A propósito de um texto escrito por Ana Sá Lopes na revista Pública e em contexto de exibição do filme de José Carlos de Oliveira, "Preto e Branco", escreveu no jornal Público de ontem o Major Mário Tomé, relativamente à Guerra Colonial o seguinte:
"(...) Grosso modo, Portugal, com 10 milhões de habitantes, fez um esforço de guerra em África cerca de nove vezes superior ao dos EUA, no Vietnam, com os seus 250 milhões de habitantes. Portugal mobilizou para a guerra colonial mais de 800 mil jovens, teve 8 mil mortos, 112.205 feridos e doentes, 4 mil deficientes físicos e estima-se que cerca de 100 mil doentes de stress de guerra. 40% do OE destinava-se à Defesa. A isto há que acrescentar a sangria de milhão e meio de emigrantes entre 60 e 74.
A Guiné estava perdida (...). Em Angola foi possível dividir o movimento independentista pelo que as tropas coloniais estavam em condições menos precárias. Mas não poderiam deixar de ser envolvidas pelo colapso geral, como foram.
Em Moçambique, nos meses que antecederam o 25 de Abril, os relatórios oficiais constatam recrudescimento das acções militares da Frelimo; alastramento impetuoso das acções de guerrilha às reservas de brancos e de caça. Beira, Vila Pery e Gorongosa; utilização de maios sofisticados (Strella e Foguetão de 122 mm) que, associados aos já melhores armamentos ligeiros (Kalashikov e RPG) conferem à Frelimo superioridade operacional e material cada vez mais evidente; fixação das nossas tropas na defesa de Cabora Bassa cuja inexpugnabilidade técnica é garantida pelo sorvedoiro mortal de efectivos e do esforço principal de guerra; deteriorização sem precedentes do moral das tropas coloniais e perda geral da vontade de combater; corte radical entre os colonos brancos do centro de Moçambique (zona estratégica vital) e o exército colonial. (...)
Os capitães não foram anjos justiceiros. Eram militares honestos, empenhados em cumprir a missão: ganhar a guerra, manter Portugal uno e indivisível do Minho a Timor. A deterioração alarmante da situação ao longo dos últimos anos obrigou-os a recorrer a outros manuais! ... Quando a brigada do reumático meteu a cabeça na areia face à derrota iminente e ao desastre anunciado, pior que o da Índia, viu os capitães à frente dos soldados rebelarem-se, abrirem as portas da desagregação de um exército já subvertido, sem meios, sem ânimo e sem iniciativa operacional, sem comando digno do nome, fustigado violentamente, à beira do colapso, derrotado; e proclamarem a vitória da liberdade e da independência. (...)
Finalmente: qual a condição de um exército em guerra, cujos capitães, as pedras fundamentais de comando em combate, e a generalidade dos soldados, se levantam contra a hierarquia e se recusam a combater?
O velho Clausewitz dizia que os objectivos da guerra são: colocar as forças militares inimigas incapazes de continuar o combate, garantir a ocupação do território e retirar ao inimigo a vontade de combater! Quem atingiu tais objectivos na guerra colonial?"
(Este artigo pode ser lido na íntegra em:
http://www.jornal.publico.pt/2003/09/29/EspacoPublico/O03.html)
Dando sequência a posts onde a abordagem sobre globalização (ela própria um processo) no âmbito do processo histórico tem sido tratada, apresentamos agora, para ainda maior complemento, três ideias desenvolvidas pelo historiador inglês Eric Hobsbawm numa entrevista conduzida por Antonio Polito:
- "A globalização não é o produto de uma única acção (...). É um processo histórico que sem dúvida acelerou muito nos últimos dez anos, mas que consiste numa permanente transformação. Não está claro quando poderemos dizer que chegámos a um ponto de chegada definitivo, ou qual vai ser o momento em que o processo estará completo. Sobretudo porque a essência deste processo é uma extensão da actividade através de um planeta que é, pela sua própria natureza, vário: do ponto de vista geográfico, histórico, climático. Esta realidade impõe certos limites à unificação de todo o planeta. Além disso, a globalização não opera em todos os campos da acção humana da mesma forma. (...) Por isso, seria um erro dizer que é um fenómeno sem obstáculos. (...)".
A reter: a Globalização como um processo com formas de aplicação e ritmos diferenciados.
- "Antes de mais, penso que não se pode identificar a globalização só com a criação de uma economia global, ainda que esta seja o seu centro e o seu aspecto mais evidente. Temos de olhar além da economia. A globalização baseia-se em primeiro lugar na eliminação de aspectos técnicos, mais do que económicos, que constituem o seu pressuposto: a distância e o tempo. (...)"
A reter: Relação entre a Globalização, a concepção e vivências do Tempo e do Espaço.
- "(...) O processo de globalização é sem dúvida irreversível e, em alguns aspectos, independente daquilo que os Governos fazem. Mas outra coisa é a ideologia baseada na globalização, a ideologia do free market, o neoliberalismo, o que também foi chamado "fundamentalismo do livre mercado".Esta ideologia baseia-se na convicção de que o livre mercado maximiza o crescimento e a riqueza do mundo e produz uma distribuição optimal do aumento. Todas as tentativas de regular e de controlar o mercado devem dar resultados negativos, pois reduzem a acumulação do lucro capitalista, e logo impedem a maximização da taxa de crescimento. (...)"
A reter: Globalização e Liberalismo Económico (Liberalismo e Neo-Liberalismo).
(HOBSBAWM, Eric- O século XXI. Reflexões sobre o futuro. Lisboa: Editorial Presença, 2000, p. 58-65. Sublinhado nosso.).
A propósito da dificuldade em conhecer o que foi ou tem sido realmente a evolução do processo histórico, logo, o conhecimento de objectos mais ou menos longínquos (e aqui estamos perante as questões da Objectividade e do Relativismo em História), escreveu António Manuel Hespanha a seguinte crónica na revista História de Fevereiro de 2002:
"PRÉ-COMPREENSÕES E ESPERTALHÕES
Desde Hans-Georg Gadamer e ao longo de toda a tradição da hermenêutica filosófica (M. Heidegger, E. Betti ou mesmo J. Habermas), tem sido dito e repetido que conhecer- e, em particular, conhecer objectos longínquos (...), não é tarefa nem trivial, nem garantida.
Sabe-se que o conhecimento é enquadrado (deformado, constituído; para, de degrau em degrau, ir dizendo coisas mais radicais) por concepções culturais (ou pessoais) muito profundas e razoavelmente inconscientes. É a isto que a literatura mais especializada chama pré-compreensão (...). Esta, sendo inevitável, pode ser controlada, no sentido de tornada consciente. E, neste sentido, ficamos pelo menos a saber (e damos disso notícia aos outros) que falamos a partir de convicções próprias (tanto no sentido pessoal, como no sentido cultural). Falamos a partir de nós, da nossa cultura, da nossa época.
Neste sentido, o conhecimento é sempre uma certa espécie de interpretação, um acto de atribuição de sentido à realidade (se tal coisa existe...). Sempre que o acto de conhecer tem como objecto outros actos de conhecer (ou de avaliar), os problemas redobram-se. Pois, neste momento, o que estamos a fazer é a interpretar interpretações. E, então, a questão não é apenas a de controlar a nossa pré-compreensão, mas ainda a de controlar (no sentido de torná-la explícita) as pré-compreensões das pessoas que estamos a estudar. (...)
Alguns dizem que qualquer destas tarefas é impossível de realizar e que, portanto, a história (e, em geral, o resto das ciências sociais) são discursos de tipo quase literário, que não pretendem a verdade, mas apenas a persuasão ou, simplesmente, o divertimento.
Confesso que tendo a pensar assim.
Mas nada disso autoriza que cada um se dispense de tentar distinguir, o mais claramente possível, o seu inevitável contributo pessoal (a sua visão do mundo) para os dados "objectivos estudados". (...)
Muito menos legítimo é, ainda, impingir as nossas convicções pessoais no discurso histórico (...) com a desculpa de que essas são as nossas convicções e de que delas não estamos dispostos a abdicar. Tal atitude é, pura e simplesmente, anti-científica e dogmática, excluindo os seus portadores do campo do discurso científico. (...)".
(HESPANHA, António Manuel- "Pré-compreensões e espertalhões". In: História. Nº 42. Fevereiro 2002, p. 14-15. Sublinhado nosso).
Inicia-se, seguidamente, a apresentação de alguns autores e títulos situados no século XX, tendo-se como tempo limite o ano de 1998. No entanto, e para não alongar demasiado a cronologia, consideramos, em primeiro lugar, a 1ª metade do século, ficando o tempo posterior para um outro post.
Evidentemente que a produção do denominado "romance histórico" continuou para além do ano que registamos como terminal. De qualquer forma tínhamos que optar por uma data para fazermos o balizamento e foi o que aconteceu.
Todos os acrescentos que possam ser dados através dos "Comentários" serão, obviamente, muito bem vindos, o mesmo se verificando para o período que agora atendemos.
Registamos, então, o seguinte:
1901
- Faustino da Fonseca: Inês de Castro (1901-1902).
- Campos Júnior: Luís de Camões.
- Faustino da Fonseca: A Padeira de Aljubarrota.
1902
- Malheiro Dias: Paixão de Maria do Céu.
- Faustino da Fonseca: As mulheres portuguesas na restauração de Portugal.
- Rocha Martins: Maria da Fonte.
1903
- D. João da Câmara: O conde de Castelo Melhor.
- Campos Júnior: A filha do polaco.
1904
- Alberto Pimentel: O lobo da Madragoa.
- Lobo d'Ávila: Os amores do Príncipe Perfeito.
- Eduardo de Noronha: A ambição de um rei.
1905
- Malheiro Dias: O grande Cagliostro.
- Campos Júnior: Ala dos namorados.
- Faustino da Fonseca: El-Rei D. Miguel.
- Eduardo Noronha: No Brasil.
- A.F. Barata: Um duelo nas sombras.
- Alberto de Castro: Dramas da corte.
- Faustino da Fonseca: Os filhos de Inês de Castro.
- Campos Júnior: Rainha Madrasta.
1906
- Faustino da Fonseca: A arraia miúda.
- Faustino da Fonseca: Os bravos do Mindelo.
- Faustino da Fonseca: Beijos por lágrimas.
- Eduardo de Noronha: O herói de Chaimite Mouzinho de Albuquerque.
1907
- Eduardo de Noronha: O marquês de Nisa.
- Campos Júnior: A estrela de Nagasaqui.
- César da Silva: Amores de uma rainha.
