fevereiro 24, 2004

A FORMAÇÃO NACIONALISTA/MORAL E SOCIAL NO ÂMBITO DA MOCIDADE PORTUGUESA FEMININA (1)

Iniciamos com este post a edição de informação respeitante à temática apresentada em título. Sendo que a fonte da mesma é a publicação História das organizações femininas do Estado Novo, da autoria de Irene Flunser Pimentel, o número das páginas onde se encontra o texto, encontra-se devidamente indicado.

DA FORMAÇÃO NACIONALISTA Á FORMAÇÃO MORAL E SOCIAL

"Até ao fim da Segunda Guerra Mundial, a MPF preocupou-se, inicialmente, sobretudo com a Formação Nacionalista, ligando-a sempre à formação moral e cristã, dado que, como considerava a organização, Portugal era historicamente cristão, e o catolicismo legitimava o nacionalismo português. Foram os seguintes os objectivos dessa actividade, tal como a MPF os apresentou em 1942:
- dar a conhecer o passado de Portugal, a riqueza do "património lusitano, latino e cristão";
- preparar as gerações futuras para amarem a pátria "até ao sacrifício";
- transmitir os "princípios morais e patrióticos" que enformam o "equilibrado nacionalismo do Estado Novo" e o "distinguem" dos nacionalismos estrangeiros e dos "extremismos dum e doutro lado";
- apontar Salazar como o "realizador da Restauração económica e política do país, mas também, e sobretudo, da Reforma Moral tão necessária na nossa Pátria e que é a base de toda a reconstrução nacional";
- dar como exemplo os "valores femininos da nossa História" para formar raparigas "conscientes dos seus deveres de Cristãs e Portuguesas e convictas da necessidade de cooperarem, pelas suas virtudes, pelo seu aperfeiçoamento moral, na conquista dum Portugal Maior".
Ficaram assim claramente definidos quer as principais ideias do nacionalismo salazarista quer o papel da mulher no "renascimento" de Portugal:

1. Ideia do "ressurgimento" da nação, como continuadora do glorioso passado histórico e ponte para o futuro;
2. Propósito da criação de uma mulher "nova", pronta a servir a pátria com sacrifício da vida;
3. Defesa de um nacionalismo "equilibrado", distinto tanto do comunismo como do nacional-socialismo, e de relações internacionais não expansionistas, a única postura possível para um pequeno país que tentava, na defensiva, preservar a sua independência e o seu império colonial;
4. Mito do "chefe" e culto de Salazar, o "restaurador";
5. Exaltação, através de modelos femininos históricos, da coragem das mulheres que, sacrificando a maternidade, chegaram ao poder, e glorificação das "virtudes" daquelas que foram mães e esposas ou se entregaram a Deus.

A MPF propunha-se, assim, através da Formação Moral e Nacionalista, "nacionalizar" as raparigas para criar uma "mulher nova", cristã e portuguesa, cujo lugar na sociedade orgânica salazarista seria a família, base do renascimento e da grandeza de Portugal, e cuja actuação não passava pela intervenção política directa, atribuída aos homens, mas pela "colaboração" e pela "cooperação" com os esposos e com os governantes. Mas, a MPF não se limitava a difundir estas ideias nos seus centros escolares, utilizava também outros meios de inculcação ideológica, entre os quais se contaram as suas publicações de massas. Veja-se, a título de exemplo, como o Boletim da MPF deu conteúdo aos dois últimos objectivos, anteriormente apontados nos pontos 4 e 5, da Formação Moral e Nacionalista."

(p. 300-301)

(Cont.)

Publicado por sandra em fevereiro 24, 2004 01:09 PM
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