Importantes instrumentos para divulgar as ideias norteadoras da acção, assim como a ideologia subjacente, as publicações assumiram um lugar de destaque na totalidade do trabalho desenvolvido pela MPF.
Títulos como Boletim da MPF ou Menina & Moça, são apenas dois exemplos de tudo o que foi editado.
No texto em anexo, é feita uma apresentação global da temática. Em post posterior será editada informação particularizando conteúdos dos dois títulos citados.
"A partir de 13 de Maio de 1939 e até Abril de 1947, a organização feminina publicou o Boletim da MPF, que, como o nome indicava, se dirigia às filiadas, num período em que a organização se propunha enquadrar toda a juventude feminina. Na realidade, porém, o Boletim dirigiu-se sobretudo às estudantes das classes sociais mais altas, entre as quais tentou formar uma elite feminina, colaboradora da elite masculina do Estado Novo, e criar uma mulher "nova". (...) o Boletim da MPF foi substituído, a partir de 1947, pela M & M, uma revista dirigida "a todas as raparigas", com um carácter menos elitista e um conteúdo menos ideológico do que a publicação que a antecedeu.
Para as filiadas mais novas, o Boletim da MPF começou por integrar a "Página das lusitas", que se autonomizou, depois, numa revista específica com o nome de Lusitas, editada entre 1943 e 1957 sob a direcção de Maria Teresa Andrade Santos. Entre 1957 e 1974, esta publicação adoptou o nome de Fagulha, dirigida por Maria Alice Andrade Santos, irmã da anterior, e na qual colaboraram Ester de Lemos na redacção e Maria Ottolini Coimbra na ilustração.
A partir de 1961, a MPF editou, para as jovens adolescentes não escolarizadas, a revista mensal De Mãos Dadas, dirigida por Ainda Cardigas dos Reis. Em Outubro do ano anterior, a MPF também tinha começado a publicar a Agenda da MPF, dirigida às alunas liceais a partir do 4º ano, potenciais frequentadoras voluntárias que a organização pretendia aliciar para as suas actividades. Em Outubro de 1969, (...), surgiu ainda a revista semestral Lavores e Trabalhos Manuais, para apoiar os programas de ensino de lavores e auxiliar as respectivas educadoras. Estas últimas três publicações de "massas" da MPF dirigiam-se às- poucas- adolescentes não escolarizadas, com uma linguagem simples e rubricas "femininas" de preparação para a vida no lar e o trabalho artesanal. De circulação pouco mais que interna, haverá ainda o jornal Ad lucem, editado a estêncil pelo centro universitário de Lisboa.
Para divulgar e unificar as directrizes da organização entre as dirigentes, existiam, desde Janeiro de 1941, as Folhas de Formação Moral e Nacionalista, às quais se seguiram, no ano seguinte, as Folhas de Formação Moral para as lusitas das escolas primárias, a cargo de Ester Gaspar, e para as infantas, as vanguardistas e as lusas do ensino secundário, respectivamente da responsabilidade de Helena Cabedo Garcia e Helena Vital. Em Maio de 1942, Ingrid Ryberg apresentou um manual de Educação Física, ao qual se seguiu, um ano depois, o Manual de Jogos Educativos, para as EMP (Escolas do Magistério Primário).
Em 1946, a MPF iniciou a edição do Boletim para Dirigentes que, subdividido em duas publicações- para os centros do ensino primário e secundário-, integrou as antigas Folhas de Formação Moral e artigos formativos outrora incluídos no Boletim da MPF. Depois de um interregno, o Boletim para Dirigentes surgiu de novo em 1963, sob a responsabilidade de Maria Margarida Craveiro Lopes dos Reis e de Ester Gaspar Soeiro de Sá, e, cinco anos depois, adoptou o nome de Boletim da Mocidade Portuguesa Feminina, por seu turno substituído, na década de setenta, pelo Guia para Monitoras".
(P. 337-338)
Publicado por sandra em fevereiro 29, 2004 07:23 PM