1908
- Marcelino Mesquita: Os quatro reis impostores.
1909
- J.R. Gomes: A filha de Tristão das Damas.
1910
- Campos Júnior: O pagem da duquesa.
- Campos Júnior: A Senhora Infanta.
- Eduardo de Noronha: O Conde de Farrobo e a sua época.
- César da Silva: O Prior do Crato e a sua época.
1911
- Lobo d'Ávila: O rei magnífico.
1913
- Antero de Figueiredo: D. Pedro e D. Inês.
1914
- Sousa Costa: Ressurreição dos mortos.
- Júlio Dantas: Pátria Portuguesa.
- Marques Rosa: D. Mécia.
1915
- Rui Chianca: Ressurreição.
1916
- Antero de Figueiredo: Leonor Teles.
- Rui Chianca: Desventurado amor.
- Alberto Pimentel: Arco de Vandoma.
1918
- Alberto Pimentel: Terra Prometida.
- César da Silva: Os Patuleias.
1919
- Alberto Pimentel: A princesa de Boivão.
1920
- Henrique Lopes de Mendonça: Cenas da vida heróica.
1921
- Marques Rosa: Três mulheres.
- João Grave: Paixão e morte da Infanta.
- D. João de Castro: O pecado de el-rei D. Afonso Henriques.
1922
- Maria Paula Azevedo: Brianda
- Rocha Martins: Bocage.
- César da Silva: O Conde de Castelo Melhor.
1923
- João Grave: Reinado trágico.
- Eduardo de Noronha: José do Telhado.
1924
- Eduardo de Noronha: José do Telhado em África.
- Antero de Figueiredo: D. Sebastião.
- Eduardo de Noronha: Com os olhos da pátria.
1925
- Eduardo de Noronha: Os salteadores do norte.
1926
- Lobo d'Ávila e Fernando Mendes: A verdadeira paixão de Bocage.
- Eduardo de Noronha: Afonso de Albuquerque.
1927
- Marques Rosa: Princesa Joana.
- Eduardo de Noronha: O missionário.
1928
- Rocha Martins: Madre Paula.
- Rocha Martins: Bichinho da conta.
1930
- César da Silva: O marechal Saldanha.
1931
- César da Silva: A execução dos Távoras.
1936
- Aquilino Ribeiro: Aventura maravilhosa.
- Vitorino Nemésio: Isabel de Aragão Rainha Santa.
1937
- Eduardo de Noronha: Berta van Dorth.
- Eduardo de Noronha: As mulheres de Pernambuco.
1940
- Samuel Maia: História maravilhosa de D. Sebastião.
- Carlos Pinto de Almeida: O Mestre de Avis.
1943
- Afonso Lopes Vieira: A paixão de Pedro o Cru.
- Rocha Martins: Batalha de sombras.
1946
- Rocha Martins: Coração português.
1947
- Gentil Marques: Rainha Santa.
1948
- Mário Domingues: O cavaleiro, o monge e o outro.
Cada vez mais nos tempos que correm se apresenta um imperativo falar em Direitos Humanos.
Conhecê-los, considerá-los, interpretá-los e fazê-los aplicar perante as mais diversas situações e perante os mais diversos cenários, é de uma necessidade extrema.
Direitos de cariz político, económico, social, cultural e mesmo relacionados com a ecologia, são importantes. E por isso existem. Estão escritos. Estão teoricamente aceites pela generalidade dos Estados. Mas há resistências. E os argumentos a favor da sua não total aplicação são um facto. Desta forma, e por isso, há sempre vítimas: homens, mulheres e crianças.
A questão do carácter absoluto ou da relatividade da aplicação dos Direitos Humano tem estado e continua a estar na ordem do dia. E aqui os motivos culturais e religiosos apresentam-se como predominantes para as reticências levantadas. Mas também a questão da "ocidentalização" dos Direitos Humanos continua em cima da mesa e encontra-se fortemente relacionada com a anterior.
A consideração e debate em torno da problemática dos Direitos Humanos não é de hoje. A sua evocação pode sempre predominar mais numas alturas do que noutras, conforme também as características da evolução do processo histórico, mas o atendimento à questão é antigo. O século XX deu-lhe um novo impulso, mas as raizes são anteriores.
É, pois esta abordagem que nos propomos, sinteticamente, fazer. Sendo que na História os Direitos Humanos se têm vindo progressivamente a afirmar e a materializar em instrumentos legislativos específicos, impõe-se uma abordagem introdutória, mas simultaneamente, ilustrativa.
É isso que deixamos desde já registado como mais um propósito.
Na sequência do post ontem editado introduzindo a problemática do Romance Histórico em Portugal, apresentamos agora uma cronologia em torno de autores e publicações do século XIX.
Assim:
1842-43
- Rebelo da Silva: Rausso por Homízio.
1843
- Alexandre Herculano: O Bobo (no Panorama. Em livro, mais tarde)
1844
- Alexandre Herculano: Eurico, o Presbítero.
- Oliveira Marreca: O conde soberano de Castela.
1845
- Vicente Pereira de Carvalho Guimarães: Jerónimo Bordalo Bezerra
1846
- Vicente Guimarães- A Guerra dos Emboabas.
- Vicente Guimarães- Os jesuítas na América.
1845-1850
- Almeida Garrett- O Arco de Santana.
1847
- António Pereira de Aragão: A órfã portuguesa e o seu tutor, ou as duas últimas venerandas vítimas da usurpação dos Filipes.
1848
- Alexandre Herculano: O monge de Cister.
- Rebelo da Silva: Ódio velho não cansa.
- Aires Pinto de Sousa de Mendonça e Meneses: O Mestre de Calatrava.
1849
- Aires Pinto de Sousa de Mendonça e Meneses: Rui de Miranda.
1850-51
- Andrade Corvo: Um ano na corte.
1852-53
- Rebelo da Silva: A mocidade de D. João V.
1855
- Camilo Castelo Branco: Livro negro do padre Dinis.
- Rebelo da Silva: A pena de talião.
1856
- Coelho Lousada: A rua escura.
1857
- Coelho Lousada: Os tripeiros.
- Marilde de Santa Ana e Vasconcelos: O soldado de Aljubarrota.
1858
- Luís Joaquim de Oliveira e Castro: A filha de Afonso III ou a conquista do Algarve.
1861
- Arnaldo Gama: Um motim há cem anos.
1862
- Teixeira de Vasconcelos: O prato de arroz-doce.
- Bernardino Pereira Pinheiro: Arzila.
1863
- Arnaldo Gama: O sargento-mor de Vilar.
- Luís Ribeiro de Sotto Maior: Esposa na Lide.
- Bernardino P. Pinheiro: Sombras e luz.
- Rebelo da Silva: Lágrimas e tesouros.
- António Avelino Amaro da Silva: O caramujo.
1864
- Arnaldo Gama: O segredo do abade.
- Arnaldo Gama: A última dona de S. Nicolau.
- António F. Barata: O rancho de Carqueja.
1865
- Arnaldo Gama: O filho do Baldaia.
- Camilo Castelo Branco: A enjeitada.
- Camilo Castelo Branco: Luta de gigantes.
- Rebelo da Silva: A casa dos fantasmas.
- Mendes Leal: Crónicas do século XVII./ Os mosqueteiros de África.
1866
- Camilo Castelo Branco: O olho de vidro.
- Camilo Castelo Branco: O judeu.
- Camilo Castelo Branco: O santo da montanha.
- Arnaldo Gama: A caldeira de Pero Botelho.
- Luís Guedes Coutinho Garrido: Dois aniversários.
1867
- Oliveira Martins: Febo Moniz.
- Camilo Castelo Branco: O Senhor do Paço de Ninães.
- Pinheiro Chagas: A corte de D. João V.
1868
- Silva Gaio: Mário.
- Camilo Castelo Branco: O retrato de Ricardina.
- Camilo Castelo Branco: O santo da montanha.
1871
- Arnaldo Gama: O Balio de Leça.
- A.F. Barata: O Manuelinho de Évora.
- Rebelo da Silva: De noite todos os gatos são pardos.
1872
- Pinheiro Chagas: Os guerrilheiros da morte.
- Pereira Lobato: Os fidalgos do coração de ouro.
1873
- Pinheiro Chagas: A máscara vermelha.
- Pinheiro Chagas: O juramento da duquesa.
- Alberto Pimentel: O anel misterioso.
- Alberto Pimentel: O testamento de sangue.
1874
- Camilo Castelo Branco: O regicida.
- Guiomar Torresão: A família Albergaria.
- Pinheiro Chagas: O terramoto de Lisboa.
- Luís Guedes Coutinho Garrido: Aureliano.
- Bernardino Pereira Pinheiro: Os amores de um visionário.
1875
- Camilo Castelo Branco: A filha do regicida.
- Camilo Castelo Branco: A caveira da mártir.
- Pinheiro Chagas: As duas flores de sangue.
- Manuel Pereira Lobato: A queda de um gigante.
- Pereira Lobato: A baronesa de la Puebla.
1876
- Diogo de Macedo: O cristão novo.
- Manuel P. Lobato: Estandarte Real.
- Alberto Pimentel: Um conflito na corte.
1877
- A.F. Barata: Os jesuítas na corte.
1878
- Pinheiro Chagas: A mantilha de Beatriz.
1879
- Guilhermino Algusto de Barros: O castelo de Monsanto.
1886
- José de Sousa Monteiro: Os amores de Júlia.
1890
- Pinheiro Chagas: A jóia do vice-rei.
- Pinheiro Chagas: A marquesa das Índias.
1891
- Pinheiro Chagas: A descoberta da Índia contada por um marinheiro.
1894
- Henrique Lopes de Mendonça: Os órfãos de Calecut.
- Dom João da Câmara: El-Rei.
1895
- Guilherme Read Cabral: Ângela de Santa Clara.
- Alberto Pimentel: A guerrilha de Frei Simão.
- Alberto Pimentel: O descobrimento do Brasil.
1898
- Campos Júnior: Guerreiro e monge.
- Lobo d'Ávila: A descoberta e conquista da Índia.
- Lourenço Cayolla: O despertar de um sonho.
1899
- Campos Júnior: O Marquês de Pombal.
1900
- Eça de Queirós: A ilustre Casa de Ramires
- Eduardo de Noronha: O agonisar de uma dinastia.
- Lobo d'Ávila: Os caramurús.
- César da Silva: Inês de Castro.
