fevereiro 25, 2004

A FORMAÇÃO NACIONALISTA/MORAL E SOCIAL NO ÂMBITO DA MOCIDADE PORTUGUESA FEMININA (3)

Terminamos, com este post, a abordagem relativa à Formação Nacionalista/Moral e Social, desenvolvida pela MPF.
No texto em anexo, a especificidade dos questionamentos e discussões relativos à legitimidade/oportunidade de tal domínio de acção por esta organização feminina. Justificações apresentadas.

A formação "moral e social", a partir de 1957

"A fidelidade à moral cristã e à religião católica sempre foi amalgamada com a lealdade à ideologia do Estado Novo pela MPF, nomeadamente a partir de 1943, quando essa noção foi erigida, na primeira folha de "Formação Moral para Dirigentes", como ideia central a ser transmitida às filiadas. Anos depois, ao fazer a história da MPF, em 1966, Ester de Lemos considerou a Formação Moral e Nacionalista o centro de todas as actividades da organização pois difundia a única "moral possível- a moral cristã, fundamento da vida colectiva e seiva das instituições portuguesas desde a origem da nacionalidade".
Essa actividade nunca cessou, porém, de motivar críticas, mesmo depois de se passar a denominar, com o novo plano de actividades de 1957/1958, Formação Moral e Social. Em resposta às críticas tanto dos que consideravam que essa actividade duplicava a disciplina de Moral e Religião como dos acusavam as MP de constituírem um movimento religioso ou dos que consideravam ser tarefa exclusiva da Igreja a formação católica da Juventude, a MPF afirmou que, "embora inspirada nos princípios da moral cristã", a Formação Moral e Social não se confundia com o catecismo, mas era "a aplicação desses princípios".
Por outro lado, a MPF esclareceu ainda que a Formação Moral e Social não constituía uma actividade à parte mas era, sim, uma componente fundamental de todas as suas actividades. Num estudo elaborado pela direcção de serviços de dirigentes e graduadas, no fim da década de cinquenta, mostrava-se, como dizia o título de um dos capítulos, como "fazer formação social e moral através todas as actividades da MPF". Assim, enquanto a Educação Física deveria inculcar noções morais de lealdade, obediência e de coragem, a Educação Feminina privilegiaria a responsabilidade familiar, as virtudes tradicionais da mulher portuguesa e a dignidade no casamento, e, finalmente, a Iniciação Artística promoveria a luta contra a mediocridade e o relacionamento do "belo" com o "bom".
Em Novembro de 1965, os encontros de Formação Moral e Social foram novamente objecto de grande discussão na reunião do conselho técnico da MPF, que concluiu pela necessidade de "intensificar cada vez mais uma educação diferenciada da gente moça", de modo a tornar "os rapazes mais viris e as raparigas mais femininas", preparando-as "para as tarefas do lar e da maternidade". Um ano depois, Ester de Lemos continuou a ecoar as críticas que desde o início da década de cinquenta se faziam ouvir contra a Formação Moral e Social da MPF, respondendo que essa actividade servia de "complemento a qualquer aula de Moral" e era "ao mesmo tempo formação social e formação portuguesa, coisas que saem do âmbito da cadeira de Moral e Religião"".

(p. 303-304)


Publicado por sandra em fevereiro 25, 2004 09:23 PM
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