março 08, 2004

MOCIDADE PORTUGUESA FEMININA: as publicações (2)

No sentido da especificação dos conteúdos referenciados no post anterior, editamos texto de Irene Flunser Pimentel relativo ao Boletim da MPF.
Nele concretizam-se os valores defendidos e a fazer optimizar nas jovens, as figuras femininas da História de Portugal entendidas como modelos a seguir e outros aspectos a cuidar no âmbito do decorrer da vida quotidiana.

"No número um da primeira publicação da MPF, surgido em 13 de Maio de 1939, a presidente da OMEN (Obra das Mães pela Educação Nacional), condessa de Rilvas, e a comissária nacional da MPF, Maria Guardiola, apresentaram os inimigos a combater- o "egoísmo", o "materialismo" e o "feminismo"- e o tipo de futuras mulheres que pretendiam criar- "disciplinadas, fortes, viris sem ser masculinas, com espírito profundamente cristão e nacional", orientadas para a "actuação no Lar, na família e na sociedade". O lugar de honra desse primeiro número foi atribuído à padroeira da MPF e de Portugal, Nossa Senhora de Fátima, pois a "história das nações é escrita pelos homens, mas vem do céu a inspiração e a graça que ajudam a realizar e tornam grandes os feitos desses homens!". Depois de "pregar os olhos lá em cima", a filiada devia ser a "semeadora deste ideal" em Portugal, seguindo os "exemplos daquelas que enchem tão bem a nossa história linha": as padroeiras terrenas Dona Leonor e Dona Filipa de Lencastre.
Uma breve leitura do Boletim da MPF nos seus primeiros cinco anos de vida- desde o nº 1 até ao nº 48, de Abril de 1943- revela uma vontade de moldar as leitoras, através de artigos maioritariamente dedicados à transmissão de valores e de comportamentos numa tentativa, compartilhada com a Igreja, de substituição do papel educativo das famílias. Embora o Boletim tivesse a pretensão de se dirigir a todas as jovens portuguesas- "todas" elas pretensamente enquadradas na MPF, que confundia desejos com realidade-, foi de facto as das classes sociais mais altas que quis e conseguiu atingir, como se pode ver pelos principais defeitos que se propôs combater no sei delas: a futilidade, o hedonismo, a soberba, a vaidade e a arrogância.
A seguir, do ponto de vista quantitativo, estavam os artigos que se debruçavam sobre as actividades da MPF, reveladores de um desejo inicial de filiar todas as jovens portuguesas na organização, e os dedicados à religião, especialmente os dos meses de Abril, Maio e Dezembro, sobre a Páscoa, o mês de Maria e o Natal. Nossa Senhora de Fátima tinha evidentemente presença assegurada, mas também outros santos surgiam regularmente, muitas vezes em artigos de formação religiosa assinados pelo padre Moreira das Neves, pelo cardeal Cerejeira, pelo arcebispo de Mitilene e pelo padre Gustavo de Almeida. O ideário nacionalista e salazarista foi muito difundido através dos editoriais deste último, além de ser transmitido através de quase todos os artigos: as rubricas de "Arte e património" focavam, por exemplo, exclusivamente a arte portuguesa.
Embora os principais valores femininos fossem enunciados pela MPF através da glorificação de modelos históricos e religiosos- Dona Leonor, Dona Filipa de Lencastre e a Virgem Maria-, a realeza e a santidade não eram as únicas características que a mulher ideal-típica da MPF devia possuir. Mulheres exemplares foram também Maria Amália Vaz de Carvalho, uma intelectual e educadora, ou Selma Lagerloff, ao mostrar que "as mulheres também ganham o Prémio Nobel". No entanto, assim como Fanny Mandelssohn foi escolhida como modelo por ter sacrificado o seu talento pela carreira do irmão, também Mme Pasteur mostrou ser uma daquelas que "desde que casou viveu só para o marido". Mesmo Georges Sand, "longe de ser uma mulher recomendável", nem sempre tinha tido "má ou inútil" influência sobre Chopin.
No estrangeiro, exceptuando a Espanha, de onde vinha o modelo da SF (Sección Femenina de la Falange Española Tradicionalista), havia sobretudo perigos, entre os quais se contou o "modernismo" dos EUA, criticado a propósito de uma reportagem sobre o pavilhão português na Exposição de Nova Iorque. Este servia evidentemente de contraponto positivo- como tudo o que era português-, de um Portugal mitificado de pobres mas dignos camponeses e pescadores, retratados folclórica e bucolicamente na rubrica "Conhecimento de Portugal e do seu povo", onde também se apelava às leitoras para realizarem, nas férias, reportagens fotográficas sobre paisagens portuguesas.
O período das férias servia habitualmente de pretexto para artigos sobre o campo e a praia, locais onde as filiadas de famílias mais ricas- às quais a MPF se dirigia- passavam os longos meses de Verão. Os textos sobre desporto também tinham como alvo as raparigas de um estrato social médio e alto, incentivando a prática de modalidades elitistas, onde havia sempre o cuidado de refrear os exercícios violentos e o espírito competitivo, mas também o de criticar certas mães por impedirem, com os seus temores, as filhas de praticar exercício físico."

(p. 338-340)

Publicado por sandra em março 8, 2004 11:05 PM
Comentários

Não sabem fazer nada!!!!!!

Afixado por: .................... em maio 9, 2004 07:07 PM

Não sabem fazer nada!!!!!!

Afixado por: .................... em maio 9, 2004 07:07 PM

ta 1 beka po relex i sem fotos (são mt importants pk xamam a atençao das pessoas)!axu k deviam ver isto mlhor

Afixado por: eu em junho 3, 2004 05:12 PM