Tendo como ponto de partida a ideia de que desde o início do século XIX o romance histórico adquiriu um papel de crescente relevo no panorama literário português, impõe-se que sobre si seja dada alguma atenção. E tal atenção ainda mais se impõe quando já no século XX se verificam alterações em termos de conteúdo da sua produção, permitindo falar de um estilo diferente daquele apresentado no período anterior. Aspecto fundamental a reter, desde já, neste contexto diferenciador: a inexistência (ou o cair significativo) do valor absoluto do facto histórico. Porque a liberdade interpretativa é maior e porque essa maior liberdade é altamente condicionadora dos conteúdos finais que são apresentados. A apropriação do passado é vista de outra forma. A reinterpretação é uma evidência condutora das modificações mais efectivas, com um maior grau de radicalidade.
Assim sendo, e neste âmbito, serão considerados os seguintes autores (e neles, as suas obras):
SÉCULO XIX:
- Alexandre Herculano
- Almeida Garrett
- Rebelo da Silva
- Camilo Castelo Branco
- Arnaldo Gama
- Pinheiro Chagas
- Alberto Pimentel
(entre outros)
SÉCULO XX
- José Saramago
- Álvaro Guerra
- Mário Cláudio
- Helena Marques
- Maria Isabel Barreno
- Luísa Beltrão
- Baptista Bastos
- Agostina Bessa Luís
- João Aguiar
- António Cândido Franco
- Luisa Costa Gomes
- António Rebordão Navarro
- D. Luiz de Lencastre e Távora
- Seomara da Veiga Ferreira
- Fernando Campos
- Alberto Oliveira Pinto
- Teresa Bernardino
- Miguel Medina
- Mário de Carvalho
- Mário Cláudio
- João Riço Direitinho
- Augusto Abelaria
- Vasco Pereira da Costa
- António Silva Graça
- Ruben A.
- Teolinda Gersão
- António Lobo Antunes
- Fernando Dacosta
Em próximos posts começaremos por apresentar uma cronologia dividida em duas partes, abarcando uma, o século XIX, e outra, o século XX. Nelas será feita a relação entre os escritores e as obras produzidas.
Dando sequência à abordagem que fizemos em torno desta temática no passado dia 21, acrescentamos agora um excerto da apresentação à obra traduzida em português, em particular, relativo à participação do Partido Comunista Português na estratégia de intervenção soviética, escrito por José Pacheco Pereira.
Aponta, então, sobre esta matéria:
"As escassas informações sobre Portugal revelam o papel central do PCP como intermediário activo nas operações soviéticas de 1974-5. Tal não deve surpreender ninguém, dado não só as posições políticas do partido como a formação e mentalidade dos seus dirigentes na longa clandestinidade, como igualmente na dependência do PCP do apoio soviético. Embora com diferenças que vêm da sua história nacional, a própria formação, crescimento e identidade do PCP não é diferente nesta matéria dos partidos comunistas de modelo cominterniano.
Do ponto de vista simbólico, o relato que Mitrokhin dá do primeiro encontro de Álvaro Cunhal depois do 25 de Abril com o residente do KGB em Lisboa, Kuznetsov/ORLOV, é um retrato de qualidade cinematográfica. Não custa a imaginar Cunhal com medo das escutas, obcecado como sempre foi pela segurança, e imbuído até à medula por longos anos de clandestinidade e hábitos de segredo, sentado diante de uma mesa a escrever num papel (...) as perguntas e respostas de um diálogo por escrito, mais tenso do que se fosse falado, com o responsável lisboeta do KGB. (...)
Segundo Mitrokhin a conversa entre Cunhal e Kuznetsov teria sido essencialmente operacional. (...) Cunhal sabia que o que se passava em Portugal em 1974-5 já não era um evento periférico num país menor, com um partido ignorado e muitas vezes ofendido por comparação com os seus camaradas espanhóis. Agora, por um momento, a "revolução" portuguesa era a chave do movimento comunista internacional, substituindo e compensando a tragédia chilena.
Portugal, com o seu império colonial, é uma peça crucial para o espansionismo soviético que conhece nesses anos uma séria impulsão. Quer em África quer no "elo mais fraco da OTAN", Portugal está agora no centro do "grande jogo" e ele sabe que o PCP precisa rapidamente do know how soviético para garantir a "revolução" em Portugal e nas colónias. E quem detém esse conhecimento é os descendentes dos chekistas, o KGB. É o que ele está ali a fazer: a pedir a formação pelo KGB de especialistas em contra-espionagem que o PCP precisa, a pedir material de detecção das escutas e, naturalmente, a retribuir, em nome da solidariedade internacionalista com a pátria do socialismo, com as informações que podiam ser importantes para a URSS. O que é que se esperava de Cunhal, como aliás de outros membros da direcção como um PATRICK tão facilmente identificável, que sempre consideraram essa actividade como uma parte decisiva da luta de classes mundial? (...)".
(Ver: Arquivos de Mitrokhin. Lisboa: Dom Quixote, 2000. Sublinhado nosso.).
Para além das obras e dos artigos referidos e apresentados versando a problemática do Terrorismo nas sociedades contemporâneas, acrescentamos mais um título, em nosso entender, com significativa importância para uma maior exploração e compreensão do fenómeno:
- MARCHUETA, Maria Regina- Reflexões sobre o terrorismo internacional. Lisboa. Edições Duarte Reis, 2003.
Escreve a autora em "Nota prévia"- e nesta chamamos a atenção para as tipologias de Terrorismo e para os dilemas levantados-:
"(...) Os acontecimentos de 11 de Setembro situam-se na ordem do dia, não apenas da agenda política dos governantes, mas também da vivência quotidiana de todas as pessoas, independentemente do lugar onde vivam, para onde se desloquem ou daquele que, por simples desfrute onírico, se situa no horizonte das suas possibilidades ou sonhos.
Mais do que catástrofes naturais, do que as guerras e do que os simples acidentes ocasionais, o fenómeno do terrorismo provoca um temor público generalizado, que excede, na maior parte das vezes, a própria ameaça objectiva. A sua imprevisibilidade, a ausência ou incapacidade de controlo, a gravidade das suas consequências, a vulnerabilidade das estruturas essenciais da sociedade e sua centralização, e a interdependência dos sistemas necessários para a vida moderna, fazem de cada um uma vítima potencial. A combinação destes factores resulta particularmente intimidatória, socialmente inibidora e politicamente frustrante. (...)
Todo o terrorismo secular, seja ele de natureza nacionalista ou simplesmente de oposição política, tem podido ser claramente identificado e nitidamente localizado. Também o terrorismo religioso ou "sagrado", mais recente, tem tido uma área geográfica de actuação preferente, porque limitada a um espaço físico onde estão em causa os valores de uma determinada comunidade de crentes. (...)
Face aos problemas suscitados pelo terrorismo e à necessidade de o combater e erradicar, as sociedades defrontam-se com vários delimas. Um primeiro dilema diz respeito à definição do próprio conceito de terrorismo e à ausência de consenso sobre a abrangência desse mesmo conceito, tendo, nomeadamente, em consideração as diferentes interpretações e interesses políticos, em presença, e a existência de países que colaboram e apoiam o terrorismo. Um segundo dilema prende-se com a eficácia da represália, sendo certo que essa represália pode constituir uma ajuda indirecta à causa terrorista, e que o emprego da violência tende, não só a gerar mais violência, como, também, a ministrar novas justificações para novos actos de violência. Outro dilema tem a ver com o efeito em cadeia da redução da vulnerabilidade social mediante o emprego de uma tecnologia antiterrorista mais avançada, geradora de melhores tácticas e meios terroristas. Ainda, um outro está ligado à adopção de práticas e medidas repressivas que, ao reduzirem as liberdades individuais, podem provocar o descontentamento social, favorecendo, de forma indirecta, também o mundo terrorista.
Por último, refira-se a actual conjuntura política internacional, em que na luta pelo poder mundial e por uma nova hierarquia das potências, a campanha internacional contra o terrorismo pode contribuir para uma nova ordem mundial que, sem atender prioritariamente aos problemas do subdesenvolvimento, não contribua para uma paz duradoura, pondo em risco muitos dos valores e liberdades humanas já consignadas".
Ao longo deste seu trabalho (87 páginas), a autora, sob a forma de capítulos, aborda as seguintes questões:
1. Enquadramento geral da problemática do terrorismo.
2. A problemática do terrorismo e o mundo árabe-islâmico.
3. Os atentados de 11 de Setembro.
4. O ressuscitar das ideologias.
5. O terrorismo internacional da actualidade.
6. A conjuntura mundial do pós-11 de Setembro.
Disponível no mercado uma obra que entendemos de referência para uma melhor compreensão do processo histórico na sua fase mais recente e mesmo em termos de tempo futuro: O mundo depois da guerra no Iraque, publicada pela editora Relógio D'Água.
Contém esta obra textos ou entrevistas dadas de/por várias personalidades nacionais e estrangeiras, os quais incidem sobre questões em torno das seguintes realidades:
- O Estado do Mundo
- Perspectivas sobre o Iraque e o Médio Oriente
- Para onde vai a América de Bush?
- Visões do Terrorismo em 2003
- Os EUA e a Cultura Europeia
- A Guerra como Estratégia
Passamos a especificar:
O ESTADO DO MUNDO
- "O problema dos americanos é que não têm consciência das suas limitações" (Eric Hobsbawm)
- "O resto do mundo" (Adriano Moreira)
- "O risco das arrogâncias" (Adriano Moreira)
- "A frustração orientar-se-á para o terrorismo islâmico" (Abdelwahab Meddeb)
PERSPECTIVAS SOBRE O IRAQUE E O MÉDIO ORIENTE
- "Paz, Segurança e Democracia- I/II/III (José Pacheco Pereira)
- "A intervenção no Iraque: democracia e liberalismo" (Maria Filomena Mónica)
- "Belicismo" (Maria Fátima Bonifácio)
PARA ONDE VAI A AMÉRICA DE BUSH?
- "A nação não está unida. A outra América" (Edward Said)
- "Bush é o presidente mais estúpido que tivemos e serve-se da estupidez como estratégia" (Norman Mailer)
- "Liberdade das pessoas ou do comércio. Fundamentos económicos da diplomacia americana (Raymond Aron)
- "É a altura de entrar em acção contra as nossas guerras no resto do mundo" (Gore Vidal)
VISÕES DO TERRORISMO EM 2003
- "Do terror e dos genes. Para uma deshisterização de duas campanhas de auto-agitação" (Peter Sloterdijk)
- "O niilismo é um problema mundial" (André Glucksmann)
- "A resposta dos EUA" (Noam Chomsky)
OS EUA E A CULTURA EUROPEIA
- "Os arquivos do Éden" (George Steiner)
A GUERRA COMO ESTRATÉGIA
- "Objectivo nacional e objectivo militar" (Liddell Hart)
Referência bibliográfica: AAVV- O mundo depois da guerra no Iraque. Lisboa: Relógio D'Água, 2003).
