Este, e os posts que se seguem, justificam-se na relação com aquele editado anteriormente, respeitante à exemplificação de obras (autobiográficas) relativas ao Tarrafal. Será, pois feita, a apresentação de cada um dos autores dos livros em questão, sendo os vários registos extraídos da obra de António Ventura: Memórias da Resistência. Literatura autobiográfica da resistência ao Estado Novo.
Servem estas biografias para ilustrar o enquadramento social dos prisioneiros da Colónia Penal de Cabo Verde, em particular, através daquelas que eram as suas actividades oposicionistas.
ACÁCIO TOMÁS DE AQUINO
"Nasceu em Lisboa (Alcântara) a 9 de Novembro de 1899, e ali morreu a 30 de Novembro de 1998. Foi operário da construção civil, trabalhador da Câmara Municipal de Lisboa entre 1918 e 1922 e ferroviário (1926-1933). Militante anarco-sindicalista da Confederação-Geral do Trabalho, fói sócio do Sindicato dos Metalúrgicos (1916), dos Trabalhadores do Município (1918) e da Construção Civil (1919-1933). Secretário da Federação dos Sindicatos da Construção Civil e da Confederação Geral do Trabalho, colaborou na imprensa operária e sindical, com destaque para O Construtor e A Batalha. Fez parte do comité de acção da CGT que preparava a greve geral que eclodiu a 18 de Janeiro de 1934, mas foi preso a 11 de Dezembro de 1933, sob acusação de ter entregue bombas a outro activista na Estação do Rossio, pelo que não participou no movimento. Foi condenado a 9 de Março de 1934, pelo Tribunal Militar Especial, a 12 anos de degredo em prisão. A 8 de Setembro seguiu para Angra do Heroísmo, de onde foi transferido para o Tarrafal, Cabo Verde, a 23 de Outubro de 1936. Aqui teve um papel preponderante na Organização Libertária Prisional. Regressou a Portugal a 10 de Novembro de 1949. A liberdade definitiva só lhe foi concedida a 22 de Novembro de 1952.
Depois do 25 de Abril de 1974 colaborou com diversas organizações e jornais libertários, nomeadamente em a Voz Anarquista, de Almada. Publicou O Segredo das Prisões Atlânticas, Lisboa, A Regra do Jogo, 1978, onde relata a sua experiência em Angra e no Tarrafal. Aborda também as relações entre comunistas e libertários no Tarrafal, transcrevendo correspondência entre a Organização Comunista Prisional e a Organização Libertária Prisional, criticando duramente Bento Gonçalves e outros elementos comunistas, que acusa de colaboracionismo. Colaborou no volume colectivo O 18 de Janeiro e Alguns Antecedentes, Lisboa, A Regra do Jogo, 1978".
(VENTURA, António- Memórias da resistência. Literatura autobiográfica da resistência ao Estado Novo. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 2001, p. 35)