e mulheres que foram presos, torturados e mortos pelos instrumentos do regime Salazarista.
Parabéns a todos aqueles que, como São José Almeida, têm a coragem de não deixar esquecer alguns episódios da história e da luta antifascista em Portugal.
é verdade sim ,foram tempos décadas atrozes de sofrimento e terror ,que não pode de maneira alguma ser esquecido.Compete aos nossos governantes que os nossos filhos e netos saibam a verdade,para que nada desses tempos hediondos regressem.Epara que eles saibam do que escaparam.Se não fosse o 25 de abril ,quem lá estaria agora seriam eles.
Afixado por: antonietapaulo em março 9, 2004 10:26 AM