A propósito dos acontecimentos verificados a 11 de Setembro de 2001 nos EUA (logo, relacionados com a proliferação do Terrorismo) e no âmbito de uma entrevista feita por Joseph Mace-Scaron e Alexis Lacroix, publicada no jornal francês Le Figaro, a 02 de Fevereiro de 2002, André Glucksmann, filósofo francês e estudioso da guerra faz, entre outras, as seguintes observações:
- "(...) A "guerra" de Bin Laden com o seu estilo particular tem de ser colocada na longa duração da guerra contemporânea.
Uma longa duração sob a luz crua de uma estatística: em 1914-18, houve 80 por cento de mortos em uniforme. Entre 1939 e 1945, apenas 50 por cento.
E desde o início da guerra fria até aos ataques de Bin Laden, há 30 milhões de mortos, unicamente em conflitos que não são confrontações de exércitos mas ataques armados contra populações desprotegidas (...).
Há quarenta e sete anos que se contam, portanto, 10 por cento de mortes em uniforme e 90 por cento de civis!
Quando Bin Laden diz: "É um acto de guerra", temos de lhe dar razão: o massacre dos inocentes, e já não a grande batalha entre exércitos, tornou-se a forma dominante de agressão guerreira".
- "A nossa paz é agora tão pouco perpétua que permanece sempre vulnerável a um homem com um cutter, a um atentado a uma central nuclear, etc.
A Europa desde dois últimos séculos cultivava a propensão para negar a morte, uma tendência um pouco louca, irresponsável, dominada pela obsessão da grande saúde, por esse dispositivo que Michel Foucault nomeou de "biopoder", a ideia de que uma ciência social poderia ajudar-nos a triunfar sobre a mortalidade.
A prova de Nova Iorque: o horizonte da nossa vulnerabilidade é inultrapassável. Vivemos a hora do niilismo, do face a face com um mal colectivo sempre a surgir".
- "Resumir o atentado de 11 de Setembro a um fanatismo religioso e afirmar que "é mesmo preciso acreditar em Deus para fazer semelhante coisa", é ter falta de sentido histórico, assim como de conhecimentos literários. (...)
Demasiados comentadores reduziram Dostoievsky a um "se Deus morreu, tudo é permitido", não viram que o furor niilista habita tanto aquele que acredita no Céu como o que não acredita nesse Céu. Dostoievsky mostra, pelo contrário, que o niilismo parte de "tudo é permitido" e que esse axioma governa o seu terrorismo. Com ou sem Deus, por ou contra o Estado, pensa-se que tudo é permitido".
- "O terrorismo niilista não é uma especificidade muçulmana. (...). O niilismo é o denominador comum das grandes ideologias exterminadoras que temos conhecido e conhecemos. Nazismo, comunismo e islamismo vestem diferentemente a mesma pulsão de aniquilamento, que permite também iniciativas mais individuais e locais".
- "O niilismo religioso reclama-se de um deus mais aniquilador do que criador; os niilistas sem Deus alinham com outros pretextos como a raça, a história, para se dedicarem do mesmo modo a fazer tábua rasa. As crenças variam, mas não o furor que as instrumentaliza".
- "O niilismo á agora um problema, não local mas mundial".
- "O niilismo triunfa quando perdemos o conhecimento do mal (...). [O niilismo] não manifesta apenas o gosto de fazer o mal, procede de uma complacência cúmplice. O niilismo é o mal tornado visível pelas consolações da ideologia ou as ilusões de uma miopia egoísta, ou o simples desejo de dormir sossegado (até ao estrondoso despertar)".
(AAVV- O mundo depois da guerra no Iraque. Lisboa: Relógio D'Água, 2003, p. 127-134. Sublinhado nosso).
Na sequência do post por nós apresentado no dia 10 de Setembro intitulado "30º aniversário do golpe de estado chileno: indicações bibliográficas", um leitor do Brasil- Cau-, fez-nos chegar ao espaço "Comentários" dois importantes artigos cuja leitura recomendamos:
a) pela forma como os acontecimentos verificados em 1973 são vistos e interpretados;
b) pelo facto de se arriscarem a ser considerados "politicamente incorrectos" e assim geradores de discussão adicional.
São esses textos os seguintes:
- "Pinochet: ditador assassino ou salvador da pátria?" (Mídia sem Máscara, 9 de Setembro de 2003)
- "Essa ideia de que Allende sofreu um golpe de estado não é tão verdadeira assim. A injustificada canonização de Allende" (Mídia sem Máscara, 17 de Setembro de 2003).
Em post editado no passado dia 11 introduzimos a abordagem do tema Terrorismo na História, na medida em que entendemos ser este uma marca indiscutível naquela que é a sociedade contemporânea (ou, dito de outra forma, nas sociedades contemporâneas). Preenchemos essa introdução com um texto saido no jornal Público da autoria de Pacheco Pereira pelo entendimento (seu) que registava sobre o assunto. Hoje voltou a sair um outro escrito do mesmo pensador que, pela importância inerente, e por complementar o anterior, decidimos apresentar a sua reprodução.
O conteúdo é, então, o seguinte:
" (...) Há razões de fundo para considerar o terrorismo a mais importante ameaça que a humanidade defronta no plano político e internacional dos nossos dias. O terrorismo, que está a crescer no princípio do século XXI, não me canso nem me cansarei de dizer, é uma ameaça, nova na sua forma e conteúdo, e tem um imenso mundo de possibilidades e potencialidades de destruição à sua frente. O seu carácter apocalíptico explorará certamente todas estas possibilidades. Tentará encontrar os meios para matar o maior número de pessoas e perturbar pelo medo, levando à degradação das sociedades democráticas. Uma característica deste terrorismo é exactamente centrar-se ou nas democracias ou nas sociedades que vivem uma difícil transição para a democracia (...). Pode parecer essencialmente antiamericano, mas é mais anti-democrático, é contra os fundamentos e valores da nossa civilização.
O problema do terrorismo apocalíptico está muito para além da conjuntura actual (...).O seu risco maior é a conjugação da vontade destrutiva com os meios ao seu dispor. Tudo joga a favor da eficácia da sua acção, e a sua potencial perigosidade ainda está no começo, ainda está na infância. As armas ao seu dispor dar-lhe-ão os meios para passar a uma fase adulta de todo o tecido internacional. Mesmo ainda antes de falarmos em armas de destruição maciça, é preciso compreender que o 11 de Setembro se revelou que as formas de organização da sociedade contemporânea são propícias a que a acção terrorista se torne altamente eficaz. Meios de transporte de massas, rápidos e "pesados", grandes concentrações humanas nas cidades, efeitos em cadeia. Tudo favorece um alto grau de destruição. As armas químicas, biológicas e nucleares são o meio exponencial, mas, mesmo sem elas, o terrorismo já pode ser altamente mortífero.O modo desta guerra está muito longe quer do conflito militar clássico, quer da guerra de guerrilhas. É um conflito que envolve Estados, grupos, organizações criminosas, tudo numa base internacional. (...)
As redes terroristas modernas são hoje transnacionais, associam-se menos formalmente aos serviços secretos dos Estados, convivem bem com redes criminosas internacionais e andam no mercado de tudo o que sirva para infundir o terror. São tecnologicamente literatas e usam por isso todas as informações e meis técnicos para potenciar a destruição. (...)".
(PEREIRA, José Pacheco- "Terrorismo e sida não são comparáveis". In: Público. 25 de Setembro de 2003, p. 8. Sublinhado nosso).
Pela importância crescente que este tema tem no âmbito da História Geral Contemporânea apresentaremos em post futuro referências bibliográficas relevante para a sua maior compreensão.
Com as produções que se seguem completamos o objectivo traçado com este conjunto de posts. Sempre que entendermos justificar-se, traremos o tema a este blog, por forma a enriquecer o que até agora já ficou registado, assim como o que isso significa em termos de consubstanciamento reforçado da História.
Segue-se:
Papiniano Carlos
"Canção"
Na fome verde das searas roxas/passeava sorrindo Catarina./Na fome verde das searas roxas/ai a papoula cresce na campina!
Na fome roxa das searas negras/que levas, Catarina, em tua fronte?/Na fome roxa das searas negras/ai devoravam os corvos o horizonte!
Na fome negra das searas rubras/ai da papoula, ai de Catarina!/Na fome negra das searas rubras/trinta balas gritaram na campina.
Trinta balas/te mataram a fome, Catarina.
Sophia de Mello Breyner Andresen
"Catarina Eufémia"
O primeiro tema da reflexão grega é a justiça/E eu penso nesse instante em que ficaste exposta/Estavas grávida porém não recuaste/Porque a tua lição é esta: fazer frente
Pois não deste homem por ti/E não ficaste em casa a cozinhar intrigas/Segundo o antiquíssimo método oblíquo das mulheres/Nem usaste de manobra ou de calúnia/E não serviste apenas para chorar os mortos
Tinha chegado o tempo/Em que era preciso que alguém não recuasse/E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea/Eras a inocência frontal que não recua/Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante/em que morreste
E a busca da Justiça continua
José Carlos Ary dos Santos
"Não passam mais"
Em nome dos nossos braços/em nome das nossas mãos/em nome de quantos passos/deram os nossos irmãos./Em nome das ferramentas/que nos magoaram os dedos/das torturas, das tormentas/das sevícias dos degredos./Em nome daquele nome/que herdámos dos nossos pais/em nome da sua fome/dizemos: Não passam mais!
E em nome dos milénios/de prisão adicionada/em nome de tantos génios/com a voz amordaçada/em nome dos camponeses/com a terra confiscada/em nome dos Portugueses/com a carne estilhaçada/em nome daqueles nomes/escarrados nos Tribunais/dizemos que há outros nomes/que não passam nunca mais.
Em nome do que nós temos/em nome do que nós fomos/revolução que fizemos/democracia que somos/em nome da unidade/linda flor da classe operária/em nome da liberdade/flor imensa e proletária/em nome dessa vontade/de sermos todos iguais/vamos dizer a verdade/dizendo: não passam mais!
Em nome de quantos corpos/nossos filhos foram feitos./Em nome de quantos mortos/vivem nos nossos direitos./Em nome de quantos vivos/dão mais vida à nossa voz/não mais seremos cativos:/O trabalho somos nós.
