No contexto da morte do General Kaúlza de Arriaga, regista ainda o jornal Público, com o título "O peso de Wiriamu":
"Foi durante a liderança de Kaúlza de Arriaga no comando militar de Moçambique que ocorreram os massacres de populações civis no território, em Dezembro de 1972. Wiriamu foi a palavra que mais mundo correu, na sequência de uma denúncia internacional do padre Adrian Hastings, com base num relatório feito por missionários da Congregação de Burgos que missionavam em Tete. Face à onda de solidariedade com Moçambique que correu mundo, o regime de Lisboa fica cada vez mais encurralado no plano político. O Papa Paulo VI solidariza-se com os missionários que revelaram a chacina, o então secretário-geral da ONU, Kurt Waldheim, recebe o padre Hastings, Willy Brandt reconhece a Frelimo e a Suécia duplica o seu financiamento a este movimento.
Sobre Wiriamu, Kaúlza de Arriaga sempre afirmou que não se encontrava em Moçambique nessa altura, mas face aos inquéritos realizados, ordenados pelo próprio e por Marcelo Caetano, repetiu até à exaustão: "Não ocorreu nada em Wiriamu. Não houve nenhum crime em Wiriamu".
As arrepiantes afirmações de Kaúlza sobre os massacres encaixam na lógica de uma personalidade que sempre pôs os interesses do Estado Novo à frente de tudo. Mas são mais uma peça na construção de uma personalidade controversa que seguramente explica a frieza e o silêncio do país político em relação à sua pessoa, da esquerda à direita. Tanto nos trinta anos que passaram desde o 25 de Abril de 1974 como na hora da sua morte".
(Público, 4 de Fevereiro de 2004)
Publicado por sandra em fevereiro 10, 2004 06:29 PM