Surgida em Maio de 1947, a publicação Menina e Moça (M&M), da responsabilidade da MPF, merece igualmente relevo pelos conteúdos a si inerentes.
Também nela se podem detectar os valores defendidos e as mensagens particulares transmitidas ao público a que se dirigia. Sendo que o que estava em causa era a formação da "Mulher portuguesa", os cuidados em termos de transmissão de ideias/princípios, naquela que é a sua maior abrangência possível, era uma realidade.
Vejamos, pois, o que escreve a investigadora aqui referenciada sobre tal publicação.
"A 1 de Maio de 1947, surgiu com o novo nome de Menina e Moça a publicação de massas da MPF que pretendia chegar já não só às filiadas, mas "a todas as raparigas de Portugal" e, por isso, tinha um aspecto gráfico mais arejado, da autoria de Maria Margarida Ottolini Coimbra, além de não mencionar, no título, o nome da MPF. A capa do primeiro número, que obviamente não pretendia comemorar o dia do trabalhador, titulava "Nossa Senhora, respondeu!", e a segunda página apresentava o primeiro de muitos concursos e inquéritos com os quais a M&M tentou obter a colaboração das leitoras.
Através da interrogação anódina "Nicho ou colmeia?", a MPF difundiu, nesse número, a ideia de que Portugal era um paraíso- pelo menos para algumas raparigas-, ao perguntar às jovens se preferiam "um aposento num arranha-céus" ou "uma pequena casa portuguesa". Havia, porém, o cuidado de especificar que, no arranha-céus, a leitora interrogada não teria "criada" mas "apenas uma mulher três horas por dia", enquanto "na casinha teria[s] uma criada para todo o serviço". Claro que o "nicho" foi escolhido por unanimidade, concluindo a M&M que todas as respostas revelam "não só o bom gosto das filiadas como boa formação no ideal que do seu futuro lar fazem".
A ideologia passou a ser introduzida, na M&M, de forma mais subtil do que no Boletim da MPF em rúbricas onde se notava um esforço para acompanhar os novos tempos: "História da
música"; "Cinema"; "Modas"; "Leitura" e "Desporto". No entanto, a revista continuou sobretudo a difundir determinados valores morais e comportamentos, induzidos nas rubricas de ficção, arte, cultura, ciência, cinema, literatura, culinária, moda, lar, nos inquéritos às leitoras, assim como nos artigos sobre mulheres célebres. A M&M teve também, como se viu, uma espécie de predilecção pelos concursos como aquele, em Maio de 1948, onde se pedia às leitoras para definir a melhor forma de servir Portugal, ou aquele, em 1958, sobre a eleição da "Miss Mulher Ideal".
Em 1961, a revista mudou de visual e, como sublinhou a própria M&M, "actualizou-se, modernizou-se conservando intacto o ideal formativo e cultural" para se tornar numa "revista da rapariga portuguesa que não tem ainda o gosto estragado pelas leituras que não valem nada e que poderão deformar a sua mentalidade e sensibilidade". (...) a M&M deixou de facto transparecer, nos anos cinquenta, um abandono do elitismo inicial e um maior acompanhamento da "democratização" e da mobilidade sociais que se fizeram então sentir na sociedade portuguesa".
(p. 340-342)