Por isso tornos enxadas/canetas frezas dedais/são as nossas barricadas/que dizem: não passam mais!
E em nome das conquistas/vindas dos ventos de Abril/reforma agrária controlo/operário no meio fabril/empresas que são do Estado/porque o seu dono é o povo
em nome de lado a lado/termos feito um país novo./Em nome da nossa frente/e dos nossos ideais/diante de toda a gente/dizemos: não passam mais!
Em nome do que passámos/não deixaremos passar/o patrão que ultrapassámos/e que nos quer trespassar./E por onde a gente passa/nós passamos a palavra./Cada rua cada praça/é o chão que o povo lavra/passaremos adiante/com passo firme e seguro./O passado é já bastante/vamos passar no futuro.
José Gomes Ferreira
"Não traio"
Não traio/Porque insistes?/Não traio.
Desde criança que meu Pai me ensinou/não haver tempestade/na terra ou nos céus/que não traga/a praga/de um falso herói/salvador da Cidade./Ou a esperança de um semideus/com um raio/na Mão/que tudo destrói/para pintar depois o sol e o Chão/de outra realidade./Mas nunca encontrarás traidores/entre os que sempre como eu sonhámos combustões/de novas flores/com pétalas de asas de liberdade/que só nascem e crescem regadas pelos gritos e lágrimas/das multidões.
Povo, continua!Não páres a tua tempestade.
Continuando a apresentação supra-referenciada:
José Carlos Ary dos Santos
"Soneto escrito na morte de todos os
antifascistas assassinados pela PIDE"
Vararam-te no corpo e não na força/E não importa o nome de quem eras/naquela tarde foste apenas corça/indefesa morrendo às mãos das feras
Mas feras é demais. Apenas hienas/
tão pútridas tão fétidas tão cães/que na sombra farejam as algemas/do nome agora morto que tu tens.
Morreste às mãos da tarde mas foi cedo/Morreste por que não às mãos do medo/que a todos pôs calados e cativos
Por essa tarde havemos de vingar-te/por essa morte havemos de cantar-te:/Para nós não há mortos. Só há vivos.
Mário Dionísio
"Elegia ao companheiro morto"
Meu companheiro morreu às cinco da manhã/ Foi de noite ao fim da noite às cinco em ponto da manhã
Ah antes fosse noite noite apenas noite/sem a promessa da manhã
Ah antes fosse noite noite apenas noite/e não houvesse em tudo a promessa risonha da manhã
Deitado para sempre às cinco da manhã
Agora que sabia olhar os homens com força/e ver nas sombras que até aí não via a promessa risonha da manhã
Mas quem se vai interessar amigos quem
por quem só tem o sonho da manhã?
E uma vez de noite ao fim da noite mesmo ao cabo da noite/meu companheiro ficou deitado para sempre/e com a boca cerrada para sempre/e com os olhos fechados para sempre/e com as mãos cruzadas para sempre/imóvel e calado para sempre
E era quase manhã E era quase manhã
Jorge de Sena
"A cor da liberdade"
Não hei-de morrer sem saber/qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser/desta terra em que nasci./Embora ao mundo pertença/e sempre a verdade vença,/qual será ser livre aqui,/não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,/é quase um crime viver./Mas, embora escondam tudo/e me queiram cego e mudo,/não hei-de morrer sem saber/qual a cor da liberdade.
Miguel Torga
"Não passarão"
Não desesperes, Mãe!/O último triunfo é interdito/Aos heróis que o não são./Lembra-te do teu grito:/Não passarão!
Não passarão!/Só mesmo se parasse o coração/Que te bate no peito./Só mesmo se pudesse haver sentido/Entre o sangue vertido/E o sonho desfeito.
Só mesmo se a raiz bebesse em logo/De traição e de crime./Só mesmo se não fosse o mundo todo/Que na tua tragédia se redime.
Não passarão!/Arde a seara, mas dum simples grão/ Nasce o trigal de novo./Morrem filhos e filhas da nação./Não morre um Povo!
Maria Teresa Horta
"Mulher-resistente"
Eram tantas as torturas.../O Chicote sobre a carne/Que o corpo te inchava/inchava/pelas vergastas cortado
Eram dias sobre noites/em que os olhos te queimaram/em que as veias te romperam/e os ouvidos te rasgaram
Eram meses sobre meses/na cela/só/isolada
Torturas quantas sofreste/minha irmã/sempre calada
Que à polícia não se fala/nem que se morra à pancada!
(Poema dedicado a Mariana Janeiro em nome de todas as mulheres que lutaram contra o fascismo).
Na obra O século XXI. Reflexões sobre o futuro, resultante de uma entrevista concedida pelo historiador a António Polito, considera o primeiro relativamente à percepção de tendências e de caminhos para o futuro por parte do historiador:
"Todos nós prevemos ou tentamos prever o futuro. Faz parte da vida e dos negócios tentar perceber o caminho que o futuro vai percorrer, enquanto nos for possível. Mas o processo de previsão do futuro deve necessariamente apoiar-se no conhecimento do passado. O que irá acontecer tem de estar ligado com o que já aconteceu, e é neste ponto que o historiador entra em cena. Sem procurar ganhar nada com isso, pois o seu trabalho não é explorar o seu conhecimento para obter algum lucro. O que o historiador pode fazer é tentar analisar que partes do passado são importantes, quais são as tendências e os problemas. Devemos então, dentro de certos limites, fazer uma tentativa de previsão, mas com a consciência de poder cair na imitação do vidente. Isto é, temos de saber que grande parte do futuro, na prática e por princípio, é totalmente imprevisível. Parece no entanto que os factos realmente imprevisíveis são os acontecimentos individuais, específicos, e que o verdadeiro problema para os historiadores é perceber a importância que estes podem vir a ter. Por vezes, a análise poderá revelá-los significativos, outras vezes, não. (...) Vemos então que os acontecimentos por vezes não têm importância para a previsão do historiador, outras vezes assumem um significado fundamental. É aqui que está o limite do esforço de previsão. (...)"
(HOBSBAWM, Eric J. - O século XXI. Reflexos sobre o futuro. Lisboa: Editorial Presença, 2000, p. 11-12)
Em sequência do já dito em posts anteriores sobre a por nós denominada "Poesia de Intervenção", apresentamos então, o primeiro grupo de poemas:
António Gedeão
"Enquanto"
Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio/e um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé/para ver como é;/enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas/e correr pelos interstícios das pedras,/pressuroso e vivo como vermelhas minhocas despertas;/enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,/órfãs de pais e de mães,/
andarem acossadas pelas ruas/como matilhas de cães;/enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto/com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,/num silêncio de espanto/rasgado pelo grito da sereia estridente;/enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio/cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas/amassando na mesma lama de extermínio/os ossos dos homens e as treves das suas casas;/enquanto tudo isso acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,/enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,/o poeta escreverá nos muros da cidade:/ ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA.
Sidónio Muralha
"Soneto Imperfeito da caminhada perfeita"
Já não há mordaças, nem ameaças, nem algemas,/que possam perturbar a nossa caminhada,/em que os poetas são os próprios versos dos poemas/e onde cada poema é uma bandeira desfraldada.
Ninguém fala em parar ou regressar./Ninguém teme as mordaças ou algemas./- O braço que bater há-de cansar/e os poetas são os próprios versos dos poemas.
Versos brandos...Ninguém mos peça agora./Eu já não me pertenço: Sou da hora./E não há mordaças, nem ameaças, nem algemas
que possam perturbar a nossa caminhada,/onde cada poema é uma bandeira desfraldada/e os poetas são os próprios versos dos poemas.
João Apolinário
"É preciso avisar..."
É preciso avisar toda a gente/dar notícias informar prevenir/que por cada flor estrangulada/há milhões de sementes a florir.
É preciso avisar toda a gente/segredar a palavra e a senha/engrossando a verdade corrente/duma força que nada detenha.
É preciso avisar toda a gente/que há fogo no meio da floresta/e que os mortos apontam em frente/o caminho da esperança que resta.
É preciso avisar toda a gente/transmitindo este morse de dores./É preciso imperioso e urgente/mais flores mais flores mais flores
A poesia foi em Portugal, como em muitos outros sítios, uma arma inequívoca e poderosíssima de actuação ou de pronunciação contra o regime ditatorial. Como o foi também a prosa, donde se destaca aquela inserida na denominada "Literatura Neo-Realista".
Por agora falemos só de poesia, chamando a atenção, em estilo de introdução, para aquela que foi alguma da produção de alguns dos nossos poetas.
O Estado Novo foi o visado. As políticas repressivas e os seus agentes, foram os alvos particulares. As condições de vida, a falta de liberdade e a luta do povo, os referenciados. O desejo de mudança, uma constante.
Porque no âmbito da História, a vertente da Cultura, reveste especial importância para a compreensão de uma totalidade mais alargada, sendo também o seu reflexo, deixamos então umas breves referências, susceptíveis de permanente complementar e enriquecimento.
Poetas e suas produções:
António Gedeão
- "Enquanto"
Sidónio Muralha
- "Soneto imperfeito da caminhada perfeita"
João Apolinário
- "É preciso avisar..."
José Carlos Ary dos Santos
- "Soneto escrito na morte de todos os antifascistas assassinados pela PIDE"
- "Não passam mais"
Mário Dionísio
- "Elegia ao companheiro morto"
Jorge de Sena
- "A cor da liberdade"
Miguel Torga
- "Não passarão"
Maria Teresa Horta
- "Mulher resistente"
Papiniano Carlos
- "Canção"
Sophia de Mello Breyner Andresen
- "Catarina Eufémia"
José Gomes Ferreira
- "Não trairei"
De todos estes poemas faremos reprodução em post posterior.
Olavo de Carvalho, pensador brasileiro, escreveu a 16 de Agosto deste ano um artigo para o jornal Globo intitulado "A História segundo Godot". Neste texto, apresenta a sua ideia relativamente à forma como os intelectuais com formação marxista analisam a realidade, logo, o processo histórico que se constrói diariamente, incidindo particularmente, e a este propósito, na questão da vivência e interpretação do Tempo.
Deste artigo apresentamos aqui o seguinte excerto:
"Entre intelectuais de formação marxista, é endêmica a dificuldade de raciocinar desde os fatos, desde a experiência direta, sem o apelo a todo um esquadrão de premissas dogmáticas, de pressupostos indeclarados, cujo poder de validar conclusões depende por inteiro da cumplicidade de um público linguisticamente intoxicado. A fé comum, a rede de crenças semiconscientes cristalizada num extenso rol de cacoetes verbais coletivos, tem o dom de infundir credibilidade em afirmativas que, examinadas com um pouquinho, só um pouquinho de senso crítico, se revelam absolutamente insustentáveis.
A expressão "capitalismo tardio", por exemplo, é usada a torto e a direito para dar a entender algo que se toma por abundantemente conhecido e demonstrado. Acabo de relê-la, pela milionésima vez, na entrevista de Roberto Schwarz à revista Cult, onde ele a repete com a mesma candura bisonha de gerações e gerações de marxistas. A referência cronológica do adjectivo é claramente absurda. Ela dá a entender que o capitalismo tem um prazo fixo de existência histórica, já vencido, sendo toda a existência posterior desse sistema um acidente protelatório que, no fundo, não altera em nada o cronograma infalível da profecia socialista. Em quase metade do planeta, o que acabou foi o socialismo, enquanto o capitalismo continua se expandindo, indiferente às profecias. Mas basta pronunciar a jaculatória "capitalismo tardio", e num instante as doses respectivas de realidade e fantasia se invertem: os fatos tornam-se evanescentes, a hipótese messiânica adquire a presença real, física, de um fato consumado. É um ritual de magia teúrgica, a evocação de uma miragem que, pelo poder da fé, se torna mais real do que o mundo presente. (...).
Mais que um ato de fé, é um distúrbio psicótico da percepção de tempo. (...) Na historiografia marxista (...) [é a] época do socialismo, que, encarregada de personificar a meta a que conduzem as épocas anteriores, se investe, por impregnação semântica, dos outros dois atributos da eternidade: torna-se a chave da cronologia e o ponto fixo por cima de todos os tempos, o supra-fato permanente do qual os fatos da História são meras aparências ou camuflagens provisórias.
A psicose marxista faz de um futuro conjetural a suprema realidade incumbida não só de medir o avanço dos tempos, mas de conferir ou negar realidade a cada um conforme se aproxime ou se afaste da expectativa projetada para além deles. O futuro deixa de ser contingente, tornando-se necessário, enquanto o passado deixa de ser fato irreversível para tornar-se hipótese contingente que o futuro há de validar ou impugnar, não quando e se esse futuro vier a se realizar, mas desde já. Embora nenhum teórico socialista possa dizer quando o tal socialismo virá a imperar no mundo, a duração maior ou menor do capitalismo é antecipadamente medida na escala do esperado advento do seu sucessor, o Godot da cronologia histórica, transfigurado em papel-título do "Exterminador do Futuro" (...)".
O artigo completo pode ser lido em:
Só um pequeno apontamento para chamar a atenção que nos encontramos em fase de pesquisa e recolha de alguns poemas "de intervenção" onde os seus autores procuram expressar as consequências da vivência da Ditadura nos indivíduos (em Portugal).
Na sequência deste nosso trabalho serão divulgados alguns nomes e títulos dos poemas respectivos.
Se eventualmente tiverem contributos a dar sobre esta matéria o espaço "Comentários" está à disposição.
Já agora: como tenho sido contactada por amigos do Brasil, que dêem também o seu contributo referenciando a realidade do seu país nesta área.
No âmbito de um Seminário intitulado "Para a história da oposição ao Estado Novo", realizado na Universidade Nova de Lisboa a 9 de Abril de 1992, apresenta Álvaro Cunhal, as seguintes ideias referentes à actuação do PCP nos tempos de Ditadura:
"Não é exacta a ideia por vezes avançada de que o PCP nos anos sombrios de clandestinidade se caracterizava por ser um núcleo político fechado, mergulhado numa existência conspirativa e secreta, afastado da vida, do povo, das massas. Tal ideia não corresponde à realidade.
Sem dúvida que, durante os 48 anos de ditadura, o PCP foi a força política que, pelos métodos de organização e acção adoptados, se revelou mais capaz de actuar nas condições de uma severa clandestinidade. Mas, ao mesmo tempo, mais que nenhuma outra força política estabeleceu, manteve e aprofundou nesses anos a ligação com a classe operária, com o povo, com a vida social, política e cultural do país. Quem esteja interessado em investigar esta matéria, encontra valiosos elementos informativos nos jornais clandestinos publicados regularmente (nomeadamente o "Avante!", "O Militante", "O Têxtil", "O Corticeiro", "O Camponês", "A Terra" e outros) e poderá tomar contacto com uma informação viva de situações, de problemas e de lutas mostrando essa profunda ligação. Ligação diária, ligação constante. (...)
O PCP (...), como meio indispensável para chegar às massas, informá-las, influenciá-las, esclarece-las, estimulá-las, organizá-las para a luta, não só aproveitava as possibilidades de acção legal e semi-legal que se pudessem oferecer, como tomava a iniciativa de criá-las. (...). De sublinhar, em relação com este aspecto específico da luta antifascista, o papel dos intelectuais (escritores, artistas plásticos, músicos, cantores, actores, professores) não só participando nas formas gerais de luta antifascista, mas dando também uma ímpar contribuição para a cultura e a defesa de valores democráticos com a sua obra específica.
A íntima ligação com a classe operária, os trabalhadores em geral, os intelectuais, a juventude, e o aproveitamento ou criação de formas de organização legal e semi-legal, eram indissociáveis de uma concepção fundamental do PCP: que a luta popular de massas constituia uma frente de luta determinante e um motor do desenvolvimento do processo que conduziria à revolução antifascista.
A luta do PCP contra a ditadura não se resumia ao desmascaramento da política fascista e ao protesto contra ela. A luta foi conduzida de forma a suscitar, promover e organizar a luta popular com objectivos concretos e imediatos. (...)
Será uma inadvertência de qualquer estudioso da resistência antifascista dar menos atenção e menosprezar o que foram e o que significaram as lutas de massas no tempo da ditadura. Apesar das perseguições e da repressão fascista, a história da resistência é uma história de greves, de manifestações, de concentrações, de campanhas políticas, em muitos casos de extraordinária amplitude, grandeza, nível de organização e heroísmo, que não só constituiram uma demonstração de elevada consciência e combatividade do povo português (com particular relevo da classe operária, dos intelectuais e da juventude), não só incapacitaram o fascismo de criar uma verdadeira base de massas, como constituiram uma valiosíssima escola que acabou por conduzir o regime ao progressivo isolamento e o povo a objectivos gerais de liberdade que vieram a ter exaltante expressão no levantamento popular que se seguiu imediatamente ao levantamento militar do 25 de Abril e ao derrubamento do governo fascista e que, em aliança com os militares do MFA, acabou por determinar as grandes transformações democráticas então verificadas e a instauração e institucionalização do regime democrático. (...)".
(CUNHAL, Álvaro- "O Partido Comunista da "reorganização" dos anos 40 ao 25 de Abril". In: Alguns textos para a história do Partido Comunista Português. Para furar o bloqueio do pensamento único. Amadora: Edição da Comissão Concelhia da Amadora do PCP, 2003, p. 41-44. Sublinhado nosso).
Pelo facto da comunicação proferida pelo ex-Secretário Geral do PCP se revestir de elevado nível de interesse na abordagem que faz a questões diversificadas no âmbito daquele que é o tema global em análise, outros excertos serão aqui apresentados, não necessariamente de acordo com a ordem do discurso- porque isso não é relevante para os objectivos que pretendemos atingir-, mas conforme nos parecer mais conveniente para o que entendermos chamar a atenção.
Desenvolvendo uma análise dos tempos que estamos a viver, e que fazem parte de um percurso histórico que está (tem estado) a decorrer, Mário Soares escreve o seguinte no "Prefácio" à obra A incerteza dos tempos, resultante de uma entrevista conduzida por Mário Bettencout Resendes (e já neste blog referenciada):
" (...) A luta contra o terrorismo global- para ser ganha, como é necessário- não pode ser dissociada da luta contra a pobreza, em favor da Justiça, dos Direitos Humanos e da Paz. A violência, em todos os seus aspectos, alimenta o terrorismo. Como a "globalização depredadora", uma vez que o chamado "dinheiro sujo" necessita das especulações financeiras e das "economias de casino", para que grupos suspeitíssimos possam "lavar o dinheiro" e depois o remetam nos circuitos normais. O terrorismo islâmico, como parece estar provado, também aproveita desse tipo de situação. Haverá alguém com a vontade e a coragem para investigar tudo isso a sério? Mais tarde ou mais cedo, terá que acontecer, sob pena de a perversão especulativa do capitalismo se agravar, descredibilizando em absoluto o sistema.
Uma das consequências da globalização sem ética em que nos encontramos é a lenta deteriorização dos sistemas democráticos a que também estamos a assistir. (...)
Depois do colapso do comunismo, no Ocidente tornou-se moda pensar que as revoluções sociais são fenómenos do passado. Mas nada nos prova que seja assim. As gritantes injustiças do mundo alimentam necessariamente sentimentos de revolta, que começam a manifestar-se por toda a parte. Espontânea e desordenadamente. É um fenómeno novo, característico do novo século, que a Internet, por enquanto, estimula: o sentimento da cidadania global.
É preciso, por isso, ter a coragem intelectual de afirmar que é possível construir um Mundo diferente e reclamar uma globalização alternativa, baseada em regras éticas e regulamentada no plano internacional. Por outro lado, há que compreender que a violência não serve a causa generosa da luta por um Mundo melhor e mais humano: compromete-a. Contra sociedades abertas e, por enquanto, democráticas nos seus fundamentos jurídicos- e nas mentalidades- as armas da razão, da denúncia da injustiça e da persuação- pela palavra, pela escrita e pela manifestação pacífica, no caminho que nos foi mostrado por homens como Gandhi e Martin Luther King- são as mais eficazes, desde que utilizadas com inteligência e sentido de responsabilidade. (...)".
(SOARES, Mário- A incerteza dos tempos. Entrevista de Mário Bettencourt Resendes. Lisboa: Notícias Editorial, 2003, p. 22-24).
Após a leitura deste excerto chamamos a atenção para a retenção dos seguintes conceitos, fundamentais em História Contemporânea:
- Terrorismo (Islâmico)
- Globalização
- Democracia
- Direitos Humanos
- Cidadania Global
- Regulamentação Internacional
No passado dia 10 deste mês editamos um post referindo (ou fazendo lembrança) do 30º aniversário do Golpe de Estado Chileno.
Saido recentemente para o mercado, através das Edições Asa, mais um livro de Luis Sepúlveda. Desta vez, O general e o juíz, precisamente a propósito do aniversário salientado.
Com esta obra (92 páginas) encontramo-nos perante um conjunto de textos escritos entre 1998 e 2000, para diversos jornais da Europa e da América Latina, que permitem precisamente recordar acontecimentos, interpretar e reler a História. Permitem também, e nessa sequência, problematizar bastante, em particular, o papel dos EUA neste mesmo processo histórico.
Recorde-se que no ido ano de 1998 Augusto Pinochet, por ordem do juiz espanhol Baltazar Garzón, foi preso em Inglaterra. Todo o processo terminou com a conclusão relativa ao estado de loucura do antigo ditador e com a sua entrega às autoridades chilenas.
Por entendermos valer a pena, deixamos aqui algumas ideias registadas por Luis Sepúlveda no capítulo da obra em referência, intitulado "Jornadas de luta":
" (...) Pinochet, a direita chilena e o Departamento de Estado norte-americano dirigido por Henry Kissinger forneceram a maldade, a tortura, os desaparecimentos, o exílio, a morte. Nós fornecemos a coragem e as vítimas.
Foi longa a luta no Chile e no exílio. Os camaradas da resistência interna não lhes deram um único dia de descanso. Enquanto os pusilânimes dirigentes negociavam uma espécie de novo modelo inspirado no Leopardo, onde tudo devia mudar para que tudo continuasse na mesma, os resistentes socialistas, comunistas, do MIR, da Frente Patriótica Manuel Rodríguez, os cristãos pelo socialismo encarregaram-se de recordar ao ditador, durante dezasseis anos, que enfrentava uma dignidade inspirada no Conde de Monte Cristo e cujo lema "Nem esquecimento nem perdão" seria seguido e mantido, não obstante os esforços claudicantes daqueles que negociavam um possível regresso à normalidade democrática, regresso que o ditador só aceitou quando, apesar dos assassinatos e desaparecimentos sistemáticos, se encontrou num estado de debilidade face a um povo que resistia. (...)"
Por considerar o papel interveniente que o escritor deve ter, Sepúlveda dá mais um contributo através da sua escrita, para o não esquecimento ou para o não desprezo pela memória e branqueamento da História.
Por isso e só por isso, deve ser incluido na galeria de todos aqueles que utilizam a Literatura como arma, como tradução do inconformismo e como impulso para a mudança.
Disto precisa bastante a História para poder continuar a fazer o seu percurso e para alcançar efectivo sentido.
Não poderia por nós deixar de ser referida esta publicação, pela importância que o conteúdo da mesma permite acrescentar à História Contemporânea de Portugal, assim como pelo que possibilita esclarecer relativamente ao papel crucial dos arquivos e, consequente manuseamento da documentação:
Arquivos de Mitrokhin. Lisboa: Dom Quixote, 2000.
Com prefácio à edição portuguesa feito por Pacheco Pereira, retiremos alguns excertos relativos especificamente a Portugal, naquilo que teve a ver com os arquivos da PIDE/DGS :
"Portugal ocupa uma pequena parte no arquivo de Mitrokhin e quase toda centrada nos acontecimentos de 1974-5. (...)
[No âmbito de operações soviéticas verificadas em Portugal]... avulta o envio, em 1975, para Moscovo de uma parte significativa do arquivo da PIDE/DGS. (...) Para compreendermos a importância deste envio de documentos (...) temos de ter em conta que o âmbito de acção da PIDE/DGS era incomum nas polícias dos países fora da esfera soviética e muito semelhante ao do próprio KGB. A PIDE era uma polícia com funções instrutórias, com controlo de fronteiras, com controlo de actividades paramilitares. Era a interlocutora portuguesa de muitas outras polícias diferenciadas e serviços de informação estrangeiros. Era igualmente uma polícia política de um pais da OTAN (...)
Entre o material que receberam conta-se, sem dúvida, tudo o que diz respeito às relações da PIDE com os serviços de informação ocidentais, em particular a CIA, o FBI, os serviços ingleses e espanhóis, sul-africanos, rodesianos. Embora a PIDE/DGS não recebesse informação do mais alto grau, a não ser numa estrita "necessidade de saber", e mesmo assim muitas vezes na base de contactos pessoais com agentes determinados, recebia relatórios de síntese e pedidos de informação que revelavam os conhecimentos e os interesses dos serviços ocidentais. Para o KGB iria ser precioso.
É preciso não esquecer que em 1975 os arquivos da PIDE não eram arquivos "mortos" com interesse apenas para os historiadores, mas sim arquivos com grande potencial operacional que permitiam tudo: desmascarar informadores, identificar infiltrações, fazer chantagem, etc, etc. (...)".
O próximo post incidirá sobre o papel do Partido Comunista Português, de acordo com o prefaciador, em todo este cenário de operações soviéticas nos anos de 1974-1975.
Dando sequência ao primeiro posts com este título apresentado, registamos agora, como estipulado, as obras salientadas por António Ventura, e das quais acrescenta excerto, para cada um dos individuos recordados ou referenciados:
Acácio Tomás de Aquino
Obra: O segredo das prisões atlânticas. Lisboa: A Regra do Jogo, 1978
Adelino da Palma Carlos
Obra: Um só rosto. Uma só fé. Conversas com Adelino da Palma Carlos (Autoria de Helena Sanches Osório). Lisboa: Edições Referendo, 1988.
Aida Paula
Obra: Com a certeza de quem quer vencer. Lisboa: Edições Sociais. Col. Episódios da Resistência Antifascista contados por quantos a viveram. Nº 4, 1974.
Alberto Vilaça
Obra: De memória em punho. Histórias que Abril soltou. Coimbra: Minerva, 1992.
Alexandre Babo
Obra: Recordações de um caminheiro. Fundão: Jornal do Fundão, 1984.
Alexandre Cabral
Obra: Memórias de um resistente. Porto: Editorial Inova, 1970.
Alexandre Fernandes Vieira
Obra: Em volta da minha profissão. Subsídios para a história do movimento operário no Portugal continental. Lisboa: Edições do Autor, 1950.
Álvaro Cunhal
Obra: O caminho para o derrubamento do fascismo. Lisboa: Edições Avante! Cadernos de História do PCP, 1997.
António Alçada Baptista
Obra: A pesca à linha. Algumas memórias. Lisboa: Editorial Presença, 1998.
António Alexandre Tereso
Obra: Fuga de Caxias no carro blindado do Salazar. Lisboa: Edições Sociais. Col. Episódios da Resistência Antifascista contados por quantos os viveram. Nº 3, s.d.
António Macedo
Obra: Na outra margem de Abril. Pequenas histórias de grandes homens. Lisboa: Cadernos O Jornal, 1988.
António Modesto Navarro
Obra: Prisão e isolamento em Caxias. Uma breve experiência. Lisboa: Ed. N.A, 1974.
António Neves Anacleto
Obra: A longa luta. Preso, algemado e deportado. Lisboa: Ed. do Autor, s.d.
António Simões de Abreu
Obra: A raiva de Salazar contra a unidade democrática representada por Humberto Delgado e outros episódios por mim vividos em 32 anos de luta antifascista. Lisboa: Edições Sociais, Episódios da Resistência Antifascista Vividos por Quantos a Viveram. Nº 6, 1975.
Armindo Rodrigues
Obra: Um poeta recorda-se. Memórias de uma vida. Lisboa: Cosmos, 1998.
Bento Gonçalves
Obra: Duas Palavras. Edições Cinquentenário do PCP, 1971.
Cândida Margarida Ventura
Obra: O socialismo que eu vivi. Testemunho de uma ex-dirigente do PCP. Lisboa: O Jornal, 1984.
Cândido de Oliveira
Obra: Tarrafal, o pântano da morte. Lisboa: Editorial República, 1974.
Carlos Brito
Obra: Tempo de subversão. Páginas vividas da resistência. Lisboa: Edições Avante!. Col. Resistência, 1998.
Carlos de Almeida
Obra: Nos cáceres do fascismo. Notas. Escritos. Reflexões. Coimbra: Atlântida Editora, 1974.
Celso Cruzeiro
Obra: Coimbra, 1969. Porto: Edições Afrontamento, 1989.
César Oliveira
Obra: Os anos decisivos. Portugal 1962-1985. Um testemunho. Lisboa: Editorial Presença, 1993.
Correia Pires
Obra: Memórias de um prisioneiro do Tarrafal. Lisboa: Edições déagá, 1975.
Cunha Leal
Obra: Coisas dos tempos idos. As minhas memórias. Arrastado pelo tufão. De 28 de Maio de 1926 a 4 de Dezembro de 1930. Lisboa: Edição do Autor, 1968.
Domingos Fernandes de Carvalho
Obra: Luta de corticeiros. Lisboa: Edições Sociais. Col. Episódios da Resistência Antifascista contados por quantos a viveram, 1975.
Edmundo Pedro
Obra: 45 anos de luta pela democracia sindical. Reflexões de um militante. Lisboa: Fundação José Fontana, 1979.
Emídio Santana
Obra: Tempos de luta, de adversidade e de esperança. Memórias de um militante anarco-sindicalista. Lisboa: P&R, s.d.
Fernando de Brito Mateus
Obra: Há sempre alguém que resiste... Cova da Piedade. Edição da Junta de Freguesia da Cova da Piedade, 2001.
Fernando Gusmão
Obra: A fala da memória. Lisboa: Escritor. 1993.
Fernando Miguel Bernardes
Obra: Escrito na cela. Lisboa: Edições Avante!. Col. Resistência. Nº 13, 1982.
Fernando Mouga
Obra: Janela da Memória (gente, bichos, factos e outras coisas que tecem a vida e á vida chegaram nas voltas do mundo). V.N Famalicão: Ed. do Autor, 1996.
Fernando Queiroga
Obra: Portugal oprimido. Subsídios para a história do fascismo em Portugal. Lisboa: Editorial O Século, 1974.
Francisco Ferreira
Obra: 26 amos na União Soviética. Notas de exílio do Chico da CUF. Lisboa: Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1976.
Francisco Horta Catarino
Obra: Falando do reviralho. Lisboa: Edições do Autor, 1978.
Francisco Miguel
Obra: Uma vida na revolução. Porto: A Opinião, 1977.
Garcez da Silva
Obra: Alves Redol e o grupo neo-realista de Vila Franca. Lisboa: Ed. Caminho, 1990.
Gilberto de Oliveira
Obra: Memória viva do Tarrafal. Lisboa: Edições Avante!, 1987.
Henrique de Barros
Obra: Quase um século... memórias sintéticas. Lisboa: Gradiva, 1991.
Henrique Galvão
Obra: Crónica das horas vazias. Lisboa: Livraria Popular de Francisco Franco, s.d.
Hipólito Raposo
Obra: Folhas do meu cadastro (1926-1952). Lisboa: Comissão do Centenário de Hipólito Raposo, 1986.
Humberto Delgado
Obra: Memórias. Lisboa: Edições Delfos. Col. Compasso do Tempo, Nº 18, 1974.
Jacinto Baptista
Obra: Caminhos para uma revolução. Lisboa: Bertrand, 1975.
Jaime Serra
Obra: Eles têm o direito de saber. Páginas da luta clandestina. Lisboa: Edições Avante!. Col. Resistência, 1997.
João Faria Borda
Obra: A revolta dos marinheiros. Lisboa: Edições Sociais. Col. Episódios da Resistência Antifascista Contados por Quantos a Viveram, 1974.
João Honrado
Obra: Falando Alentejo. Beja. Ed. da AMDB, 1999.
João Medina
Artigo: "O meu 25 de Abril". In: História de Portugal. Vol. XIV (dir. João Medina). Lisboa: Ediclube, 1993.
João Sarmento Pimentel
Obra: Memórias do capitão. Porto: Editorial Inova, 1974.
João Varela Gomes
Obra: Tempo de resistência. Lisboa: Ler Editora, 1980.
Joaquim Campino
Obra: Histórias clandestinas. Lisboa: Col. Resistência, 1990.
Joaquim Gomes
Obra: Estórias e emoções de uma vida de luta. Edições Avante!. Col. Resistência, 2001.
Joaquim Pires Jorge
Obra: Com uma imensa alegria. Notas autobiográficas. Lisboa: Edições avante!. Col. Resistência, 1984.
Joaquim Ribeiro
Obra: No tarrafal prisioneiro. Porto: A Opinião. Col. Depoimentos. Nº 2, 1976.
João Augusto França
Obra: Memórias para o ano 2000. Lisboa: Livros Horizonte, 2000.
José Francisco
Obra: Episódios da minha vida familiar e de militante confederal. Lisboa: Edições Sementeira, 1982.
José Gomes Ferreira
Obra: Revolução necessária. Lisboa: Diabril, 1975.
José Jorge Letria
Obra: Uma noite fez-se Abril. Lisboa: Hugin Editores, 1999.
José Magalhães Godinho
Obra: Pela liberdade. Lisboa: Alfa. Col. Testemunhos Contemporâneos, 1990.
José Magro
Obra: Cartas da prisão. Vida prisional. Lisboa: Edições Avante!. Col. Resistência, 1975.
José Manuel Tengarrinha
Obra: Combates pela democracia. Lisboa: Seara Nova. Col. Que País? Nº 9, 1976.
José Régio
Obra: Páginas do diário íntimo. Lisboa: Círculo de Leitores, 1994.
José dos Reis Sequeira
Obra: Relembrando e comentando (memórias de um operário corticeiro) 1914-1938. Lisboa: A Regra do Jogo, 1978.
José Ribeiro dos Santos
Obra: Memórias da memória. Lisboa: Edições Rolim, 1986.
José Rodrigues Miguéis
Obra: Aforismos e desaforismos de Aparício. Lisboa: Editorial Estampa, 1996.
José Silva
Obra: Memórias de um operário. 2º vol. Porto, 1971.
Kalidás Barreto
Obra: Subsídios para a história do movimento operário em Castalheira de Pêra. Porto: Umbertipo, 1983.
Lino de Carvalho
Obra: 1969. Um marco no caminho para a liberdade. Lisboa: Edições Avante!. Col. Resistência, 2000.
Lino Lima
Obra: Romanceiro do povo miúdo. Memórias e confissões. Lisboa: Edições Avante!. Col. Resistência, 1991.
Lino Santos Coelho
Obra: Memórias de um rebelde. Testemunhos do terror fascista. Lisboa: Editor em Marcha, 1981.
Luís Calafate
Obra: A liberdade tem um preço. Póvoa do Varzim: Edição do Autor, 1975.
Manuel Barbosa
Obra: Luta pela democracia nos Açores. Coimbra: Centelha, 1978.
Manuel da Costa e Melo
Obra: Memórias Cívicas 1913-1983. Coimbra: Almedina, 1988.
Manuel Firmo
Obra: Nas trevas da longa noite. Da Guerra Civil de Espanha ao Campo do Tarrafal. Lisboa: Publicações Europa-América, 1978.
Manuel Francisco Rodrigues
Obra: Tarrafal, aldeia da morte. O diário da B5. Porto: Brasília Editora, s.d.
Manuel Guedes
Obra: El paseo. Memórias dum preso político português na cadeia de Cáceres, durante a Guerra Civil de Espanha. Lisboa: Edições Sociais. Col. Episódios da Resistência Antifascista Contados por Quantos a Viveram. Nº 7, s.d.
Manuel Joaquim de Sousa
Obra: Últimos tempos de acção sindical livre e do anarquismo militante. Lisboa: Antígona, 1989.
Manuel da Silva
Obra: 30 anos de vida e de luta na clandestinidade. Lisboa: Edições Avante!. Col. Resistência, 1996.
Manuel Rodrigues Lapa
Obra: As minhas razões. Memórias de um idealista que quis endireitar o mundo. Coimbra: Coimbra Editora, 1983.
Manuela Câncio Reis
Obra: Eles vieram de madrugada. Cartas para a clandestinidade a Soeiro Pereira Gomes. Lisboa: Editorial Caminho, 1981.
Mário Dionísio
Obra: Autobiografia. Lisboa: O Jornal, 1987.
Mário Pais de Oliveira
Obra: Cartas da prisão. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1975.
Mário Sacramento
Obra: Diário. Porto: Editorial Limiar, Obras de Mário Sacramento 1, 1975.
Mário Soares
Obra: Portugal amordaçado. Lisboa: Arcádia, 1974.
Mateus da Silva Gregório
Obra: Caderno dum resistente. Portimão: Edição do Autor, 1992.
Miguel Wager Russell
Obra: Recordações dos anos difíceis. Lisboa: Edições Avante!, 1976.
Miguel Torga
Obra: Diário XI. Coimbra: Edição do Autor, 1973.
Norton de Matos
Obra: Mais quatro meses da minha candidatura à presidência da república. Porto: Edição do Autor, 1949.
Orlando Gonçalves
Obra: Diário de um encarcerado. Os últimos dias do fascismo. Amadora: NA- Orion, 1974.
Pedro Rocha
Obra: Escrito com paixão. Lisboa: Editorial Caminho. Col. Nosso Mundo, 1991.
Pedro Soares
Obra: Tarrafal, campo da morte lenta. Lisboa: Edições Avante!. Col. Resistência, 1975.
Policarpo Marcelino Gonçalves
Obra: Alguns apontamentos sobre as recordações da minha vida. Pernes: Edição do Autor, 1997.
Raimundo Pedro
Obra: ARA. Acção revolucionária armada. história secreta do braço arnado do PCP. Lisboa: Publicações D. Quixote. Col. Caminhos da Memória, 2000.
Raul Rego
Obra: Diário político. Lisboa: Edição do Autor, s.d.
Rui Perdigão
Obra: O PCP visto por dentro e por fora. Lisboa: Fragmentos, 1988.
Sá Cardoso
Obra: Memórias duma época e apontamentos políticos. Lisboa: Edição do Autor, 1973.
Sérgio Ribeiro
Obra: ... Porque vivi e quero contar. Lisboa: Prelo Editora/Editorial Estampa, 1983.
Silva Marques
Obra: Relatos da clandestinidade- o PCP visto por dentro. Lisboa: Edições Jornal Expresso, 1976.
Sottomayor Cardia
Obra: O dilema da política portuguesa. Lisboa: Prelo, 1971.
Vasco da Gama Fernandes
Obra: Depoimento inacabado. Lisboa: Edições Europa-América, 1975.
Vergílio Ferreira
Obra: Contra-Corrente 1 (1969-1976). Lisboa: Livraria Bertrand, 1980.
Virgínia Moura
Obra: Mulher de Abril. Álbum de memórias. Lisboa: Edições Avante!, 1966.
Extraída dos Estudos sobre o Comunismo , de José Pacheco Pereira, a informação relativa à realização de um colóquio nos próximos dias 21 e 22 de Novembro de 2003 no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa , subordinado ao tema "Estaline em Portugal":
Nota introdutória
"Quem poderia supor que aquele georgiano, nascido a 21 de Dezembro de 1879 em Gori, filho de um sapateiro, que entrou em 1888 para o seminário de Tiflis- expulso no ano seguinte- seria uma das figuras mais controversas do século XX? Joseph Vissarionovitch Djugashvilli era este o seu nome verdadeiro [mas] tornar-se-á conhecido com o nome de guerra de Estaline.
Sucessor de Lenine, dirigirá a URSS até à sua morte, a 5 de Março de 1953. Com o seu desaparecimento terminou uma época para a URSS e para o mundo. Raros políticos terão suscitado sentimentos tão desencontrados. Idolatrado por milhões, chamaram-lhe "pai dos povos" e "guia dos trabalhadores de todo o mundo".
Construiu, sem olhar a meios, uma grande potência á escala mundial. Poetas, escritores e pintores dedicaram-lhe obras que ficaram célebres. Para outros, Estaline foi um homem ambicioso que não olhou a meios para atingir os fins, eliminando impiedosamente os adversários, aliando-se com Hitler, numa espiral de crueldade que só foi denunciada publicamente durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética. Libertador dos oprimidos. Czar vermelho. Homem de aço. Monstro. Amado. Odiado. É, certamente, uma figura aliciante para o historiador...
O Centro de História da Universidade de Lisboa vai realizar um colóquio, nos próximos dias 21 e 22 de Novembro do corrente ano de 2003, quando se assinalam os 50 anos da morte de José Estaline. Nele participarão especialistas de diversas áreas e formações, constituindo um leque plural, com o objectivo de reflectir sobre as repercussões em Portugal de José Estaline o homem, o mito, o político nos mais diversos campos".
Informações
Centro de História da Universidade de Lisboa
Alameda da Universidade, 1600-214 Lisboa
centro.historia@mail.fl.ul.pt
antonioventura@mail.telepac.pt
A entrada é livre
Programa
21 de Novembro de 2003
9.15
Intervenções iniciais
João Medina, Director do Centro de História da Universidade de Lisboa
António Ventura<